DEPUTADO VALTENIR PEREIRA: Aproximam-se as eleições para prefeito e vereadores, em Cuiabá. Os “pit bulls” de plantão (termo preciso cunhado por um dos pré-candidatos), no afã de defender o “chefe”, têm exacerbado nas falas. Têm atacado de modo rasteiro e inconsequente os pré-candidatos

Valtenir Pereira, defensor público licenciado

Valtenir Pereira, defensor público licenciado

“Pit bulls”, acalmai-vos! Deixem o “chefe” falar

Por Valtenir Pereira

Aproximam-se as eleições para prefeito e vereadores. Os ânimos estão acirrados, porém, há que ter respeito às pessoas, principalmente às suas biografias. Os “pit bulls” de plantão (termo preciso cunhado por um dos pré-candidatos), no afã de defender o “chefe”, têm exacerbado nas falas. Têm atacado de modo rasteiro e inconsequente os pré-candidatos.
Há que ter respeito por Serys Slhessarenko, mulher guerreira e combativa. Tem biografia. Teve a legitimidade do voto. Seu detrator não conseguiu sequer eleger-se para vereador e pode ser chamado de “piolho de político”, pois está sempre agarrado em algum para obter uma “boquinha” no serviço público.
Há que ter respeito por Sebastião Julier, ex-juiz federal, responsável diretamente por desmantelar o crime organizado no Estado.
Há que ter respeito pelo Procurador Mauro, pessoa humilde que, por seus próprios méritos, formou-se em direito pela UFMT. Posteriormente, logrou êxito no difícil concurso para Procurador da Fazenda Nacional. O fato de pertencer a uma banda de música e cantar “lambadão” não é nenhum demérito. Pelo contrário, demonstra que, mesmo após ter sucesso em sua vida profissional, jamais esqueceu suas raízes. Ocupa cargo público por mérito, não por “puxa saquismo” do chefe.
Também há que ter respeito por mim. Com muita honra e por força das circunstâncias fui engraxate e “picolezeiro” e, para pagar meus estudos, fui vendedor de carros. Sempre estive entre os melhores vendedores da empresa, a ponto de receber honrarias pelo destaque. Já como advogado, entrei, via concurso, para o cargo de Defensor Público. Fui pioneiro na interposição de ações judiciais para obrigar o Estado e os Municípios a proverem leitos hospitalares e remédios para os doentes pobres. Fui eleito vereador com mais de 5 mil votos. Posteriormente, fui eleito Deputado Federal. Estou no meu terceiro mandato consecutivo.
Somente para Cuiabá viabilizei junto ao Governo Federal 25 creches que, infelizmente, estão sendo construídas a passos de tartaruga pelo atual prefeito. Destinei, via emenda, recursos para construção de Unidades Básicas de Saúde nos bairros São João Del Rey, Parque Ohara e Ouro Fino e também para o Hospital Geral Universitário, para a Santa Casa de Misericórdia, para o Instituto Lions da Visão e para o Hospital Santa Helena. Todos referência no atendimento pelo SUS. A duplicação da Av. Archimdes Pereira Lima (Estrada do Moinho) tem recursos de nossas emendas. Ao longo destes três mandatos destinei, de modo direto e indireto, cerca de R$ 85 milhões para Cuiabá.
Enfim, todos os pré-candidatos aqui citados são pessoas dignas para administrar a cidade de Cuiabá. Nossas biografias e ações falam por si. Qualquer afirmação em sentido contrário é falácia. É preconceito. É “blá blá blá” da politicagem.
Importante dizer que nenhum de nós se apresenta como o “bam-bam-bam” da administração. Nenhum de nós é empresário de “sucesso”. Nenhum de nós faliu empresas. Nenhum de nós é filho de empresário que não consegue terminar obras que eram para a Copa do Mundo. Nenhum de nós exerce cargo público por indicação política, simplesmente porque participou da campanha do “chefe”.
Tenho certeza que qualquer um dos pré-candidatos que for eleito para administrar Cuiabá será um prefeito presente. Que vai dedicar integralmente às suas funções. Que não vai dividir o tempo com suas empresas falidas. Que não vai terceirizar a gestão para um triunvirato de secretários. Que não vai viajar para a praia no dia do aniversário da cidade. Que visitará os bairros. Que ouvirá o povo.
Afinal, Cuiabá precisa enfrentar de frente seus problemas. Fazer asfaltos sim, mas sem esquecer de realizar obras de esgoto sanitário. Isso é questão de saúde. A CAB precisa ser varrida em definitivo do mapa. O aterro sanitário precisa tornar-se realidade.
Na área de saúde especificamente, há que terminar o pronto socorro, porém será necessário equipá-lo e fazê-lo funcionar. O mesmo se diga das novas UPAs e UBS. Todavia, somente prédios não resolve o problema. Prédios nós já temos. Falta gestão e humanização no atendimento ao usuário.
Na educação, também há que terminar e construir novas escolas, porém, é preciso melhorar as condições das já existentes. É preciso democratizar o processo de gestão e de ensino, criando o Conselho Permanente de Melhoria da Educação, com representantes dos sindicatos, da sociedade civil e dos pais dos alunos.
Na infraestrutura, é necessário ampliar a cobertura do esgoto sanitário e fazer chegar água a 100% dos lares cuiabanos. O rodoanel e a estrada parque, têm que sair do papel. A segurança da cidade passa pela melhoria da iluminação pública nas praças e ruas.
A mobilidade urbana precisa de transporte público de qualidade. A frota de ônibus deve ser periodicamente atualizada. Não basta colocar “wi-fi” e “ar condicionado” em 10% da frota. Isso é para “inglês” ver. Tem que ser em 100% dos ônibus. Os transportes alternativos já existentes precisam ser melhor fiscalizados e ordenados. As ciclovias têm que fazer parte da paisagem urbana, não como faixas pintadas para uso recreativo no final de semana, mas para uso todo dia. As vias públicas não podem ser remendadas com operações demagógicas de “tapa buracos”. Há que haver um programa permanente de recapeamento, sinalização e preservação de canteiros. É preciso ordem na cidade. As obras da copa do mundo têm que terminar. O prefeito de plantão, se necessário for, deve processar judicialmente o Estado para a conclusão das obras, em especial, o VLT. Já se passaram dois anos e quase nada foi feito. O Município foi conivente com a lerdeza do Estado.
A habitação deve ser eixo de prioridade. Novas unidades devem ser construídas, e junto devem vir escolas, creches e unidades de saúde. O déficit habitacional deve ser zerado. A regularização fundiária precisa estar na pauta do dia. É inconcebível que tenham bairros inteiros sem regularização.
O esporte, a cultura, o lazer e o desenvolvimento social, devem ser parte de políticas públicas inclusivas. Não dá para torrar dinheiro público com shows pirotécnicos e comerciais. Na área social, o problema das drogas, em especial, do crack precisa ser enfrentado. O município não pode continuar permitindo que crianças sejam levadas para o crime e tenham suas vidas ceifadas antes de completarem a maioridade.
No campo econômico, Cuiabá precisa ser uma cidade atrativa. Uma prestadora de serviços. Uma referência na saúde e na educação. O município deve ser apenas indutor de crescimento, jamais poderá despejar dinheiro público em benesses para meia dúzia de interesses privados.
O cinturão verde precisa tornar-se realidade. A agricultura familiar tem importante papel nesse processo. A piscicultura é vocacional da baixada cuiabana. Precisa apenas ser sistematizada, criando-se o mercado público para a venda de peixes. É inadmissível que nas escolas não sirvam peixe na merenda escolar, quando somos o maior produtor nacional. O Complexo da Salgadeira precisa voltar a funcionar. A região do Coxipó do Ouro há que ter a atenção que merece.
Enfim, Cuiabá precisa de gestão competente. Seu povo precisa de carinho. A cidade precisa de um prefeito presente.
Portanto, “pit bulls”, acalmai-vos. Respeitem as biografias. Deixem o “chefe” falar. Vocês não são candidatos a prefeito.

Valtenir Pereira, defensor público licenciado, é deputado federal pelo PMDB.

Sem comentários. Seja o primeiro a comentar

Assinar feed dos Comentários

Deixe seu Comentário

Seu endereço de email não será publicado.
Campos com * são obrigatórios.

sete + 12 =