João Bosquo e Luiz Edson Fachin, dois amigos poetas

João Bosquo, jornalista e poeta, Luis Edson Fachin, jurista e poeta

João Bosquo, jornalista e poeta, Luis Edson Fachin, jurista e poeta

MINISTRO DO STF

Fachin e Bosquo já lançaram livro

Eduardo Gomes
Diário de Cuiabá

João Bosco de Almeida Souza, não, que tem um cantor com esse nome. Adote João Bosquo – sugeriu o amigo Luiz Edson. A dica foi aceita e a literatura e o jornalismo ganharam João Bosquo, que rebatizado assinou um livro de poemas seu e do parceiro que o rebatizou. Assim, em 1977, em Curitiba, os dois lançaram “Abaixo-Assinado”, obra poética, com 20 títulos de cada um dos autores.

Ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso, João Bosquo é um dos jornalistas mais conhecidos no Estado, com passagens pelos principais jornais, atuação em assessorias e atualmente escreve no Caderno Ilustrado deste Diário. Seu parceiro no livro é o jurista Luiz Edson Fachin, que acaba de ser escolhido pela presidente Dilma Rousseff para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal com a aposentadoria precoce do ministro Joaquim Barbosa, em 2014. Para chegar ao STF, Fachin terá que se submeter a uma sabatina no Senado. A amizade de Fachin com João Bosquo o liga a Mato Grosso. Os dois se conheceram na juventude. O ministro indicado cursava direito em Curitiba, e João Bosquo era estudante do segundo grau. Em 1976, uma poesia do estudante cuiabano foi escolhida a vencedora de um evento literário em Campo Largo (PR). Fachin o procurou e disse que gostou de seu estilo. Daquela data em diante criaram fortes vínculos de amizades. Ambos eram forasteiros. O mato-grossense sequer tinha parentes no Paraná. Fachin nasceu em Rondinha, no Rio Grande do Sul, mas sua família era radicada em Toledo, no interior e distante da capital paranaense. O gosto pela poesia e o isolamento familiar contribuíram para o fortalecimento da amizade.

Um ano depois do evento em Campo Largo, Fachin convidou João Bosquo a compartilhar com ele a autoria de “Abaixo-Assinado”, que foi impresso com recursos de ambos, numa gráfica de fundos de quintal em Curitiba. Em Cuiabá, paralelamente ao seu trabalho nas redações de jornais, João Bosquo escreveu Sonhos Antigos, em 1984; Outros Poemas, em 1985; e Sonho de Menino é Piraputanga no Anzol, em 2006. Enquanto isso, Fachin montou escritório de advocacia na capital paranaense, onde ganhou respeito profissional e se tornou uma dos juristas mais renomados, com projeção nacional, mas sem perder a ligação com a poesia. Antes, por telefone e viagens de final de ano, os dois amigos se encontravam para botar a poesia em dia. Agora, com o surgimento das redes sociais o contato ganhou intensidade.

Discreto, João Bosquo desconversa sobre a reação do amigo ao ser escolhido ministro do Supremo. No entanto, quando questionado sobre a escolha, a resposta é antecedida por um largo sorriso: “Não podia ser mais feliz. Ele (Fachin) é um ser humano sensível, homem apegado aos valores morais, jurista qualificado, profissional extremamente ético e um poeta de mão cheia; o STF ganhará muito com o Luiz Edson”. A julgar pela reação política ao nome de Fachin, seu amigo ao invés de visitá-lo no Paraná, terá que trocar a rota para Brasília, onde fica o STF.

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