TCE - DEZEMBRO

DELEGADO FLÁVIO STRINGUETA:   Estou falando dos privilegiados do MP e dos magistrados porque, pasmem, eles estarão FORA da reforma da Previdência

 

Temer e os “privilegiados”

POR FLÁVIO STRINGUETA

 

Nosso governante máximo, Michel Temer, disse que a reforma da Previdência sairá e não atingirá os trabalhadores de baixa renda, mas os “privilegiados do serviço público”.

Percebi que ele estava falando de mim, pois meu salário beira os R$ 30.000,00. E serei eu que terei que arcar com essa conta.

Mas quero deixar minha mensagem aqui para os senhores governantes.

Este privilegiado paga rigorosamente seus impostos, pois vêm descontados em folha.

Este privilegiado não faz Caixa 2 para eleger políticos desonestos e, depois, ganhar licitações a preços superfaturados para recuperar o dinheiro investido e ainda dividir os “lucros” com os mesmos políticos desonestos.

Este privilegiado não ganha incentivos fiscais para poder financiar campanhas desses mesmos políticos desonestos.

Este privilegiado também não ganha auxílio-livros e auxílio-moradia, só recebe, e não é pouco, o seu salário.

Amigos, vocês sabem que membros do Ministério Público e do Judiciário têm dois meses de férias por ano? Que eles podem vender boa parte dessas férias para não precisarem se ausentar de suas funções?

Mas muitos tiram semanas inteiras de descanso (com colegas cobrindo suas ausências) para compensar a venda das férias, sem o “necessário e merecido” descanso extra.

Vocês sabem que esses mesmos promotores têm direito a auxílio-moradia de cerca de R$ 4.000,00 por mês, mesmo tendo residência própria, ou mais do que uma, e mesmo se for casado com outro promotor ou promotora de Justiça que também recebe o mesmo auxílio-moradia?

Vocês sabem que os promotores de Justiça ganham auxílio-livros de mais de R$ 14.000,00 por ano e não precisam comprovar que gastaram com isso, assim como não precisam demonstrar que gastaram o auxílio moradia com moradia?

Vocês sabem que esses auxílios não são tributáveis? E isso ocorre para poder disfarçar aumento salarial, já que os salários deles já batem no teto.

Vocês sabem que o duodécimo (valor pago pelo Executivo para a instituição se manter), até pouco tempo atrás (uns três anos, segundo sei), quando sobrava era rateado entre os membros do Ministério Público (só os promotores, claro), enquanto o ético seria devolver para a sociedade?

E não me espantaria se essa pouca vergonha ainda estiver acontecendo.

E sem falar nesses salários absurdos dos magistrados divulgados nesta semana, com evidência para o do juiz de Sinop (cerca de R$ 500.000,00).

Estou falando dos (não) privilegiados do Ministério Público e dos magistrados porque, pasmem amigos, eles estarão FORA da reforma da Previdência. E eu me tornei um privilegiado muito maior do que eles. Me tornei um câncer para a economia da sociedade. E eu nem sabia disso.

Sr. Michel Temer, eu nunca corri pelas ruas da cidade com malas de dinheiro. Nenhum amigo meu fez isso com o meu aval.

Eu não escondo dinheiro no exterior. A propósito, de exterior eu só conheci a tríplice fronteira Brasil/Argentina/Paraguai.

Eu não ganhei nenhum dinheiro com a Petrobrás, JBS, Odebrecht, Queiroz Galvão, OAS, Andrade Gutierrez, entre outras. Nem com compra de ações em bolsa (nem sei como fazer isso).

Sr. Michel Temer, o senhor não tem legitimidade democrática para fazer qualquer coisa por um país que não o elegeu. O seu mandato é tampão. Cumpra o seu período e vai procurar o caminhão de onde caiu.

O senhor sabe, e todos sabemos, que ainda está à frente do Governo por questões políticas, pois juridicamente já deveria estar nos tribunais.

Este “seu privilegiado” aqui não aceitará pagar a conta de suas falcatruas e de sua incompetência. E ainda ficar mantendo o privilégio dos verdadeiros privilegiados.

FLÁVIO STRINGUETA  é Delegado de Polícia Classe Especial, da Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso

1 Comentário

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  1. - Responder

    Em poucas palavras: DISSE TUDO… aliás, eugostaria de entender a matemática que o TJ/MT usou para chegar à estratosférica quantia de R$ 500.000,00, afinal, eu, como cidadão e contribuinte, também estou pagando aquele salário.

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