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Debate sofre jornalismo e agronegócio marcou Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária

Enock, Gibran e Vinícius na Jura 2019

Durante a II edição da Jornada Universitária em defesa da Reforma Agrária, a JURA, realizada pela Universidade Federal do Estado de Mato Grosso (UFMT) estudantes, professores, movimentos sociais e comunidade em geral reuniram-se para discutir de forma livre, democrática e harmoniosa o tema Reforma Agrária.

O tablado do evento reuniu agricultores, lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), quilombolas, feira de livros e artesanatos, mulheres em defesa da igualdade de gênero, segurança alimentar, impactos ambientais e sociais das hidrelétricas, agroecologia, racismo e saúde, direitos dos povos indígenas e a função social do jornalismo mato-grossense diante a expansão exponencial do agronegócio. Serão três dias de atividades. O início do evento foi no dia 27 e será finalizado no dia 29 de maio. Acesse aqui a programação completa.

A mesa composta pelos professores e jornalistas Enock Cavalcante, Gibran Luis Lachowski e Vinicius Souza abordou o tema “O Jornalismo de Mato Grosso e a expansão do agronegócio no estado”.  Alfredo Mota Menezes, da TV Centro América e o sociólogo Juacy Silva, convidados também para o encontro, não puderam comparecer.

O Mato Grosso firmou-se como potência econômica nacional na exportação através do agronegócio, contudo, irregularidades foram cometidas e a sociedade lesionada. Um caso não muito distante envolveu a extinta Cooperativa Agrícola de Lucas Rio Verde (Cooperlucas) que foi recordado pelo jornalista Enock, que também é blogueiro e editor da PAGINA DO E.

Durante o ano de 1999 parlamentares e funcionários do Banco do Brasil envolveram-se num esquema de estelionato qualificado, falsidade ideológica, direção fraudulenta de instituição financeira, gestão temerária e obtenção enganosa de financiamento. “O agronegócio é uma estrutura de poder que se montou em Mato Grosso a custo também de corrupção, conforme está documentado neste rumoroso processo da Justiça Federal. Como foi denunciado, na virada do século, alguns dos primeiros produtores que apareceram aqui se aproveitaram da sua força política para transformar o Banco do Brasil quase que numa extensão dos seus negócios”, comentou o Enock Cavalcanti.

Inserindo a comunicação, sobretudo o jornalismo enquanto função social e de comprometimento coletivo, o jornalista questiona: “Como é que a nossa imprensa tradicional de Mato Grosso se relaciona com esse poder? São todos eles [veículos tradicionais de comunicação e o agronegócio] estruturas que visam basicamente o enriquecimento, sem maiores preocupações sociais. Basta se observar a questão dos agrotóxicos”, afirma.

Como alternativa de comunicação anti-hegemônica que visa construir espaços de interação mútua entre comunicadores e movimentos sociais, o professor Gibran Lachowski acredita que não dá pra contar com a mídia comercial. “Nós precisamos unir esses vários movimentos e valorizar a diversidade, mas compreender que nós precisamos também construir esse campo da comunicação popular”, declara. Para Gibran, a JURA entra nesse contexto de disputa de hegemonia. “Nós estamos num espaço que é a universidade pública. Precisamos ocupar esses espaços e dar um sentido pra essa pauta da comunicação. Precisamos conversar e constituir esse polo de comunicação alternativa em Mato Grosso”, argumentou o professor da Unemat.

Vinicius Souza, em sua intervenção, através de pesquisa nos mais diferentes veículos de jornalismo mato-grossense presentes na internet, demonstrou o pequeno espaço que é ofertado à cobertura da agricultora familiar em face da grande produção do Agronegócio. O professor da UFMT, que também integra a rede de jornalismo alternativo denominada Jornalistas Livres insistiu na importância de repórteres que se esforcem para documentar a realidade e a dificuldades dos pequenos produtores e demais trabalhadores rurais em contraste com os favores que cercam as atividades dos chamados barões do Agronegócio em Mato Grosso.

Um modelo de comunicação implantado pelo MST e que propõe discussões através da arte é o teatro popular, que dialoga com as periferias das grandes cidades. O membro da coordenação nacional do MST e integrante do movimento desde 1985, Gilmar Mauro, falando na mesa principal do primeiro dia de debates, comentou: “A comunicação popular não convencional pode auxiliar no fortalecimento dos movimentos sociais. Por exemplo, em São Paulo, nós temos mais de 300 grupos de teatro popular. Acredito que essas novas formas de linguagens tendem a ser muito mais eficientes do que só as convencionais. Tem que se criar redes para furar essas bolhas através de novas formas de comunicação direta”.

 

Com informações da Agência Focagem, da Unemat

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