Serra perde, agora, para o segundo poste do Lula

Primeiro, foi Dilma. Agora, Fernando Haddad.  O carismático presidente Lula só precisou escalar um “poste” para, ao que tudo indica, triturar mais uma vez a candidatura de José Serra a prefeito de São Paulo. Derrotado no dia 28, Serra terá a mais triste aposentadoria que um político pode ter. Acima de tudo, ele perde para seus próprios preconceitos e pela sórdida tentativa de manipular os preconceitos alheios contra os gays e o aborto. Leia o noticiário. (EC)

 

Pesquisa Ibope comprova o desastre da estratégia adotada por José Serra; ao se amparar na dupla Silas Malafaia e Reinaldo Azevedo, ele periga terminar o segundo turno com menos votos do que teve no primeiro; Serra parece ter perdido a eleição e a biografia

Brasil 247

José Serra (PSDB) precisava de mais uma indicação de que sua estratégia de atacar o adversário Fernando Haddad (PT) por meio do kit anti-homofobia desenvolvido durante sua gestão no Ministério da Educação não lhe favorece, a pesquisa Ibope de intenção de voto divulgada nesta quarta-feira 17 não deixa mais espaço para dúvida. Feito sob encomenda da TV Globo, o levantamento mostra que o petista ampliou de 11 para 16 pontos porcentuais sua vantagem em relação ao tucano.

Em uma semana, Haddad oscilou apenas um ponto para cima e, agora, aparece com 49% das intenções de voto. Já Serra caiu quatro pontos, de 37% para 33%. Em votos válidos, o placar seria de 60% a 40%.

A pesquisa foi registrada no Tribunal Regional Eleitoral sob o protocolo SP-01864/2012. A margem de erro é de três pontos porcentuais para mais ou para menos.

 

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OPINIÃO

O candidato Serra e as ‘pautas petistas’

EUGÊNIO BUCCI
O ESTADO DE S.PAULO

Na terça-feira o candidato tucano à Prefeitura de São Paulo, José Serra, agastado com perguntas de dois jornalistas, acusou-os de defenderem “pautas petistas” e tentou desqualificá-los como profissionais. As ofensas mereceram destaque na primeira página do jornal Folha de S.Paulo de ontem. A “pauta petista”, na opinião de Serra, é a comparação entre o famigerado “kit gay”, preparado pelo Ministério da Educação (MEC) no ano passado, quando Fernando Haddad, hoje candidato a prefeito pelo PT, ainda era o titular dessa pasta, e uma cartilha distribuída às escolas pelo governo paulista em 2009, tempo em que Serra ainda morava no Palácio dos Bandeirantes.

O ex-governador de São Paulo repudiou a revelação feita na segunda-feira pela colunista Mônica Bergamo, da própria Folha, de que o kit do MEC e a cartilha paulista tinham conteúdos parecidos (é verdade que o material do MEC, depois de pronto, nunca foi distribuído, pois a presidente Dilma Rousseff, pressionada pelas reações ruidosas de congressistas católicos e evangélicos, mandou engavetá-lo). Serra entendeu que a analogia entre uma coisa e a outra constitui mau jornalismo, ou, nas palavras dele mesmo, “a Folha entrou numa roubada (…) e fez uma má reportagem”.

O tucano atacou pessoalmente os dois profissionais em dois episódios diferentes. Na terça de manhã, ao ser indagado sobre o assunto pelo jornalista Kennedy Alencar, da rádio CBN, disparou: “Eu sei que você tem preferências políticas, mas modere, você não pode fazer campanha eleitoral aqui”. Parecia falar em nome dos acionistas da CBN. Depois, à tarde, tentou humilhar uma repórter do UOL, portal do Grupo Folha, propondo que ela fosse “trabalhar com o Haddad”. A repórter, como Kennedy Alencar, não tinha injuriado ou agravado o candidato. Ela simplesmente solicitara que ele esclarecesse sua posição sobre o debate da homofobia em escolas. Foi o que bastou para Serra subir o tom.

Como se viu, o “kit gay” desencadeia um tique nervoso no candidato tucano: bater boca com a imprensa. Na campanha que disputou para a Presidência da República, em 2010, por motivos outros, que nada tinham que ver com homofobia, o mesmo tique apareceu em mais de uma ocasião. Aqui e ali, Serra tratou repórteres com uma rispidez inadmissível para alguém que pleiteava nada menos que o emprego de presidente do Brasil.

Quando um governante – ou candidato a – dirige a um repórter insinuações ou acusações com o objetivo de macular sua dignidade profissional, estamos no pior dos mundos. Se exacerbada, essa conduta desestabiliza as instituições. Rafael Correa, presidente do Equador, levou às últimas consequências a política de fustigar jornalistas: ele os ataca nominalmente em discursos transmitidos em cadeia nacional de rádio e televisiva. A consequência é que hoje as condições da imprensa livre no Equador inspiram preocupações das mais sérias.

Serra não é Correa, evidentemente, mas agiu mal. Um candidato pode reprovar uma manchete, uma legenda, uma pergunta que lhe façam. Pode discordar. O que não pode é investir contra a pessoa do jornalista. Interrogações adversas fazem parte do clima eleitoral. Se ele agride um repórter acusando-o de não observar as regras da independência editorial (um cânone da nossa profissão) e de fazer proselitismo partidário disfarçado de noticiário, dá indícios de que talvez não esteja assim tão preparado para conviver serenamente com a pluralidade de opiniões.

Por certo, a conduta arrivista de José Serra nesta semana não constitui, em si mesma, uma ameaça à democracia. O problema, porém, não é o que essa impaciência toda destrói ou deixa de destruir, mas o que ela não constrói. Atitudes assim não ajudam a sustentar o ambiente democrático e de um candidato a prefeito de São Paulo não se exige apenas que não ameace a liberdade de imprensa, mas se exige dele que ajude a fortalecê-la. Candidato que se arvora a passar pito em repórter sai de sua função e não constrói nada de bom.

Nesse ponto, um gesto de desrespeito dirigido contra jornalistas pode ser lido, sim, como falta de zelo pela própria instituição da imprensa. Se o destempero de Serra não corrói a liberdade, ainda que fira a imagem de profissionais de imprensa, não constrói a convivência entre jornalistas, eleitores e autoridades.

Não é só isso. Um candidato que preza, mais que a instituição da imprensa, a autonomia e a dignidade do eleitorado tem o dever moral de responder a todas as perguntas que lhe fazem, venham elas dos veículos jornalísticos que ele aprecia ou venham diretamente dos partidos adversários. Do ponto de vista do eleitor, tanto faz. As dúvidas da sociedade, tenham a origem que tiverem, devem ser todas esclarecidas. Pense bem o leitor: o que seria do debate público se todos os candidatos petistas, quando indagados sobre o mensalão, dissessem simplesmente que isso é uma “pauta tucana” e não respondessem nada? O debate público ficaria inviável.

É fato que centenas de petistas – inclusive alguns dirigentes da máquina partidária – vivem a jogar nas costas da imprensa a responsabilidade pelas misérias morais do PT, mas existem candidatos responsáveis da legenda que se prestam a responder com sobriedade e urbanidade a todas as perguntas. Eles sabem que o cidadão tem o direito de saber dos assuntos de interesse público e isso inclui o direito de saber sobre mensalão e… sobre o “kit gay” também. Portanto, mesmo que a cartilha do governo paulista sobre homofobia fosse uma “pauta petista” (o que não é), isso não o desobrigaria de responder ao que lhe é perguntado. Ao descartar o questionamento como se fosse uma bobagem, o candidato chamou de bobos todos os interessados no tema.

Um jornalista, seja da Folha, da rádio CBN, do UOL, de onde for, representa o seu veículo e o seu público. Quem agride um jornalista agride o público.

4 Comentários

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  1. - Responder

    SERRA,GLOBO,VEJA ,BAND,ESTADO DE SAO PAULO ,MALAFAIA STF,,ESTAO PERDENDO PRA ELES MESMOS ,CONSEGUIRAM SE SUPERAR NAS MALDADES.CONSEGUIRAM MOSTRAR A VERDADEIRA CARA DO QUE SAO.GOLPISTAS INESCRUPULOSOS .A QUALQUER PREÇO.E CONSEGUIRAM MOSTRAR A PEQUINES DOS PARTIDOS QUE REPRESENTAM PSDB O PARTIDO MAIS FICHA SUJA DE TODOS OS TEMPOS,PAI DO MENSALAO E CARA DE PAU POIS MESMO SABENDO ONDE TUDO COMEÇOU AGEM COMO SE NAO SOUBESSEM DE NADA.PLANTAM HOJE E VAO COLHER.

    • - Responder

      O PSDB, E UM PARTIDO MASCARADO, QUE USA DISCURSOS PLANEJASDOS, TODOS OS MILITANTES DO PSDB TEM DISCURSOS IGUAIS. NA MINHA CIDADE NESTE ELIÇÃO JA ELIMINAMOS O PSDB 45. 45 NUNCA MAIS. DEVIAMOS FAZER ISTO EM TODO TERRITORI MUNDIAL. O PSDB VENDEU NOSSO PAIS COM AS PRIVATIZAÇOES, E SO LER O LIVRO A PRIVATARIA TUCANA QUE TODOS IRÃO ENTENDER. …

  2. - Responder

    DE POSTE ,EM POSTE VAMOS ILUMINANDO O BRASIL.

  3. - Responder

    e agora silas malafaia???? cade os evangelicos que nao iam deixar haddad se eleger???

    hahahaahhaha……

    toma papudo!!!!

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