“Concordata” do grupo Arantes já está em São José do Rio Preto. Empresa pretende continuar brigando para que caso volte à Justiça de MT

Os cerca de 60 volumes que compõem o processo de recuperação judicial (antiga concordata) do grupo Arantes Alimentos, proprietário do frigorífico Sertanejo Alimentos, chegaram nesta segunda-feira ao Fórum de Rio Preto – informa o Diário da Região, jornal de grande circulação naquela cidade paulista. Os autos foram recebidos pelo Cartório Distribuidor e encaminhados à 8ª Vara Cível. O processo será analisado pelo juiz Paulo Roberto Zaidan Maluf. O juiz examinará o material e deve dar o primeiro despacho sobre o processo até o fim dessa semana. O processo de recuperação judicial do Arantes Alimentos transformou-se numa guerra jurídica sobre em que cidade o caso deve tramitar, Rio Preto ou Nova Monte Verde (MT), onde até então era julgado pelo juiz Roger Augusto Bim Donega. Ele entendeu que a Justiça mato-grossense era incompetente para julgar o caso e que o foro ideal para seu julgamento é Rio Preto, para onde o processo deveria ser encaminhado, já que é o município onde fica localizada a sede do grupo Arantes. A distância e a dificuldade de acesso de credores até Nova Monte Verde também foram apontadas como fatores para transferir o trêmite do caso.

Em nota oficial divulgada na sexta-feira, o Arantes Alimentos informou que pretende recorrer à Justiça de Mato Grosso para tentar reverter a decisão de Donega e levar o caso para o Mato-Grosso novamente. Em Nova Monte Verde, cidade a 960 quilômetros de Cuiabá (MT), funciona um dos frigoríficos do grupo. O Arantes Alimentos entrou com pedido de recuperação no dia 9 de janeiro por acumular dívidas de R$ 1 bilhão, segundo a própria empresa, sendo que R$ 250 milhões são com derivativos. O pedido foi motivado pelas dificuldades geradas pela crise financeira mundial, que reduziu a demanda e o valor dos produtos comercializados pelo Arantes e também diminuiu o crédito. Em sua nota oficial, os empresários do Grupo Arantes avaliam que "a queixa de algumas instituições financeiras a cerca da "distancia" do foro competente para o processamento da Recuperação Judicial revela uma perspetiva bastante equivocada a respeito de um país de dimensões continentais como o Brasil, com uma visão que parece não entender que as riquezas produzidas neste País não são exclusivamente geradas nos grandes centros financeiros.Os grandes conglomerados financeiros, a maioria deles inclusive com filiais em Mato Grosso, tem mais condições de se deslocar até aquela região, ou mesmo de contratar advogados do local, não justificando que se transfira aos pecuaristas daquela região, com muito menos condições economicas, o trabalho de se deslocarem até o Estado de Sâo Paulo."

O grupo possui dez empresas, capacidade instalada de abate de 5,5 mil cabeças de gado e 253 mil aves por dia, com produção de milhares de quilos de embutidos diariamente. São gerados mais de 5 mil empregos diretos e outros 8 mil indiretos. O faturamento no ano passado foi R$ 1,6 bilhão. O Arantes Alimentos comprou o Sertanejo Alimentos, em Guapiaçu, em julho do ano passado em um negócio que movimentou R$ 94,8 milhões. A crise pela qual passa o grupo também afetou o Sertanejo. Foram demitidos cerca de 300 funcionários desde janeiro e os pagamentos dos acertos estão sendo feitos escalonadamente. No Guapiassuínos, fábrica de embutidos, a produção chegou a ser interrompida durante quase uma semana por falta de matéria-prima e insumos para fazer salsichas, mortadelas e linguiças, entre outros itens.

Da Redação, com informações do Diário da Região, de SJ do Rio Preto

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2 Comentários

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  1. - IP - Responder

    Gostaria de saber como está o andamento desta recuperação Judicial pois o Arantes demitiu cerca de 300 funcionários em Janeiro de 2009 aqui me BH e até os dias de hoje não nos foi dado a satisfação de quando e como iremos receber o que é de direito nosso.. grato..

    • - IP 189.4.151.171 - Responder

      entrei na justiça em 2009 contra a arantes e ganhei a causa em junho de 2011 só que não recebi até hoje e gostaria de saber como anda e se isso é legal estando em concordata e mesmo o juiz dando causa ganha eles não me pagaram…revolta.

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