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É injusto tratar Haddad e Bolsonaro como equivalentes, diz veterano jornalista Janio de Freitas

Jânio

“Nenhum eleitor, absolutamente nenhum, ainda que se abstenha por ausência ou voto omisso, deixará de contribuir para a eleição de um ou de outro” – escreve articulista da Folha de S Paulo

Foto: Agência Brasil/Fábio Rodrigues Pozzebom
Jornal GGN – Uma das dinâmicas determinantes desta eleição é a oposição criada entre PT e Jair Bolsonaro. Mas para Janio de Freitas, a categorização é injusta. Enquanto o candidato do PSL vem apresentando ao longo dos seus 27 anos de vida política discursos extremistas, contrários ao sistema democrático, Fernando Haddad e seu partido exibem trajetórias que estão dentro dos parâmetros do embate político civilizado.
Janio pontua que a falsa dicotomia, além de causar desinformação, é utilizada como uma espécie de muleta para justificar eleitores e personalidades políticas que defendem a posição passiva ou neutra nestas eleições.
“Nenhum eleitor, absolutamente nenhum, ainda que se abstenha por ausência ou voto omisso, deixará de contribuir para a eleição de um ou de outro”, escreve na sua coluna publicada nesta quinta-feira (11) na Folha de S.Paulo.
“Não há neutralidade diante desta bifurcação. A decisão do PSDB e do DEM (chama-se Democratas, veja só) de não apoiar Jair Bolsonaro (PSL) nem Fernando Haddad (PT) parece fuga à responsabilidade, a sua tradicional subida no muro”, crítica Janio destacando que esta eleição não é uma decisão entre dois nomes mas, “na verdade”, “entre democracia e autoritarismo”.
O articulista parte do princípio que todo que “toda as opções” de partidos e políticos com alguma influência “que não sejam de apoio explícito a Haddad” vão beneficiar Bolsonaro. “Os pilatos envergonhados recorrem ao ardil apenas verbal da neutralidade”.
Nesta semana, o DEM e o PSDB fizeram um anúncio oficial de manter a neutralidade neste segundo turno. “Descendente direto da ditadura, o DEM mudou de nome sem mudar de natureza. O PSDB fez o inverso. Traído por vários de seus líderes, renegou as origens e os compromissos promissores, e se tornou o líder da direita até ver-se agora desbancado por um partido nanico. A escolha mal disfarçada dos peessedebistas por Bolsonaro e pelo autoritarismo pode ser coerente, mas é vergonhosa”, analisa Janio.
O mesmo avalia a respeito da decisão Fernando Henrique Cardoso e José Serra, que também decidiram pela neutralidade.
“O primeiro teve vida mansa por lá, mas o outro passou por riscos e dificuldades superados só pela sorte. Hoje, é a defensores nostálgicos da força que os perseguiu, enquanto impunha no país a tortura, a morte, a censura, o atraso, que Fernando Henrique e José Serra dão a ajuda capaz de ser decisiva. É demais”.
Janio traz para seu artigo trechos da coluna do colega Hélio Schwartsman, outro que defende que Haddad e Bolsonaro não são opostos equivalentes:
“Bolsonaro já deu inúmeras declarações que escancaram seu descompromisso para com a democracia e os direitos humanos. Não é absurdo, portanto, imaginar que, uma vez alçado ao poder, ele dê início a uma escalada autoritária” // “Quanto a Haddad e o PT, se o passado vale alguma coisa, eles já foram aprovados no teste da democracia. O partido teve uma presidente destituída e seu líder máximo preso e em nenhum momento deixou de acatar as regras”.
Janio completa que os defeitos de Bolsonaro é o que interessa para a decisão de voto, defeitos não vistos em Haddad: “As qualidades de Haddad, como pessoa e como homem público, nunca foram vistas em Bolsonaro nos seus 27 anos de político. Sem falar no seu tempo de perturbador dos quartéis. Tratar os dois como equivalentes não é apenas injusto, é também falso. E não é de boa-fé”.
Portanto, conclui o articulista, a democracia não pode ser “defendida com posição passiva nem, muito menos com enganosa neutralidade”. Posicionar-se contra o voto à Bolsonaro, reduz o risco da ascensão de um governo autoritário. Logo, arremata Janio, não defender um candidato que já foram aprovados no teste da democracia, “é traição ao presente do país e às gerações que nele ainda despontam”.

 LEIA A INTEGRA DO ARTIGO DE JANIO DE FREITAS

Tratar Haddad e Bolsonaro como equivalentes é injusto

Por Janio de Freitas

 

Um ou outro. Assim é a atual eleição presidencial. Nenhum eleitor, absolutamente nenhum, ainda que se abstenha por ausência ou voto omisso, deixará de contribuir para a eleição de um ou de outro. Mas, se a decisão eleitoral se faz entre dois nomes, na verdade, o eleitor fará outra opção. Vai escolher entre democracia e autoritarismo.
Não há neutralidade diante desta bifurcação. A decisão do PSDB e do DEM (chama-se Democratas, veja só) de não apoiar Jair Bolsonaro (PSL) nem Fernando Haddad (PT) parece fuga à responsabilidade, a sua tradicional subida no muro.

É, no entanto, apoio a Bolsonaro e ao que ele representa, já que o beneficiam todas as opções que não sejam de apoio explícito a Haddad, carente de votos. Os pilatos envergonhados recorrem ao ardil apenas verbal da neutralidade.

Descendente direto da ditadura, o DEM mudou de nome sem mudar de natureza. O PSDB fez o inverso. Traído por vários de seus líderes, renegou as origens e os compromissos promissores, e se tornou o líder da direita até ver-se agora desbancado por um partido nanico. A escolha mal disfarçada dos peessedebistas por Bolsonaro e pelo autoritarismo pode ser coerente, mas é vergonhosa.

Os dois puxadores de tal posição não precisariam mais do que respeitar sua história remota. Nela se conta que Fernando Henrique e José Serra se sentiram ameaçados pela ditadura militar a ponto de buscar refúgio no exterior.

O primeiro teve vida mansa por lá, mas o outro passou por riscos e dificuldades superados só pela sorte. Hoje, é a defensores nostálgicos da força que os perseguiu, enquanto impunha no país a tortura, a morte, a censura, o atraso, que Fernando Henrique e José Serra dão a ajuda capaz de ser decisiva. É demais.

Haddad e Bolsonaro não se equivalem, nem o PT e a corrente política bolsonarista são a mesma moeda, como muitos têm dito e escrito.

A respeito, Hélio Schwartsman já foi claro: “Bolsonaro já deu inúmeras declarações que escancaram seu descompromisso para com a democracia e os direitos humanos. Não é absurdo, portanto, imaginar que, uma vez alçado ao poder, ele dê início a uma escalada autoritária” // “Quanto a Haddad e o PT, se o passado vale alguma coisa, eles já foram aprovados no teste da democracia. O partido teve uma presidente destituída e seu líder máximo preso e em nenhum momento deixou de acatar as regras”.

Os defeitos de Bolsonaro que nos interessam, muitos, não são vistos em Haddad. As qualidades de Haddad, como pessoa e como homem público, nunca foram vistas em Bolsonaro nos seus 27 anos de político. Sem falar no seu tempo de perturbador dos quartéis. Tratar os dois como equivalentes não é apenas injusto, é também falso. E não é de boa-fé.

A democracia não é defendida com posição passiva nem, muito menos, com enganosa neutralidade. Defendê-la, pelos meios disponíveis, não é comprometer-se senão com a própria democracia. Não a defender, é traição ao presente do país e às gerações que nele ainda despontam.

1 Comentário

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    58 A 42%,game over ,tchau queridos,a esquerda varrida do mapa,hora da direita liberal,aguardem!

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