VEJA EM VÍDEO: Depois de receber título de Doutor Honoris Causa, na UFMT, poeta Wlademir Dias Pino diz que emoção da homenagem o deixou “bêbado, como nunca estive”. Tímido, o discurso do poeta foi lido pela filha do poeta Silva Freire, Larissa Silva Freire Spinelli

Aos 86 anos de idade, o poeta Wlademir Dias Pino viveu um dia de muita emoção na manhã desta terça-feira, na UFMT. Ele que evitou discursar na cerimônia em que foi homenageado, na conversa com amigos e admiradores citou muito a figura do reitor-fundador da Universidade, o médico e professor Gabriel Novis Neves. Com problemas nas articulações do joelho, Novis não teve como se locomover de casa até o Centro Cultural da UFMT onde aconteceram as homenagens ao poeta.

Aos 86 anos de idade, o poeta Wlademir Dias Pino viveu um dia de muita emoção na manhã desta terça-feira, na UFMT. Ele que evitou discursar na cerimônia em que foi homenageado, na conversa com amigos e admiradores citou muito a figura do reitor-fundador da Universidade, o médico e professor Gabriel Novis Neves. Com problemas nas articulações do joelho, Novis não teve como se locomover de casa até o Centro Cultural da UFMT onde aconteceram as homenagens ao poeta. Fotos de Enock Cavalcanti, via smarphone.

A PAGINA DO E divulga, no vídeo acima, a íntegra da homenagem prestada pela Universidade Federal de Mato Grosso ao poeta Wlademir Dias Pino, neste 10 de dezembro de 2013. A festa pelos 43 anos de fundação da Universidade se mesclou com a festa pela arte e pela personalidade do poeta único, criador de um universo personalíssimo. Abaixo, a reportagem sobre a cerimônia, divulgada no site da UFMT. A presença da imprensa no Centro Cultura da UFMT para cobrir a homenagem foi mínima, discretíssima. Segundo a reitora Maria Lúcia Cavalli Neder,em tom de ironia, nossa imprensa só gosta de comparecer à Federal para cobrir algum ato de rebeldia de algum dos seus alunos. Além dos dirigentes da UFMT, lá estavam amigos e fiéis admiradores de Wlademir que, depois do ato, em reunião que se travou no gabinete da reitoria, se dizia “bêbado, como nunca estive”, em face das homenagens recebidas, articuladas com muita paciência pelo pró-reitor de Cultura, Fabrício Carvalho . Ele, que não falou no ato oficial, deitou falação no ouvido da reitora, para cobrar alguns ajustes que acha importantes para garantie que a UFMT continue exportando saberes. Sua principal reivindicação foi a completa ativação da Biblioteca – segundo o poeta, idealizada por ele, pelo reitor da UFMT, Gabriel Novis Neves e outros pioneiros da Universidade, para acomodar até 400 mil volumes. “A Biblioteca é sempre a alma de qualquer universidade, aqui é que se reúne o conhecimento de todos os tempos e de todos os homens, não pode ficar como está aqui, invadida pela reitoria”, argumentou Wlademir, em tom delicado. A reitora, que recebeu Wlademir e os amigos para um chá com bolo, garantiu que, em 2014, depois de sucessivos adiamentos, a reitoria se afastará da Biblioteca e passará a ocupar espaço próprio, em prédio já planejado pelo arquiteto José Afonso Portocarrero. “Já determinei até à diretora da Biblioteca que me despejasse”, contou, sorrindo, Maria Lúcia. Confira o noticiário. (EC)

Wladimir Dias Pino posa com amigos depois de receber o titulo de Doutor Honores Causa, na UFMT

Wladimir Dias Pino posa com amigos depois de receber o titulo de Doutor Honores Causa, na UFMT. Foto de Hegla Oleiniczak

Wlademir Dias Pino recebe título de doutor honoris causa da UFMT

O artista plástico, designer gráfico e poeta, Wlademir Dias Pino, recebeu o título de doutor honoris causa da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), na manhã desta terça-feira (10) de manhã, durante sessão solene dos Conselhos Diretor (CD), Universitário (Consuni) e de Ensino Pesquisa e Extensão (Consepe), no Centro Cultural. A entrega da honraria faz parte das comemorações dos 43 anos de fundação da UFMT. Presidida pela reitora Maria Lúcia Cavalli Neder, a solenidade contou com a participação dos conselheiros, do vice-reitor, João Carlos de Souza Maia, do reitorado, professores, técnico-administrativos, artistas plásticos, escritores e amigos do homenageado.

O título de doutor honoris causa é concedido a personalidades eminentes, brasileiras ou estrangeiras, que tenham contribuído de forma notável para o progresso da universidade, da região ou do país, ou que tenham se distinguido, de forma excepcional, pela sua atuação em favor das ciências, das letras ou da cultura em geral. “Uma homenagem justa, merecida e inadiável”, requerida pelo pró-reitor de Cultura, Extensão e Vivência, maestro Fabrício Carvalho, a honraria foi concedida a Wlademir Dias Pino, segundo parecer da Comissão de análise do Consuni, “pela inegável e notória importância do conjunto de sua obra, que se insere em movimentos culturais de vanguarda em níveis local, nacional e internacional, em trajetória que leva consigo o nome da UFMT”.

Tímido, o discurso de Wlademir Dias Pino foi lido pela filha do poeta Silva Freire, Larissa Silva Freire Spinelli. “Foi com surpresa que recebi a comunicação de que o Conselho Universitário desta universidade houve por bem conferir-me o título de doutor honoris causa. Devo dizer que senti, naquele exato momento, (e ainda sinto) certa dificuldade de expressar claramente todo o sentimento com que me tomou instantaneamente a notícia, o que, naturalmente, me levou a pensar no exercício profissional em retrospectiva, com todo o seu poder de fixação. Aproveito, então, esta especial oportunidade para compartilhar um pouco, com vocês, o grande sonho amazônico e o contágio da entusiasmante utopia de aqui, justamente aqui, implantar a nossa Universidade da Selva”, afirmou ao fazer um breve retrospecto da participação na primeira feira do livro em Cuiabá, no início dos anos 70, e da trajetória na UFMT.
‘Aqui, tudo estava por ser feito, no de sempre abandonado cerrado. Era preciso criar uma profissão de nível superior para o homem local baseada em nossas necessidades sociais e econômicas e que, ao mesmo tempo, naturalmente, não entrasse em conflito com o poder central. Nos dias de hoje, é visível a presença da primeira geração de estudantes desta instituição assumindo o poder com eficiência. Este resultado confirma seguramente os acertos da Universidade da Selva, portanto a data de hoje marca a segunda geração de gestores de nossa educação política. Desse modo, é mais do que necessário um rigor todo especial para o engrandecimento da diplomação”, disse ao encerrar o discurso com um viva “para a nossa vitoriosa educação”.

A homenagem foi marcada pelos depoimentos emocionados da professora e ex-aluna do curso de Letras da UFMT, Cristina Campos, e da professora e membro da Academia Mato-grossense de Letras, Marília Beatriz Figueiredo Leite. Definido como um gênio pela ex-aluna, Cristina Campos destacou a importância de a UFMT valorizar a “prata da casa”. Para ela, Wlademir Dias Pino deixou uma grande lição para a universidade: a imensa capacidade de produção.

“Ele fez mágica”, afirmou Marília Beatriz ao também ressaltar a capacidade de produção e a ousadia de Wlademir Dias Pino. Segunda ela, ele conseguiu colocar 360 exposições dentro da UFMT, em um ano. “Foi uma exposição por dia”, contou. Recordou ainda quando ele fez o teórico da semiótica, Ivan Bystrina, já com uma certa idade, percorrer o campus da UFMT.

A reitora Maria Lúcia falou do privilégio de a universidade de ter contado com a visão vanguardista de Wlademir Dias Pino, responsável pela identidade visual da UFMT e com grandes contribuições para as artes do Brasil e do mundo.
A reitora aproveitou a ocasião especial para fazer um breve relato das ações desenvolvidas em 2013 e prestar contas para a comunidade universitária. Lembrou que a UFMT completa hoje 43 anos de muita luta, realizações, expectativas, sonhos e caminhar. A Universidade da Selva nasceu da vontade política do povo mato-grossense. Falou dos ex-reitores, desde a sua fundação em 1970, com médico Gabriel Novis Neves, a seu antecessor, professor Paulo Speller, atual secretário de Educação Superior (Sesu) do Ministério da Educação (MEC).

A reitora Maria Lúcia disse ainda que, apesar do crescimento expressivo nos últimos 10 anos, a educação superior no Brasil não atinge 20% dos jovens. Reconheceu que é preciso caminhar ainda mais para alcançar patamares dos países desenvolvidos. Falou do papel da universidade enquanto instituição social e para contribuir para uma sociedade mais justa e para o desenvolvimento de Mato Grosso. Atualmente, são 101 cursos de graduação, 56 de pós-graduação (mestrado e doutorado) e mais de 23 mil alunos matriculados nos campi de Cuiabá, Rondonópolis, Sinop e Araguaia. Mais de 90% dos professores têm mestrado ou doutorado.
Falou das ações de incentivo na cultura e no esporte com o envolvimento expressivo da comunidade externa. Observou ainda que a UFMT tem avançado e conseguido posição de destaque entre as instituições de ensino superior do país. “Essas conquistas são fruto do esforço conjunto”, frisou. Disse que vai continuar investindo nas políticas de qualificação dos técnico-administrativos e de assistência estudantil.

Falou também da política de inclusão social de estudantes de baixa renda, da escola pública, de negros e índios e do papel do Hospital Universitário Júlio Muller (HUJM) para a saúde pública de Mato Grosso e formação de novos profissionais.

A reitora Maria Lúcia reconheceu que os desafios são muitos. Dentre eles, citou a implantação do campus de Várzea Grande, a conclusão do novo HUJM, e a implantação de dois novos cursos de Medicina nos campi de Sinop e Rondonópolis. A previsão da reitora é de mais três campi para o interior do Estado.

Wlademir Dias Pino

Nasceu no Rio de Janeiro, em 24 de abril de 1927. Veio para Cuiabá em 1936, onde permaneceu até 1952, ano em que retornou ao Rio. Voltou a Cuiabá e 1972 e, nos 25 aos seguintes, marcou a produção editorial da UFMT, especialmente com as ilustrações de livros, cartilhas e jornais publicados pela Editora Universitária. Foi durante esse período que idealizou o logotipo que define e identifica a UFMT.

Wlademir Dias Pino participou de importantes ações culturais de vanguarda.É um dos mais respeitados nomes da poesia visual brasileira. Participou do movimento poetas concretistas. Ele propunha a separação entre poesia e poema: poesia seria apenas uma das muitas formas nas quais o poema pode se manifestar – os versos estão afeitos ao estado espiritual, literário. O poema, por sua vez pode ser encontrado na arquitetura, na escultura, na matemática, num gesto individual ou coletivo, enfim, em imagens. Assim, ele não faz poesias, mas poemas. Sua arte se firma no físico, no processual.

O elemento visual é o principal agente estrutural de sue poema: gráficos, perfurações, figuras, caracteres escritos, podendo até não haver palavra e ser puramente plástico e não verbal. Foi o primeiro autor a elaborar o conceito de livro-poema, no qual explora as características físicas do livro como parte integrante do poema, tornando-os um só corpo físico: o poema só existe porque existe o objeto livro. Foi um dos fundadores do movimento poema processo.

FONTE UFMT

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OPINIÃO

Um justo reconhecimento

LORENZO FALCÃO

Tyrannus Melancholicus

 

A reitora Maria Lúcia Cavalli Neder conduzindo Wlademir

A comunidade intelectual cuiabana está em festa. Pudera, ele está por aqui. Veio receber o título honoris causa da UFMT. Wlademir Dias-Pino, um dos mais notáveis artistas que já morou em Cuiabá, e sua namorada, Regina Pouchain, também poeta, estavam radiantes na manhã deste dia 10/12. Uma terça-feira gorda.

Na plateia do Centro Cultural da UFMT algumas dezenas de seguidores do mestre. Sim, seguidores é a palavra ideal para demosntrar o carinho, mas um carinho também racional, que todos nós sentimos ao degustar as artes, o pensamento e a convivência com um artista iluminado, cuja luz é tão resplandecente, que não há como deixar de compartilhar. Usei o verbo “degustar”, na carona do mail que o pró-reitor e maestro, Fabrício Carvalho, enviou ao Tyrannus ontem: “Wlademir está aqui… o tyrannus não vai saboreá-lo?”.

A entrega de um título honoris Causa é sempre algo cerimonioso, a suceder-se dentro de ritos e a marcação cerrada dos responsáveis pelo cerimonial. Faz parte da coisa. Ainda está longe o dia em que as amarras desse paradigma serão estraçalhadas. Mas, não tem importância. E só um pequeno detalhe num contexto que precisa ser celebrado.

Em diferentes discursos os feitos e a genialidade de Dias-Pino foram abordados. Ele e Regina também escreveram uma breve fala, lida por Larissa Freire, filha de Silva Freire, poeta ausente, parceiro de poesias e literaturas de Wlademir. Momento singelo e bonito. Emocional.

Curti bastante os pronunciamentos espontâneos e sinceros de Cristina Campos e Marília Beatriz, amigas queridas e admiradoras de Wlademir. Cris mencionou uma frase poética de Wlademir, onde ele explica o conceito da logomarca que criou pra universidade: “Como quem sustenta um sim no ar”. No palco, ao lado da mesa onde estava o poeta, em nome dos artistas de Cuiabá, agradeceu ao mestre os aprendizados e lições repassadas, e outras ainda em via de repasse.

Marília Beatriz puxou pela memória para elencar episódios inusitados em que Wlademir se meteu por aqui. Aquelas coisas de quem é apaixonado e trabalha incansavelmente. Citou a vinda do tcheco Ivan Bystrina à UFMT, nos anos 80, quando a semiótica estava na crista da onda. e Wlad “plantou” dezenas de símbolos espalhados pela imensidão do campus, dando uma canseira ao Bystrina, que foi checar a demarcação semiótica que havia tomado conta da universidade. Marília trabalhou com Wlademir durante um tempo na UFMT e ocupava cargo superior ao dele. “Eu era a sua chefe, mas era você quem dava as ordens”, rememorou.

Foi lembrado, ainda, o ano em que Wlademir decidiu usar 360 dias para abrir exposições na universidade. Imaginem a doideira que foi colocar uma ideia mirabolante como essa em prática.

E foi assim que o artista, emocionado, recebeu a justa homanegam. Do Centro Cultural, onde foi efetuada a titulação, parte dos presentes foram para a reitoria onde ainda ouvimos o discurso wladimiriano por mais uma hora. Ele continua o mesmo, surpreendente, vanguardista… daqueles que se põe a conversar consigo mesmo para se aventurar nas criações. Zona de conforto é um local fora do seu padrão de vida! (as fotos, quase todas, são de Lidiane Barros)

Fabrício Carvalho e Wlademir em conversa descontraída
Aline Figueiredo batendo ponto
Marília Beatriz desenterrando fatos pitorescos de grande alcance cultural
Larissa Freire lendo o discurso do homenageado
Papo na reitoria

ABAIXO, imagem e chamada publicadas na capa na edição original deste texto

quando um grande artista retorna à cidade onde viveu tantos anos para receber uma justa homenagem da instituição que é o centro intelectual do pedaço, a gente tem mais é que ir conferir. E aplaudir. Se possível, aprender e apreender informações e conhecimentos. Não foi diferente com a vinda de Wlademir Dias-Pino a Cuiabá. Ele não pisava nesta terra desde 2006, quando aqui esteve participando da Literamérica, feira literária que também o homenageou…

E claro que todo mundo quer sair bem na foto, junto com o cara

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PARA SABER MAIS SOBRE VIDA E OBRA DE WLADEMIR DIAS PINO CLIQUE AQUI

http://www.enciclopediavisual.com/index.php

http://www.pgletras.uerj.br/palimpsesto/num5/dossie/05_Palimpsesto05_dossie02.pdf

http://www.fase10.com.br/#!wlademir-dias-pino/c3jb

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