gonçalves cordeiro

Depois que vereador JOÃO EMANUEL, filho do juiz Irênio Fernandes e genro do deputado Riva, foi acusado pelo MP de integrar esquema para favorecer traficantes com compra de sentenças judiciais, CEARÁ E VILSON NERY, do MCCE, alertam que possível presença do narcotráfico é nova ameaça a pairar sobre a Câmara de Cuiabá

Vilson Nery e Antonio Cavalcante, o Ceará, coordenadores do MCCE em Mato Grosso, na montagem com o vereador João Emanuel: a sombra do narcotráfico estaria pairando sobre o legislativo municipal de Cuiabá

Vilson Nery e Antonio Cavalcante, o Ceará, coordenadores do MCCE em Mato Grosso, na montagem com o vereador João Emanuel: a sombra do narcotráfico estaria pairando sobre o legislativo municipal de Cuiabá

POLÍTICA E NARCOTRÁFICO

Por Antonio Cavalcante Filho e Vilson Nery

 

Se por acaso você falar nesse momento que a política é uma droga certamente terá uma pouco de razão no que diz, pois as notícias de que existe na Câmara Municipal de Cuiabá quem defenda o narcotráfico não é de todo equivocada (e dá prá dizer que isso é uma droga).

Mas o fato não é novo (infelizmente).

Nas eleições municipais de 2008 havia um candidato a vereador em Cuiabá que mantinha alguns cabos eleitorais dentro do Presídio Central (Pascoal Ramos). Seus “correligionários” (uns soltos, outros presos) eram monitorados por interceptação telefônica (grampo). Isso permitiu que fosse realizada a prisão em flagrante de alguns membros da quadrilha quando praticavam um assalto a uma empresa, inclusive utilizando veículo com os adesivos do tal candidato.

Pois bem.

O candidato foi eleito, mesmo respondendo a muitos processos de crimes eleitorais, mas é certo que a Justiça Eleitoral não “teve tempo” de julgar o dito cujo! Fez um péssimo mandato.

Ainda bem que o político foi ejetado do poder por outros modos (e não voltou mais) embora ocupe agora um luxuoso cargo de assessor no condomínio mais caro de Mato Grosso, a Assembléia Legislativa. Se abrigou exatamente naquele “residencial” que torra por ano mais de meio bilhão de reais do contribuinte, para manter os seus vinte e quatro condôminos e assessores.

Mas e agora, com a denúncia criminal oferecida pelo Ministério Público, de que o presidente da Câmara Municipal da Capital manteria ligação com barões do narcotráfico em mercancias de decisões judiciais, qual será a reação de seus pares? Merecerá o povo de Cuiabá conviver com mais esse fantasma no armário? E o debate sobre os temas de relevância, tais como o trânsito, as escolas, a Copa do Mundo e a regularização fundiária, ficam para quando?

Tudo bem que estamos recebendo revelações de que no quesito “amizade com juiz prá se dar bem” o prefeito de Cuiabá parece ser bem entendido (vide relação de Mauro Mendes com membros do TRT). Mas com que autoridade os vereadores vão fiscalizar o executivo se na sua própria casa reside impune o malfeito (e o malfeitor)?

Tudo isso, a nosso ver, parece ser exatamente o resultado de um processo político viciado, com agremiações partidárias sem ideologia, que se transformam em balcão de interesses (já nas convenções para escolha dos candidatos). A lei eleitoral e o processo político como um todo acabam permitindo essas distorções da Democracia, com a eleição daqueles que gastam muito, abusam do poder político e econômico, mas no mandato esquecem do povo e fazem a defesa dos interesses dos barões que os financiaram.

Por isso, a lei de iniciativa popular de reforma política, liderada pelo MCCE, pela OAB e pela CNBB, entre outras cinquenta entidades, precisa merecer o apoio popular.

Se a Câmara Municipal de Cuiabá não cortar esse mal pela raiz, permitir que um vereador que responda a acusação de defender o narcotráfico exerça livremente o mandato, perde uma chance de mostrar que existe alguma utilidade para o vereador.

Na próxima vez que você ver um menor viciado em “crack”, andando na rua feito um “zumbi”, aterrorizando a vizinhança e criando insegurança à sua família, lembre-se que o traficante possui relações políticas fortes que o mantém na ativa.

Antonio Cavalcante Filho e Vilson Nery são ativistas do MCCE (Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral)

6 Comentários

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  1. - IP 201.41.127.100 - Responder

    O que me pergunto é: por que só agora o MP se manifestou? Também me pergunto: por que só agora mais de 100 cargos comissionados foram cortados na Câmara? Pergunto por perguntar, pois a resposta é clara.

  2. - IP 177.193.131.168 - Responder

    Droga por droga a câmara ja possui a muito tempo…pergunto: “qual de nossos vereadores à muito tempo, não é uma droga?”

  3. - IP 186.213.230.8 - Responder

    O pior mesmo é saber que o PT chegou ao poder embalado na esperança do povo de que o partido do Lula viera para acabar com as malandragens, mas tratou logo de aperfeiçoar a corrupção, comprando deputados federais no esquema do mensalão.

    E agora, Ceará, lembrando que o genro do Riva conquistou a presidência da Câmara com ajuda do PT, quem poderá socorrer o povo cuiabano???

    • - IP 177.41.82.97 - Responder

      Eu acredito João, que somente o POVO ORGANIZADO pode mudar o seu destino, virar essa pagina da nossa triste historia. Não podemos esperar mudanças daqueles que querem que tudo continue como está. A democracia precisa deixar de ser uma ideia para se tornar uma atitude social. Nós, do MCCE, estamos com um Projeto Lei de iniciativa popular, o Eleições Limpas, você já assinou? Você que vive reclamando dos políticos, já fez a sua parte?

  4. - IP 187.116.160.4 - Responder

    Esse e um sistema mafioso que sempre funcionou. Mas a “seara” do narcotrafico ficava na sutileza. Hoje vemos desembargadores invadindo terras, juizes leiloando jazidas, ex conselheiros derrubando florestas, invadindo terras, desalojando indios…vemos claramente – qualquer leigo politico pode enxergar as manobras e seus resultados – porque essa mafia tem varios gangsters com espacos de atuacao definidos. E esses espacos sao as instituicoes publicas, legislativas, executivas, judiciarias, todas aliciadas. E a imprensa, tristemente se presta ao papel de manipular a opiniao publica e minimizar os fatos lamentaveis. Pessoalmente vejo esses delinquentes com titulos, cargos e poder exatamente como aqueles ladroes que colocam dinamites e explodem caixas eletronicos. A diferenca esta somente nos valores levados e nas consequencias sociais, que no caso daqueles, e grave e de longo prazo. A mafia cresceu muito e nao tem mais controle sobre seus integrantes. O caos entre eles acabara por destrui-los. Saudade do tempo em que apenas os donos de partidos tinham a ultima palavra e eram obedecidos. Com a inclusao de uma legiao de advogados, que se fizeram necessarios, introduziram dinamites dentro de seus castelos.

  5. - IP 189.5.168.238 - Responder

    Corta comissionado mas permanece fantasmas. O pessoal ali nm se colocar no pau de arara não melhora.

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