Cuba continuará socialista, diz dirigente a Bento 16

Antes de visita à ilha, papa pediu renovação e classificou ideologia marxista como ultrapassada       

Em meio a muita diplomacia e discursos ponderados, um alto dirigente do governo cubano subiu o tom em reação a críticas do papa Bento XVI, que visita a ilha caribenha nesta semana. Antes de chegar a Cuba, o papa afirmou que ora para que o país siga caminhos de “renovação e esperança” e disse que a ideologia marxista “não corresponde mais à realidade”.

O vice-presidente do Conselho de Ministros de Cuba, Marino Murilo rebateu as declarações de Bento XVI, que também havia defendido a construção de uma “sociedade aberta” no país. “Em Cuba não haverá reforma política”, disse o dirigente. “Estamos falando da atualização do modelo econômico cubano que faça com que nosso socialismo seja sustentável e que tem a ver com o bem-estar do nosso povo”.   Murilo supervisiona o programa de reformas econômicas colocadas em prática em Cuba desde que Raúl Castro assumiu a Presidência, em 2008. Ele disse que o governo cubano tem se espelhado nas experiências de outros países, como Rússia, China e Vietnã, para flexibilizar o modelo econômico centralizador inspirado na extinta União Soviética. “Estudamos o que está sendo feito em todo o mundo para atualizarmos o nosso modelo socialista com características bem cubanas, que se ajuste a nossas condições”, acrescentou.

 

Do Opera Mundi

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Papa encontra Fidel Castro e critica embargo dos EUA

 

 

HAVANA, 28 Mar (Reuters) – O papa Bento 16 encerrou sua visita a Cuba nesta quarta-feira com um encontro com o líder revolucionário Fidel Castro e condenou o embargo de 50 anos imposto pelos Estados Unidos à ilha comunista.   “Que ninguém se sinta impedido de somar-se a esta apaixonante tarefa (de criar uma sociedade reconciliada) pela limitação de suas liberdade fundamentais, nem eximido dela por uma falta de recursos materiais”, disse o papa.   “Situação que se vê agravada quando medida econômicas restritivas impostas de fora do país pesam negativamente sobre a população”, acrescentou o papa, que concluiu uma vista de três dias a Cuba na qual incentivou os cubanos a buscar a “liberdade autêntica” e pediu um maior peso para a Igreja Católica.   O líder de 1,2 bilhão de católicos em todo o mundo rezou uma missa na ampla Praça da Revolução para 300 mil pessoas, segundo o Vaticano. O local costumava ser palco de discursos inflamados de Fidel quando estava à frente do governo cubano, cargo que ocupou por quase 50 anos.   Cercado por grandes imagens dos “companheiros” de Fidel Ernesto “Che” Guevara e Camilo Cienfuegos, o papa leu um sermão que abordou os principais temas de sua viagem -que Cuba precisa construir uma sociedade mais aberta, menos controlada, com um papel maior para a Igreja Católica como anteparo contra trauma ou convulsão social.   Apesar de o Vaticano ter estimado em 300 mil o número de pessoas que acompanharam o ato, jornalistas da Reuters avaliaram que o número seria consideravelmente menor.   (Reportagem de Philip Pullella e Jeff Franks)

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