DEU NO 24 HORAS NEWS: Ginco vende lote de luxo em área nobre em empreendimento penhorado pela Justiça

Segundo informações apuradas pela reportagem o mais novo lançamento da Ginco, o “Florais do Parque”, estaria sobre área penhorada em uma ação de execução e com possibilidade de ir a leilão.

Dois “calotes” de uma só “cajadada”. Uma empresária dona de terras em uma área nobre de Cuiabá deixou de pagar dois advogados por serviços prestados em um ação de divórcio, o que levou os profissionais a penhorar uma área de terras de 5.200 metros quadrados pertencente à devedora. Depois de penhorada a área, os advogados descobriram que o mesmo imóvel foi vendido ou negociado com a Ginco Empreendimentos Imobiliários Ltda, que mesmo sabendo do “calote” de sua parceira comercial, está vendendo lotes de luxo e de alto valor no Condomínio Florais do Parque, no elegante Jardim Itália.

O negócio realizado pela empresária é tão irregular que uma testemunha do caso, a viúva de F.M.A.F., firmou uma declaração em Cartório sobre as irregularidades. Ela assinou e registrou que a retirada da empresária M.M.R.A. da mesma sociedade de seu falecido marido, substituída pela filha dela, foi apenas uma simulação para não pagar os advogados. Disse ainda que, em vida, seu marido já era contra a armação para não pagar os honorários dos dois advogados que fizeram o divórcio do casal que originou a confusão. “O dinheiro da parte da empresária, sócia da empresa, vai para a conta da filha: O.A.T., depois volta para a mãe dela, M.M.R.A., irmã do meu falecido marido’, afirma a viúva em documento.

A FONTE – Quem descobriu as irregularidades foi um magistrado já aposentado e uma fonte do setor imobiliário que, pesquisando, soube da área de 5.200 metros quadrados penhorada sobre uma área maior de 127 mil metros quadrados onde estão sendo vendidos os lotes do Condomínio Florais do Parque. O magistrado desistiu de comprar um lote com medo da repercussão do caso e de perder dinheiro.

O juiz contou que a empresa que comprou o terreno e está comercializando os lotes foi informada sobre as irregularidades, mas se negou a reconhecer o caso através de um advogado.

ENTENDA O CASO

O caso se iniciou no ano de 2015, quando os advogados A. M. C. e E. B. G. ajuizaram uma execução para cobrar sua ex-cliente M.M. R. A. que se recusou a pagar os honorários dos referidos profissionais constantes de uma confissão de dívida assinada por ela no final do ano anterior de 2014.

Como forma de receber o crédito, os advogados entraram com uma ação de execução processada pela 5ª Vara Cível de Cuiabá. E procederam com o arresto de 5.200 m2 de uma área de terras maior da ex-cliente, M. M. R. A., e seu ex-marido.

Foi então que tiveram contra eles, advogados, promovida uma outra ação de uma empresa dizendo ter posse da área, porque a ex-cliente já teria cedido o imóvel anos antes para a empresa Ginco Empreendimentos Imobiliários Ltda e a Incorporadora Itália Ltda, em uma parceira comercial para “Implantação e Desenvolvimento de Empreendimentos Imobiliários”, com a finalidade específica de realizar condomínios horizontais de alto padrão na localidade, como o “Florais do Parque”.

O processo mostra que realmente houve a existência de um contrato de parceria com a pessoa de M. M. R. A., a empresa construtora e a Incorporadora Itália Ltda sobre o imóvel.

Consultado o advogado dos profissionais credores, Dr. Paulo Sergio Daufenbach, confirmou o crédito existente e as ações nas quais se cobra a dívida e se discute a penhora já realizada sobre o imóvel. Ele informou ainda que os seus clientes só souberam recentemente do empreendimento “Florais do Parque” do Grupo Ginco sobre a área penhorada por eles, por informações veiculadas na imprensa e elaboraram uma planta de localização do imóvel e matrículas, como forma de esclarecerem a situação e de já tomarem as medidas judiciais relativas ao assunto.

Afirmou ainda o advogado dos credores: “Duas coisas são certas: primeiro que a empresa, quem ajuizou os embargos de terceiro, não pode defender uma “posse” que não tem, pois claramente quem está de posse e já vendendo lotes é a Ginco Incorporações Ltda; em segundo lugar e mais importante, tão logo seja julgado esse processo, já pediremos que a área penhorada vá a leilão público, porque já são mais de 04 (quatro) anos de litígio sem o recebimento do legítimo crédito devido aos clientes”.

BRONCAS RECORRENTES

Depois de tantos meses de estagnação econômica e recessão enfrentada pelo país, o setor imobiliário tem começado a mostrar crescentes sinais de reação.

Mas parece que o reaquecimento do setor não é a única preocupação na Capital, o problema de condomínios e empreendimentos sobre áreas pendentes de litígios judiciais também passou a ser um tema recorrente.

Em passado recente a Ginco Incorporações Ltda já teve um problema semelhante com o “Florais Chapada”, luxuoso condomínio planejado na cidade vizinha à Capital e objeto de litígio com o Ministério Público Estadual que inclusive embargou a área, por possíveis prejuízos aos aspectos urbanos e ambientais da região. O problema no alto da serra foi resolvido com um Termo de Ajustamento de Conduta – TAC – firmado entre a empresa e o órgão ministerial, no qual a empresa comprometeu-se, dentre outras obrigações, a mudar o local de implantação do empreendimento.

E o mais recente empreendimento da Ginco, o “Florais do Parque”, localizado em área nobre da cidade, parece também repousar sobre área litigiosa.

VERSÃO DA GINCO

Versão da Ginco na íntegra – O Grupo Ginco informa que a área citada não há nenhum impedimento ou ação judicial.

Desde a compra do imóvel ela estava livre e desembaraçada. Tanto é verdade que já foi registrado e transferido para o grupo.

FONTE 24 HORAS NEWS

Sem comentários. Seja o primeiro a comentar

Assinar feed dos Comentários

Deixe seu Comentário

Seu endereço de email não será publicado.
Campos com * são obrigatórios.

dezesseis − oito =