gonçalves cordeiro

CIENTISTA POLÍTICO WANDERLEY GUILHERME DOS SANTOS: Barroso e Fux votaram contra Lula, não a favor da lei

Wanderlei Guilherme dos Santos

Barroso rasga a lógica aristotélica – e a Constituição

POR WANDERLEY GUILHERME DOS SANTOS

 

Quanto ao Barroso: ele estava julgando um pedido de habeas corpus contra uma sentença condenatória de uma suposta propriedade de um apartamento, da qual não há prova documental alguma.

A propósito disso, Barroso discorreu sobre a impunidade da justiça brasileira que prende​ menino com trouxinha de maconha, mas deixa livre bandidões, comprovadamente ladrões de milhões de reais dos recursos públicos.

Os exemplos são maliciosos, em um caso, e, totalmente imperitos, em outro.

Em primeiro lugar, a menção à impunidade de ladrões de alta linhagem insinua semelhança com o suposto crime cometido pelo acusado: haver recebido um apartamento como propina – matéria não provada.

Coisa de chicaneiro, violador da lógica aristotélica, que impede analogias desproporcionais. As analogias significam precisamente isso: relações entre coisas ou seres, revelando idêntica razão nas comparações. Razão, não no sentido de motivo, mas de razão aritmética: 12 está para 6 assim como 4 está para 2 – na comparação, em ambos o primeiro número expressa o dobro do segundo – eis a “razão” da analogia legítima. Evocar identidade de razão entre os milhões roubados à Petrobrás, por exemplo, e o suposto apartamento apropriado por Lula, não é somente hiperbólico, é ofensa à lógica.

A imperícia, por negligência, ocorre quando os ladrões à solta, ainda gozando “restos” de riqueza de milhões de dólares, não de reais, mencionados abstratamente pelo ministro Barroso, refere-se à quadrilha: Paulo Roberto Costa, Pedro Barusco, Jorge Zelada, Nestor Cerveró e o reincidente doleiro Youssef, ​que ​foram postos em liberdade por Sergio Moro, fruto de acordo mercantil entre ele, os procuradores e a quadrilha que assaltou, sistematicamente e de longa data, a Petrobrás.

Os ladrões, ricaços, “compraram” uma tornozeleira por preço de chantagista e, não se esqueça, com prescrição prevista para prazos muitos mais curtos do que os que a morosidade da mesma justiça de Moro e Barroso beneficia pés de chinelo ou de pantufas, tanto faz.

Finalmente, a declaração impoluta de que a lei deveria ser aplicada não importa a quem, outra vez maliciosamente insinuando que votos contrários ao dele não estariam aplicando a lei, mas beneficiando uma persona pública relevante, Lula, por ele nominalmente citado​.

Barroso​ maquiou o seu próprio voto, este sim, como o de Fux, declaradamente, personalizado: Barroso e Fux votaram contra Lula, não a favor da lei.

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Wanderley Guilherme dos Santos é cientista político, autor de vários livros na área. Seus artigos são publicados originalmente no seu blogue Segunda Opinião


Ação Declaratória de Constitucionalidade Kakay, Claudio Pereira de Souza Neto e Ademar Borges perante STF by Enock Cavalcanti on Scribd

Ordem de Prisão de Sergio Moro Contra o Presidente Lula by Enock Cavalcanti on Scribd

1 Comentário

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  1. - Responder

    Ignorante e cretino.Elite não gosta da cana,e fica maluca!

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