Denunciar as injustiças no campo e na cidade, expondo a devastação do Cerrado, as violências contra as famílias de pequenos agricultores e a exclusão da maioria da população. Esses são os principais objetivos da 1ª Romaria dos Povos e Comunidades do Cerrado: Um grito dos excluídos na cidade e no campo em Mato Grosso. A celebração, organizada pela Comissão Pastoral da Terra – CPT e o Centro Burnier Fé e Justiça – CBFJ, abre a semana da cidadania nesta terça, 1º de setembro, em Cuiabá, e se estende até o feriado de 7 de setembro, aproveitando dois acontecimentos do mês: a manifestação do Grito dos Excluídos (7/9) e o Dia do Cerrado (11/9)

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Cuiabá sedia Romaria do Cerrado e Grito dos Excluídos para denunciar injustiças no campo e na cidade

Por Andrés Pasquis / Gias

Denunciar as injustiças no campo e na cidade, expondo a devastação do cerrado, as violências contra as famílias de pequenos agricultores e a exclusão da maioria da população. Esses são os principais objetivos da 1ª Romaria dos Povos e Comunidades do Cerrado: Um grito dos excluídos na cidade e no campo em Mato Grosso. A celebração, organizada pela Comissão Pastoral da Terra – CPT e o Centro Burnier Fé e Justiça – CBFJ, abre a semana da cidadania na próxima terça, 1º de setembro, em Cuiabá, e se estende até o dia 07, aproveitando dois acontecimentos do mês: a manifestação do Grito dos Excluídos (07/09) e o Dia do Cerrado (11/09).

“Desmatar o Cerrado é fechar a torneira d’água”, já dizia Mercedes Bustamante, bióloga especializada no cerrado há mais de 20 anos, durante uma entrevista concedida à CPT no mês de julho.

O Cerrado, segundo maior bioma brasileiro em extensão, desempenha um papel fundamental no processo de distribuição dos recursos hídricos do país e da América do Sul, já que faz transição com a Amazônia, a Caatinga, a Mata Atlântica e o Pantanal, unindo assim todos os biomas brasileiros e alimentando a maioria das grandes regiões hidrográficas do continente. No entanto, este bioma e os povos e comunidades que nele vivem, estão sendo atacados por um sistema que privilegia o agronegócio e grandes empreendimentos hidrelétricos, como pretende denunciar a Romaria.

Em Mato Grosso, por exemplo, 70% da água utilizada é destinada à monocultura e pecuária. Estima-se que os conflitos pelo acesso e utilização da água, entre a população e empresas responsáveis pelas usinas hidrelétricas e pelas hidrovias, estejam aumentando, envolvendo cerca de 6 mil famílias desde 2004.

Mas essas não são as únicas violências sofridas pelo povo do campo, já que entre 2000 e 2014, cerca de 20 mil famílias foram despejadas pelo poder judiciário do estado, muitas vezes com brutalidade policial ou de fazendeiros em disputas pela ocupação e posse de terras.

As denúncias a serem feitas durante a Romaria pretendem delatar um sistema simbolicamente, fisicamente e estruturalmente violento e preconceituoso. Um sistema que ameaça também a soberania alimentar, a saúde, a educação, a segurança, entre muitos outros direitos da população mato-grossense e brasileira.

Para reforçar essas mensagens, a Romaria dos Povos e Comunidades do Cerrado acata também o lema do Grito dos Excluídos de 2015: “Que país é este, que a mídia mente e nos consome?”. A intenção é expor a atuação de algumas mídias que defendem esse sistema opressor e excludente.

Nesse sentido, a celebração busca chamar a atenção juntando o povo do campo e da cidade, através de igrejas, movimentos sociais e outros parceiros, numa grande manifestação cultural para que todos os excluídos sejam ouvidos. O evento, que acontecerá a terça a partir das 14h, na praça Ulisses Guimarães (em frente ao Shopping Pantanal), contará com apresentações de Siriri do grupo “Coração Cuiabano”, batucada do grupo “Levante”, manifestações diversas do Movimento Rua, entre outras atrações. Os participantes terão também a possibilidade de conhecer diversos produtos do Cerrado, como cumbaru, ananás, cajuzinho-do-cerrado, além de legumes da agricultura agroecológica, sementes e mudas variadas

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