CORRUPÇÃO E PEDOFILIA NA SANTA SÉ : O papa Bento 16, que reprimiu engajamento politico de padres e freiras, abandona o comando da Igreja em meio à uma crise marcada pelo sexo, pelo dinheiro, pela corrupção e pela manipulação da fé de milhões e milhões daqueles a quem Jesus chamou de “meus pequeninos”

Sexo e dinheiro sacodem coração da Igreja Católica

Dia após dia, a caixa de Pandora deixa escapar suas piores sombras. Os demônios que a cúria escondeu durante tantas décadas passeiam à noite como espectros ressuscitados pela Praça São Pedro de Roma: corrupção, sexo e dinheiro, uma trilogia explosiva que ninguém poderia imaginar instalada na cúpula da Santa Sé. A Igreja vive, sem dúvida, seu pior momento. A reportagem é de Eduardo Febbro, de Roma

Eduardo Febbro
AGENCIA CARTA MAIOR

Roma – Sexo e dinheiro sacodem o coração da cidade santa. Uma lista de grandes pecados espreita a cúria do Vaticano no momento em que o papa Bento XVI se prepara para renunciar ao seu pontificado. A corrupção dentro do Vaticano e os casos de pedofilia voltaram ao primeiro plano com as revelações feitas nas últimas horas pela imprensa italiana. Segundo o diário La Repubblica, que cita uma fonte vaticana, os detalhes mais recentes “giram em torno do sétimo mandamento”. Esse mandamento diz “não roubarás” e é interpretado como uma disciplina de retidão para a gestão na atividade econômica e na vida social e política. Também se refere à proteção do próximo. Mas o diário italiano vai muito mais longe em suas revelações e afirma que o papa decidiu renunciar após ter tomado conhecimento de que uma rede de padres homossexuais circulava no Vaticano.

Estas revelações fariam parte do informe que o papa encomendou a três cardeais no ano passado. Julián Herranz, Jozef Tomko e Salvatore De Giorgi entregaram em meados do ano passado parte do resultado da investigação realizada tanto sobre o vazamento de documentos roubados do papa como sobre a corrupção. La Repubblica publica em sua última edição uma informação escabrosa: o jornal afirma que, em outubro passado, o cardeal Julian Herranz, presidente do Pontifício Conselho da Santa Sé para os Textos Legislativos, evocou ante o papa a existência de uma “chantagem” exercida desde fora do Vaticano contra padres homossexuais.

O Vaticano negou estas informações. No entanto, este prestigiado jornal italiano fornece detalhes abundantes assegurando que o informe – dois volumes de 300 páginas cada – dava perfeitamente conta de uma “rede transversal dentro do Vaticano unida pela orientação sexual”, ou seja, a homossexualidade. O jornal escreve textualmente: “pela primeira vez a palavra homossexualidade foi pronunciado no Pontificado”. Além disso, revela que o informe da comissão de cardeais aponta para um grupo de prelados que sofreram pressões por parte de pessoas laicas externas ao Vaticano. A revelação coincide com o que Ratzinger disse dois dias depois da entrevista com os cardeais que lhe entregaram o informe. De forma improvisada, Bento XVI falou dos “maus peixes” que caem na rede da igreja.

La Repubblica assegura de maneira convicta que foi essa revelação que levou o papa a renunciar. A mesma publicação conta que a comissão de cardeais entrevistou dezenas de bispos, cardeais e laicos, obtendo um relato apavorante sobre o interior do Vaticano: grupos de poder em disputa, articulados segundo as distintas congregações religiosas ou a região do mundo a qual pertencem ou as suas preferências sexuais. A investigação dos cardeais adianta que altas autoridades da Igreja poderia estar sendo vítimas de “influências externas” por conta de “suas relações de natureza mundana”. O padre Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano, negou com veemência todas essas informações. Ele chamou essas revelações de “fantasiosas” e garantiu que muitas delas eram “simplesmente falsas”.

No entanto, quem conhece parte do que ocorre dentro da Santa Sé diz que a reportagem do La Repubblica contém dados exatos e verídicos. O jornal italiano indica que o informe em mãos do papa menciona um escândalo que remonta ao ano de 2010 e que tem como centro Angelo Balducci . Esse personagem era, na época, presidente do Conselho Nacional de Obras Públicas, no período em que Berlusconi estava no poder. Balducci era objeto de uma investigação judicial quando se descobriu que, para conseguir os serviços de jovens homossexuais, se relacionava com um nigeriano, Chinedu Thomas Ehiem, do coral da capela Júlia da Basílica de São Pedro.

A existência de um lobby gay dentro da Santa Sé provocou um alvoroço gigantesco no país, aumentando a tormenta que, a medida que se aproxima a data da renúncia do papa – 28 de fevereiro – se forma sobre o conclave que deve designar o sucessor de Bento XVI. A polêmica se estabelece agora sobre uma disjuntiva muito polêmica em torno da presença ou não no conclave dos cardeais que esconderam os padres pederastas e até os protegeram. É o caso do cardel Roger Mahony, responsável pela diocese de Los Angeles e acusado de encobrir ao longo de um quarto de século 129 sacerdotes implicados em abusos de menores. Os outros cardeais comprometidos com a mesma sujeira são o cardeal primaz da Irlanda, Sean Brady, e o cardeal belga Godfried Danneels. Estes personagens são os maiores implicados na proteção que deram aos pederastas apesar de seus atos criminosos. A lista, porém, é muito mais ampla. Nela entram o norteamericano Justin Francis Rigali, o australiano George Pell, o mexicano Norberto Rivera Carrera, o polaco Stanislaw Dziwisz e o argentino Leonardo Sandri.

Dia após dia, a caixa de Pandora deixa escapar suas piores sombras. Os demônios que a cúria escondeu durante tantas décadas passeiam à noite como espectros ressuscitados pela Praça São Pedro de Roma: corrupção, sexo e dinheiro, uma trilogia explosiva que ninguém poderia imaginar instalada na cúpula da Santa Sé. A Igreja vive, sem dúvida, seu pior momento. As guerras entre a cúria, a disputa por dinheiro e poder, a pederastia tardiamente reconhecida e sancionada deixaram órfãos de autoridade moral e terrena a milhões e milhões de fiéis em todo o mundo. Em sua profunda fé eles são, também, vítimas da explosão da Igreja Católica.

Tradução: Katarina Peixoto

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Renúncia de Bento 16 foi motivada por “lobby gay”

Jornal italiano publicou matéria investigativa que causou polêmica na Itália

por Jarbas Aragão
GOSPEL PRIME

O jornal italiano La Repubblica publicou nesta quinta (21) uma matéria investigativa com o título de “Não fornicarás, nem roubarás, os mandamentos violados no informe que sacudiram o Papa”. Quase que imediatamente, o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, classificou a reportagem de “Fantasias, invenções, opiniões”.

Embora não revele suas fontes, é quase uma repetição do que a revista Panorama publicou recentemente, mostrando que existe uma espécie de dossiê de 300 páginas, mostrando a existência de um “lobby gay” dentro do Vaticano. Quando era apenas o Cardeal Ratzinger, ele ficou encarregado da investigação dos casos de abusos de crianças, mas nenhuma ação concreta foi tomada.

Bento 16 o recebeu em dezembro após tê-lo encomendado a três cardeais (o espanhol Julián Herranz, o eslovaco Jozef Tomko e o italiano Salvatore De Giorgi). Em suma seria a revelação de um sistema de “chantagens” internas baseado em fraquezas sexuais e ambições pessoais de alguns cardeais.

Esse documento pode ser determinante para a escolha do novo papa e a decisão de Ratzinger foi por entender que um sucessor mais jovem, forte e enérgico conseguiria “fazer a limpeza” que a Igreja Católica necessitaria.

Os jornalistas apontam que o cardeal Herranz, membro do Opus Dei, se encarregou de relatar os “assuntos mais escabrosos”, em especial a “rede transversal unida pela orientação sexual”. O La Repubblica chegou a afirmar que “Pela primeira vez a palavra homossexualidade foi pronunciada no gabinete papal”. Além disso, revelou que existem vários grupos de pressão dentro do Vaticano. Um deles advogaria a homossexualidade, outro seria especialista em montar e desmontar carreiras dentro do Vaticano e um terceiro se aproveitaria dos recursos multimilionários da Igreja para seus próprios interesses através do Banco do Vaticano.

A julgar pelo que aconteceu após o aviso de renúncia do papa, essas graves acusações parecem ter fundamento. Bento 16 trocou o diretor do banco do Vaticano, um cardeal americano que poderia sucedê-lo foi retirado do cargo por ter protegido bispos pedófilos e o sermão de despedida do papa mencionou a necessidade da Igreja se livrar do “jogo de interesses pessoais”.  Cada vez mais parece claro que a saúde da Igreja e não a saúde pessoal foi o motivador da renúncia.

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‘La Repubblica’ associa resignação papal a “relatório demolidor”

Pedro Duarte  
ECONOMICO

O diário italiano ‘La Repubblica’ noticia que na base da renúncia de Bento XVI estará um relatório sobre a corrupção na Igreja.

No passado dia 17 de Dezembro, Bento XVI terá recebido um “relatório demolidor” de 300 páginas, elaborado por três dos mais experientes cardeais do Vaticano, relativamente à investigação sobre os documentos roubados da residência do Sumo Pontífice, adianta a edição de hoje do ‘La Repubblica’.

Segundo o jornal, o documento diria que poderão ser revelados muitos escândalos sobre as lutas de poder dentro da Cúria romana, desvios de dinheiro e a verdadeira força do poder do ‘lobby gay’ na Igreja, informações que seriam tão “demolidoras” que convenceram o Papa a decidir que o melhor caminho a seguir seria o de deixar o cargo, de modo a permitir que um Pontífice mais novo e enérgico tome o poder no Vaticano e leve a cabo uma “limpeza profunda” da Igreja.

“Tudo gira em torno da observação do sexto e sétimo mandamentos: não cometerás actos impuros e não roubarás”, disse ao periódico uma fonte “muito próxima” dos autores do relatório.

O ‘La Repubblica’ recorda um escândalo que estalou em 2010, quando foi descoberto que um membro do coro da Capela Musical da Basílica Papal de São Pedro no Vaticano, o nigeriano Chinedu Eheim, oferecia serviços sexuais com menores, incluindo seminaristas, e que estes tinham lugar tanto em Roma como dentro das paredes do próprio Vaticano.

“Existe uma rede transversal unida pela orientação sexual. Pela primeira vez, a palavra ‘homossexualidade’ foi pronunciada e lida em voz alta a partir de um texto no apartamento de Ratzinger. E pela primeira vez foi falado, embora em Latim, sobre a palavra ‘chantagem’ (‘Influentiam’)”, lê-se no texto do jornal, que cita as revelações que os cardeais teriam feito ao Papa durante a apresentação secreta das suas conclusões finais.

Como consequência, prossegue o ‘La Repubblica’, Bento XVI decidiu demitir-se, afirmando que “este relatório deve ser entregue ao próximo Papa, que deverá ser bastante forte, jovem e santo para poder enfrentar o trabalho que o espera”.

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Cardeal britânico diz que padres deveriam casar e ter filhos

  • ‘Regra não é de origem divina’, afirmou cardeal Keith O’Brien à BBC.
    Ele é o mais importante na hierarquia da Igreja Católica britânica.

    Do G1, com agências internacionais*

    Os padres católicos devem poder casar e ter filhos, afirmou na sexta-feira (22) o cardeal Keith O’Brien, o mais importante na hierarquia da Igreja Católica britânica, em entrevista à BBC.

    A regra da Igreja que impõe o celibato dos sacerdotes “não é de origem divina” e deve ser modificada, disse o monsenhor O’Brien, 74 anos, que deve participar no conclave que escolherá o sucessor do Papa Bento XVI. “Jesus não disse nada sobre o celibato do clero e o eventual casamento dos sacerdotes”, insistiu O’Brien.

    O cardeal britânico disse ainda que não sabe em quem votará para suceder Bento XVI, que em 28 de fevereiro deixará a função de Papa, mas destacou que deve ser alguém mais jovem e, talvez, procedente de um país em desenvolvimento.

    Lobby gay
    Na manhã deste sábado (23), o porta-voz do Vaticano rebateu “a desinformação e, inclusive, as calúnias”, sobre possíveis intrigas na cúpula da Santa Sé e a existência do “lobby gay” publicadas na imprensa.

    “Há quem tenta aproveitar o movimento de surpresa e desorientação, após o anúncio de que o Papa Bento XVI abandonará seu cargo, para semear a confusão e desprestigiar a Igreja”, declarou Federico Lombardi, em uma entrevista a Rádio Vaticano.

    “Aqueles que apenas pensam em dinheiro, sexo e poder, e estão acostumados a ver as diversas realidades com estes critérios, não são capazes de ver outra coisa, nem sequer na Igreja, porque seu olhar não sabe dirigir-se para cima ou descer com profundidade nas motivações espirituais da existência”, completou.

    Porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, rebateu acusações (Foto: Tiziana Fabi/AFP)Porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, rebateu acusações (Foto: Tiziana Fabi/AFP)

    Uma série de revelações sobre uma trama de corrupção, sexo e tráfico de influências no Vaticano, publicadas esta semana pela imprensa italiana, ofusca o conclave para a eleição de um novo Papa.

    As denúncias, publicadas pelo jornal La Repubblica e a revista Panorama, afirmam que o Papa decidiu abandonar o cargo depois de receber um relatório secreto de 300 páginas, elaborado por três cardeais veteranos e considerados inatacáveis.

    No documento são descritas as lutas internas pelo poder e o dinheiro, assim como o sistema de “chantagens” internas baseadas nas fraquezas sexuais, o chamado “lobby gay” do Vaticano.

    Bento XVI recebeu neste sábado (23) o presidente da Itália, Giorgio Napolitani (Foto: L'Osservatore Romano/AFP)Bento XVI recebeu neste sábado (23) o presidente da Itália, Giorgio Napolitani (Foto: L’Osservatore Romano/AFP)

    Renúncia
    Bento XVI surpreendeu a Igreja e o mundo ao anunciar, em 11 de fevereiro, que iria deixar o cargo no fim do mês, por conta de sua saúde frágil.

    Ele se retirou com a Cúria para “exercícios espirituais” da Quaresma: um “oásis” para ele, depois dos dias tumultuados seguidos ao anúncio de sua renúncia, explicou Ravasi, que dirige estas meditações.

    Na capela “Redemptoris Mater”, 17 sessões de reflexões do cardeal italiano Gianfranco Ravasi ocuparam este tempo dedicado tradicionalmente à oração e exame de consciência neste período de preparação para a Páscoa, em 31 de março.

    Conclave
    Na última quarta-feira (20), o Vaticano informou que as regras atuais do Conclave — encontro em que os cardeais, secretamente, escolhem o novo Papa — passarão por modificações. Com isso, a escolha do sucessor de Bento XVI poderá ser antecipada. A reunião de cardeais, estava prevista inicialmente para depois de 15 de março.

    O Conclave, segundo a atual Constituição Apostólica, deve começar “entre um mínimo de 15 dias e um máximo de 20” desde que se decrete a chamada “Sé Vacante”, fixada para o próximo 28 de fevereiro às 20h (16h de Brasília), o momento que Bento XVI escolheu para abandonar o Trono de Pedro.

    Cardeais de todo o mundo já começaram consultas informais por telefone e e-mail para a construção de um perfil do homem que eles acham que seria mais adequado para liderar a Igreja em um período de crise contínua.

    Cerca de 117 cardeais com menos de 80 anos de idade terão o direito de entrar no conclave, que é realizado na Capela Sistina, no Vaticano.

    *Com informações da France Presse

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