Crise com a Assembléia deve ser saudada com fogos pelo governador Silval. É uma chance soberba para ele se livrar da sombra sinistra de Geraldo Riva, cassado duas vezes por corrupção eleitoral e o político que mais envergonha Mato Grosso perante o Brasil.

Sempre que se fala em corrupção na política brasileira, Mato Grosso oferece às estatísticas nacionais um nome de destaque: é o deputado Geraldo Riva, réu, ao lado do atual conselheiro do TCE-MT, Humberto Bosaipo, e de mais 20 e tantas pessoas, em processos movidos pelo Ministério Público Estadual e que apontam o sumiço de quantia que, devidamente atualizada, superaria a exorbitante soma dos 500 milhões de reais. Não por acaso, este mesmo Geraldo Riva, em 2010, foi duas vezes cassado por corrupção eleitoral, ficando sem condição de concluir o mandato popular que ganhara em 2006, por decisão do Tribunal Regional Eleitoral – duas decisões de segunda instância que incluiram, definitivamente Geraldo Riva no cadastro dos "fichas sujas", ficando, portanto, no humilde entendimento deste blogueiro, sem condição de disputar futuras eleições, tão logo o STF e TSE concluam todos os procedimentos de validação da Lei da Ficha Limpa.

Pois é esse mesmo Geraldo Riva que aparece, atualmente, nos jornais amigos e vem sendo exaltado, em artigos de jornalistas amestrados, como a principal liderança a desafiar o poder político e administrativo do governador Silval Barbosa, no atual e conflitado momento da política mato-grossense.

Que Riva é um político que – seguindo o exemplo de Catilina, o folcórico senador romano alvo dos vitupérios do grande orador Cícero – gosta de blasonar a própria audácia todo mundo sabe. O que não se pode admitir é que o governador Silval Barbosa se curve e se deixe chantagear por um político desta estirpe, cujo nome aparece na maior, mais longa e mais vergonhosa "capivara" político-judicial do Estado de Mato Grosso.

Uma administração que se curva a chantagens de parlamentares não pode chegar muito longe. Por isso, é bom que Silval aproveite o atual momento de confronto, erga a sua cabeça e se imponha diante de Riva e diante da população de Mato Grosso. Para negociar greves, o governador Silval deve exigir uma atuação mais consistente do seu secretário chefe da Casa Civil, o senhor José Lacerda. Se Lacerda não dá conta do recado, que seja imediatamente substituido por alguém mais mais decidido, capaz de representar de forma mais condigna o Governo do Estado. Não vá o governador Silval permitir que Riva queira negociar em nome do governo. Tá na cara que Riva só comete estas suas ousadias porque a chefia da Casa Civil é fraca, e foi confiada por Silval Barbosa justamente a um homem que, antes de ir para a Casa Civil, atuava sob o comando de Geraldo Riva lá na Assembléia Legislativa.

Então, se existe confronto com o deputado mais processado de Mato Grosso, Silval precisa definir muito bem com quem conta e para que conta. Precisa ter uma equipe coesa capaz de dinamitar os argumentos deste deputado destemperado e afirmar as linhas de atuação de seu governo. Silval não pode permitir que Riva continue açulando determinadas categorias de servidores contra a sua administração, sob as benções de jornais e sites amigos e de jornalistas amestrados.

Lá em Brasília, no caso do ministro Nelson Jobim, a presidente Dilma Roussef já deu o exemplo: quem não atua de forma afinada com a equipe, tem que rodar, tem que ir pro olho da rua.

Chegou a hora, portanto, de Silval se livrar da sombra sinistra de Geraldo Riva, esse político que mais envergonha Mato Grosso diante do Brasil. Ou Silval reage e se impõe, agora, ou vai marcar a história de Mato Grosso com mais um governo chifrim. Para acabar com este história de que ele, Silval, é o quarto governador de Mato Grosso, mandando menos que Riva, Maggi e Éder Moraes, Silval precisa, agora, agir com extremada decisão. A sorte de seu governo está lançada – e, felizmente, ele dispõe dos instrumentos para se erguer, depois de um mal começo. Os escandalos do Maquinário e no DNIT já facilitaram que ele tire Maggi do seu caminho. Agora, com o surgimento do PSD, Riva abriu a brecha para deixar também de pesar sobre o governo de Silval.

 

Sim, basta Silval se livrar do Riva – e nos livrar do Riva – para que se inicie um novo tempo na administração e na política de Mato Grosso. Evidentemente que a coisa não é tão simples. A malha política que Riva domina no Estado é enorme. A cirurgia desse rompimento tem que ser muito competente. E aí é que está o grande desafio e a grande chance diante de Silval. Será ele o homem e o governador talhado para este importante momento de nossa História?

Vamos acompanhar – e ficar atentos.

Categorias:Jogo do Poder

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  1. - IP 201.49.164.241 - Responder

    Caro Enock, veja o comentário de Jean M. Van Den Haute, no Olhar Direto, em 04/08/2011 às 20:23 “UM POUCO DE MATEMÁTICA : BRT = R$ 450 M infra-estruturas + R$ 80 M veículos + 1,1B em desapropriações = R$ 1,630 B VLT = R$ 1,1 B, chave na mão – R$ 200 M liberação de 20% dos espaços viários, hoje ocupado pelo ônibus convencional (ver Plano Diretor de Cuiabá) = R$ 900 M, ou seja, o VLT é 730 M mais barato que o BRT. – Na exploração, nem falar sendo que o VLT consumo apenas 1/4 do necessário para ônibus. Isso comprovado, o VLT vai acaparar 20% do mercado monopolizado pelo transporte sobre pneus. É aí que se encontro o problema !!! – Jean M. Van Den Haute – SNDU, Sistema Nacional de Desenvolvimento Urbano”

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