Comício da Central do Brasil, comandado pelo presidente João Goulart, em 1964, antes do golpe militar, completa 50 anos. No discurso, Jango apresentou sua proposta de reformas de base que previa as reformas bancária, fiscal, urbana, administrativa, agrária e universitária. Propunha também direito de voto para marinheiros e sargentos e controle das remessas das multinacionais para o exterior. LEIA O DISCURSO DE JANGO E DE BRIZOLA. Veja pronunciamentos de Marcelo Freixo, Pedro Simon e Roberto Requião sobre a data

Discursos do presidente João Goulart (entre eles, o discurso na Central do Brasil) by Enock Cavalcanti

Discurso de Brizola No Comicio Da Central do Brasil by Enock Cavalcanti

O tom reformista do discurso na Central do Brasi, apressou a articulação dos militares, que acabaram por derrubar o presidente João Goulart e impõe um regime de terror ao Brasil, entre 1964 a 1985

O tom reformista do discurso na Central do Brasi, apressou a articulação dos militares, que acabaram por derrubar o presidente João Goulart e impõe um regime de terror ao Brasil, entre 1964 a 1985

Manifestação lembra os 50 anos do histórico comício da Central do Brasil

Vladimir Platonow – Repórter da Agência Brasil Edição: Stênio Ribeiro

Exatos 50 anos depois do comício da Central do Brasil, feito pelo ex-presidente João Goulart (Jango), no dia 13 de março de 1964, duas semanas antes do golpe militar que colocaria o país sob uma ditadura de 21 anos, militantes de partidos de esquerda, sindicatos e organizações estudantis fizeram manifestação hoje para lembrar a data em que Jango anunciou as reformas de base que enviaria, em seguida, ao Congresso. Reformas que previam mudanças profundas no país, a começar pela reforma agrária, com desapropriação de latifúndios com mais de 500 hectares, e a encampação de refinarias de petróleo privadas.

Entre os participantes, o filho de Jango, João Vicente Goulart, que na época tinha 7 anos de idade. “Nós encontramos o Brasil nas mesmas condições, 50 anos depois, precisando reformar o Estado para que possamos avançar nas áreas social, econômica e política. É uma satisfação estar aqui com os sindicatos, partidos políticos e organizações estudantis. Tenho esperança de que, após 50 anos, as novas gerações possam, inspiradas nas raízes de nossa história, avançar e modificar o modelo social, econômico e político do país”, disse ele.

Presente à manifestação, o advogado Marcelo Cerqueira lembrou que também esteve no comício da Central do Brasil, ao lado de Jango, quando era vice-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE). “O Brasil perdeu uma oportunidade enorme, que era fazer as reformas de Jango. Depois, o golpe militar, com apoio americano e da direita brasileira, levou à retirada de Jango, um grande brasileiro, que se sacrificou pelo país. Perdemos a chance de sermos desenvolvidos. Perdemos 21 anos”, disse Cerqueira, que atualmente faz parte da Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro.

O líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, também participou da manifestação, que foi antecedida por um seminário, na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), intitulado 50 Anos do Comício da Central: o Brasil Que Perdemos com o Golpe Militar.

Stédile disse que “o Brasil perdeu várias oportunidades históricas de fazer uma reforma agrária verdadeira. O período em que chegamos mais próximo dessa possibilidade foi no governo João Goulart, quando assessorado por Celso Furtado, apresentou uma proposta fantástica, que teria mudado o Brasil, que era desapropriar todas as propriedades acima de 500 hectares, ao longo de 10 quilômetros de cada lado das rodovias federais, das ferrovias, dos lagos e açudes. Isso teria desenvolvido o país, criado um enorme mercado interno e nos tirado da crise. O Brasil seria hoje uma grande potência”.

As reformas de base de Jango previam as reformas bancária, fiscal, urbana, administrativa, agrária e universitária. Sustentava também a necessidade de estender o direito de voto aos analfabetos e às patentes subalternas das Forças Armadas, como marinheiros e sargentos. Previa, ainda, intervenção mais ampla do Estado na vida econômica do país e maior controle dos investimentos estrangeiros, mediante regulamentação das remessas para o exterior pelas multinacionais. Os partidos de direita e setores conservadores da sociedade argumentaram que Jango queria implantar o comunismo no país, e o depuseram no dia 1º de abril de 1964.

 

Naquela noite, o principal discurso foi o do presidente João Goulart. Foi o último grande ato público dele, antes de ser derrubado pelo golpe militar

1 Comentário

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  1. - IP 189.59.62.237 - Responder

    Comício populista ,feito na hora errada e no local errado, para agradar os sindicatos e seus pelegos, de maneira irresponsável e inconsequente ,irritou a direita, e jogou o país nas maõs dos militares, que estavam loucos para um pretexto.Jango foi o culpado indiretamente pela implantação da ditadura no Brasil.A função dos presidentes é se portarem como bombeiros e não como incendiários.Assim pensam os estadistas e não os populistas!

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