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Dilma precisa enxergar o extensionista rural. Esse profissional, hoje, é um guerreiro solitário que sobrevive mais por idealismo do que por qualquer outro incentivo que receba dos poderes públicos

Dilma precisa enxergar o extensionista rural
por Enock Cavalcanti

O Brasil é um País que se agiganta diante do mundo mas continua de costas para parcela importante dos seus trabalhadores. Penso nos trabalhadores que se empenham em sustentar, nos mais distantes rincões, a agricultura familiar e uma produção voltada para abastecer a mesa dos brasileiros com os alimentos fundamentais para a sobrevivência de toda a nossa gente.

Enquanto o agronegócio recebe toda sorte de incentivo – a começar pela desoneração de impostos da Lei Kandir, que favorece a exportação e os grandes agricultores mas penaliza municipios e estados onde as grandes lavouras de soja, de algodão, de milho estão implantadas -, o que vemos, no contraste, é que os pequenos agricultores continuam forçados a uma mendicância cotidiana.

Como reverter este quadro de miserabilidade?

Penso que esta é uma situação que depende, fundamentalmente, da sensibilidade social dos atuais dirigentes do Estado brasileiro, dos nossos parlamentares, no Congresso Nacional,  e, mais diretamente, da presidente Dilma Roussef.

É preciso que, além de investir e promover mudanças substanciais nas estruturas urbanas de nosso País – como no caso do Programa Minha Casa, Minha Vida -nossa presidente volte seu olhar também para o campo e perceba que ali continuam atuando, como bravos resistentes, milhares e milhares de trabalhadores que precisam ser apoiados para não só escaparem da miséria como também para contribuirem para que se tenha uma reversão importante nos altos custos da alimentação que se observa nos supermercados e nas feiras livres de nosso País.

A fórmula desta intervenção, que se reclama da presidente Dilma, não é tão complicada assim. Sabemos que, no âmbito de diversos setores do atual governo, como no Ministério do Desenvolvimento Agrário, no Ministério da Agricultura, no Ministério da Ciência e da Tecnologia e no Ministério da Educação, já existem estudos que apontam a importancia de uma completa reversão no desmonte que foi promovido durante o governo do presidente Collor de Mello, de triste memória, na estrutura voltada para a extensão rural que mantínhamos aqui no Brasil.

Esses estudos apontam a extensão rural como uma ferramenta vital para a construção de alternativas econômicas que possibilitem às populações excluídas do vasto interior do Brasil acessarem as políticas públicas que lhe garantam uma presença altaneira dentro do mercado agrícola brasileiro.

Tratada sempre como uma espécie de patinho feio, a agricultura familiar, assim mesmo, continua a ser a responsável por mais de 70 por cento dos alimentos que chegam à mesa dos brasileiros, sejam em Estados ricos como São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro e Minas Gerais, seja nas regiões mais pobre do Norte e do Nordeste.

Para resumir, diria que a presidente Dilma precisa enxergar o extensionista rural do serviço público.

Escrevo às vesperas do 6 de dezembro, quando se comemora, em todo o pais, o Dia do Extensionista Rural e digo que esse profissional, hoje, é um guerreiro solitário que sobrevive mais por idealismo do que por qualquer outro incentivo que receba dos poderes públicos. Mas pode se transformar no agente fundamental de uma verdadeira revolução no campo e na agricultura brasileira, se for enxergado por nossos governantes como elemento de muita importância para a viabilização da economia dos pequenos agricultores que se espalham pelos quatro cantos de nossa nação, envelhecidos, desorientados, sem apoio técnico e sem crédito para alavancar suas produções, enquanto continuam a ouvirem falar que o Brasil é aquele país em que se plantando, tudo dá.

Só que falta-nos aquele governante capaz de plantar, efetivamente, a justiça social para o homem do campo.

Voltaremos ao assunto.

Enock Cavalcanti, jornalista e advogado, é editor do blogue PAGINA DO E.

1 Comentário

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  1. - Responder

    Eu acho que você não está muito bem informado. Sugiro que faça uma visita ao MDA e conheça os editais que foram lançados esse ano. Só no Paraná os recursos irão zerar o deficit de ater em dezenas de municípios.e quase 100 cooperativas de agericultores familiares terão apoio total para se desenvolverem. Repito, isso só no Paraná. Faça isso, visite logo o MDA e faça outra matéria se retratabndo.

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