CIRCUITO – Maquinário comprado por Maggi já está arrebentado

 “As máquinas estão arrebentadas”, dispara vice-presidente da AMM sobre MT 100% equipado

por Camila Ribeiro –  jornal Circuito Mato Grosso

Circuito Mato Grosso localiza dois caminhões numa oficina em Várzea Grande já em condições precárias.O Governo do Estado investiu cerca de R$ 240 milhões na compra de maquinários para atender os 141 municípios com a promessa de tornar as estradas estaduais e municipais viáveis. Contudo, os 705 equipamentos adquiridos até o momento não mostraram “a que vieram”. Atoleiros no período chuvoso, buracos e poeira na seca tornam a malha viária de Mato Grosso uma das piores do país.

O prefeito de São Félix do Araguaia e vice-presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), Filemon Limoeiro, faz críticas ainda mais severas quanto à ineficiência dos maquinários adquiridos pelo Estado. “As máquinas estão arrebentadas e em péssimo estado. As demandas dos consórcios e municípios não são atendidas, ou quando são é tudo pela metade. Os trabalhos começam e não terminam, enfim, é uma total desordem”, desabafa.

Caminhão que pertence ao Governo do Estado abandonado em Paranatinga. Ele diz ainda que os consórcios não têm qualquer autonomia sobre o funcionamento dos equipamentos. “Quando nós administrávamos, as coisas funcionavam. Hoje em dia, o planejamento para atender os municípios não funciona, e o resultado está aí: estradas em péssimo estado e consórcios em decadência, já que têm liberdade para trabalhar”.

Limoeiro revela que neste momento a situação das estradas só não é ainda mais grave pois o período é de seca. “O mais importante é que, por sorte, agora contamos com um ótimo engenheiro: o sol. Caso contrário, a situação seria ainda mais lastimável”, ironiza.

Mulheres e crianças sofrem com atoleiros em Cotriguassú Assim como Limoeiro, prefeitos de diversos municípios não escondem o descontentamento com o baixo grau de resolutividade do investimento milionário que o Governo do Estado fez na compra de maquinários. Gerson Rosa de Moraes, que preside o Consórcio do Pontal do Araguaia, revela que o governo passou a administração das máquinas para a empresa Trimec. “Aqui no consórcio só chega equipamento quebrado. Da última vez que era pra termos realizado serviços de recuperação de estradas aqui na região de Pontal (do Araguaia), a retroescavadeira deu problema com oito dias de serviço. Mandamos para Cuiabá a fim de solucionar o defeito e de lá não voltou mais. Enfim, acho que este ano não vamos mais receber qualquer tipo de serviço, pois os demais municípios também precisam utilizar os maquinários”.

O prefeito de Campo Verde e presidente do Consórcio da região Sul, Dimorvan Brescancim, diz não saber por que motivo as máquinas saíram da guarda dos consórcios. “Quando vamos realizar os serviços é necessário se adequar a um planejamento feito pelo Estado”, isto porque os cerca de 10 equipamentos são compartilhados entre os 11 municípios que fazem parte deste consórcio.

Impasse – A Secretaria de Estado de Transporte e Pavimentação Urbana (Setpu) alega que os equipamentos estão em posse dos municípios. Os presidentes dos consórcios municipais, por sua vez, dizem que a administração dos maquinários foi tirada de sua responsabilidade.

Gestores mascaram realidade

Em Guarantã, lamaçal na chuva, poeira na secaApesar das constantes reclamações e dos levantamentos que estão sendo realizados pela Acrimat, alguns prefeitos parecem desconhecer ou simplesmente tentam mascarar a realidade encontrada nos municípios.

O prefeito de Querência, por exemplo, Fernando Görgen, revela que a prefeitura dispõe de oito equipamentos destinados através do MT 100% equipado e que todos eles estão em perfeitas condições.

Em Jangada, o prefeito e presidente do Consórcio do Vale Rio Cuiabá, Valdecir Kemer, diz que a situação é a mesma. “Os veículos destinados aos consórcios trabalham na recuperação de estradas estaduais e aqueles de exclusividade do município fazem serviços de manutenção das vias, limpeza de terrenos baldios. Os trabalhos estão sendo feitos”. Ainda segundo ele – e como confirma a Setpu – a manutenção das máquinas fica a cargo das prefeituras, através de um convênio firmado com o Estado.

Produção do Estado é prejudicada

Apesar do gasto milionário com maquinários, estradas continuam intransitáveis durante as chuvas em AripuanãOs sindicatos rurais do Estado também mostram descontentamento frente à péssima condição das rodovias de Mato Grosso. “Já perdi as contas de quantas vezes os pecuaristas ou produtores de grãos foram prejudicados por conta dos atoleiros e buracos encontrados nas vias”, assegura o presidente do Sindicato de Vila Rica, Eduardo Ribeiro da Silva.

Ele ainda completa dizendo que “as pontes também estão em estado deplorável. Os condutores dos veículos precisam se arriscar e fazer verdadeiras manobras para conseguir trafegar em alguns trechos de nossa região”.

Silva diz que recentemente alguns equipamentos do governo estiveram no município de Santa Terezinha realizando alguns serviços, contudo, os problemas estão bem distantes de serem sanados. “Na MT-158, por exemplo, foram feitas algumas reformas, mas a situação ainda é péssima”, declara.

Augusto Santos Neto, do Sindicato de Apiacás, no Nortão do Estado, conta que as coisas se acertam na época da seca, mas passado este período os problemas voltam a assolar a região. Santos afirma que a manutenção é feita aos poucos.

“É muito complicado não só para os que precisam escoar sua produção, como para a população de forma geral. Todos os anos são os mesmos problemas, atoleiros, carros parados, pontes caídas… De fato, uma situação desanimadora”, descreve Laércio Hubner, do Sindicato Rural de Juruena.

Levantamento da Acrimat comprova precariedade

Um levantamento realizado pela Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), e que será divulgado no dia 3 de julho, deve comprovar as péssimas condições de diversos trechos, alguns fundamentais para o escoamento da produção. Os dados que apontam as condições precárias das estradas foram levantados durante o “Acrimat Em Ação” que percorreu os 30 municípios de maior rebanho de corte do Estado. “O resultado final será apresentado em 3 de julho”, informa o superintendente da associação, Luciano Vacari, antecipando que, de posse do relatório, vai cobrar ações enérgicas do Governo do Estado para reverter o quadro.

Fotos: Mary Juruna e Divulgação

Categorias:Direito e Torto

Sem comentários. Seja o primeiro a comentar

Assinar feed dos Comentários

Deixe seu Comentário

Seu endereço de email não será publicado.
Campos com * são obrigatórios.

4 × 5 =