Com o dólar subindo, como ficamos? Confira as reflexões do economista cuiabaníssimo RENATO GORSKI sobre a tempestade cambial

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Renato Gorski

O dólar é como uma mercadoria sob efeito de mercado, conforme a sua oferta e sua demanda, ele reage com baixa ou alta.
Tem sido propalado que os indícios de recuperação da economia americana, o governo americano deixaria de recomprar os títulos da dívida pública americana no montante de US$ 85 bilhões mensais. Em todos os meses anteriores o banco central americano FED estava re-comprando os papeis e automaticamente injetando dinheiro na economia americana e para os investidores.

O atual presidente do Fed Bem Barnanke é um especialista sobre a depressão de 1929, e um adepto da expansão monetária (emissão de dinheiro) para combater a crise. Talvez isso justifique a recompra nos meses anteriores de US$ 85 bilhões mensais, operação conhecida como “quantitative easing”, de papéis da dívida pública americana. Esse excesso de emissão de dólares começa a ter um efeito negativo nos países emergentes.
A partir do acordo de Breton Woods, o dólar tornou-se uma referência mundial, como padrão de trocas e de reservas, a partir daí os EUA sempre levaram vantagem por essa posição privilegiada. John M. Keynes vendo que isso poderia ter acontecido se retirou da conferência de Breton Woods, pois ele sabia que isso poderia acontecer.

O fato é que os países desenvolvidos entraram em uma crise sem precedentes em 2008, enquanto os países emergentes não tinham sido muito abalados. Nos EUA a bolha imobiliária e a crise nos bancos; na Europa vieram a tona os Déficits públicos, recessão, desemprego em uma sociedade consumista. Os elevados déficits prenunciaram gastos acima da arrecadação, que exigem ajustes. Especialistas americanos e brasileiros hoje já suspeitam que o Brasil possa tem uma bolha imobiliária pela supervalorização dos imóveis nos últimos cinco anos.

Assim como a ciência médica não consegue explicar e corrigir todos os problemas de saúde a ciência econômica as vezes também tem essa impotência em conseguir diagnosticar tudo. Por que alguns agentes financeiros escondem a realidade; balanços fraudulentos em bancos e grandes companhias podem esconder por algum tempo as dificuldades de caixa, endividamento e falência. Assim como a crise imobiliária americana e a crise dos bancos, algumas entidades esconderam a verdade, o que ocasionou a surpresa ao mercado.

Conforme Rogério Wassermann da BBC o aumento da oferta monetária nos Estados Unidos e a manutenção dos juros americanos próximos a zero levaram desde então a uma sobrevalorização das moedas de países emergentes, como o real, que ficou mais forte perante o dólar. Agora, com a perspectiva do fim do programa de estímulo americano, vem acontecendo um movimento no sentido contrário, com a depreciação dessas moedas. Desde o início do ano, o real já se desvalorizou mais de 15%, e a economia nacional acumula indicadores negativos. O crescimento do PIB esperado para este ano, de 2,3%, é muito inferior aos mais de 7% verificados em 2010, no auge do otimismo econômico com o país e do triunfalismo dos emergentes, conforme Wassermann.

Em agosto o Brasil registrou uma saída de quase US$ 6 bilhões, enquanto o governo alega que não é fuga de capitais, que seria a corrida de bancos para liquidar operações externas, sabemos que não tem apenas liquidação de operações e real fuga de capitais.

Na realidade o que aconteceu é que o governo americano injetou bilhões de dólares na economia americana para estimular o aquecimento, isso estava contribuindo para que o dólar se desvalorizasse, com o anúncio do governo americano de suspender as recompras de papéis públicos “conseguiram um efeito inverso” onde o dólar se valorizou e as economias emergentes começaram a sofrer com a fuga de capitais o que levou as moedas locais a se desvalorizarem as moedas da Índia, Indonésia e Tailândia caíram em comparação com o dólar, atingindo o menor patamar desde 2009. Com exceção da China, as bolsas de valores asiáticas perderam em poucas semanas quase todos os ganhos do ano. O Brasil iniciou um sistema de leilões do dólar que não conseguiu barrar a alta da moeda.

Os países emergentes acusaram o EUA de uma guerra cambial nos últimos dois anos, os efeitos dela se manifestaram agora. Os efeitos do dólar em alta significam alta nos preços dos produtos duráveis, eletrodomésticos, insumos para agricultura, queda nas viagens externas. Um relativa vantagem para quem vende para o exterior.

O tsunami financeiro mostra os efeitos colaterais de uma economia globalizada, e os ajustes internos dos países e das empresas podem diminuir os seus impactos, mas mensurar corretamente todos os efeitos, fica impossível, por que sempre aparece alguma variável não identificada para compor o cenário, o que em geral pega todo mundo de surpresa. E o remédio é esperar acalmar a tempestade cambial.

Renato Gorski – Economista, especialista em gestão tributária. Presidente da APROCECON BRASIL.
Rgorski17@hotmail.com

1 Comentário

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  1. - IP 189.11.231.40 - Responder

    Parabéns Renato.Foi no fundo do pepino que nos assombra.

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