Ceará e Vilson Nery: “Por que sancionar só o Éder?”

Vilson Nery e Ceará são coordenadores do MCCE em Mato Grosso

Por que só o Éder?

Por Antonio Cavalcante Filho e Vilson Nery*

Parece que a injustificada demora do Tribunal Regional Eleitoral em dar a solução final e julgar em definitivo os casos relativos às eleições passadas (2010) vai ser decisiva na “quebra” financeira do nosso Estado. Tudo porque o uso da máquina pública naquela ocasião (eleições) tem como resultado atual a necessidade do pagamento dos favores políticos (com loteamento de cargos, p. ex.) e disso decorre a má gestão, o excesso de gastos e a falta de rumo da gestão, que condena as futuras gerações.

Está aí, para quem quiser ver!

Porém a lerdeza no trato com os malfeitos desaparece quando a Justiça Eleitoral se debruça nos gastos eleitorais e aprova algumas prestações de contas de campanhas que se valeram dos descarados cheques “guarda chuva”. Tal distinção, tratando iguais de forma desigual (uns merecem aprovação e outros reprovação), se traduz em grave insegurança jurídica e legaliza o “caixa dois”, também conhecido por “recurso não declarado”.

Pois bem…

A teor das recentes decisões emanadas desde o palácio do governo de Mato Grosso, a culpa pelo fracasso das obras da Copa 2014, a quebra das finanças públicas, o alastramento desenfreado da corrupção, mancheteado nacionalmente tem somente um culpado.

Ledo engano.

Teve muito mais gente graúda a banhar-se (desnudas) na caudalosa Cachoeira do Carlinhos!

Na gestão dos negócios da Copa 2014 em Cuiabá, e isso quem disse foram os próprios Carlinhos Cachoeira e Demóstenes, flagrados tagarelando em grampo telefônico, o crime fincou pé e não sai de jeito nenhum. Há favorecimento em licitações e contratação de agência de publicidade. Até mesmo uma secretaria estadual foi criada para atender aos interesses daquele ministro do tribunal supremo que tem capangas e fazendas de gado em Mato Grosso.

Lá em Brasília, o “dono dos capangas” indicou a filha para o bunker do crime, quer dizer, para o gabinete do Demóstenes, no senado.

Em nossas terras, Cachoeira conseguiu da assembleia legislativa, logo após a eleição de 2010, uma “leizinha” sob medida para instalar legalmente a suja jogatina (restaurando o Império Arcanjo entre os tapuias), celebrou contratos com sócios locais e conseguiu por meio da Construtora Delta montar uma extensa e “bem frequentada” folha de pagamento. A CPI do Cachoeira, a se instalar no Congresso, lançará as devidas luzes sobre fatos e pessoas!

Os recursos financeiros do escândalo dos maquinários, o desvio da conta única e o meio bilhão roubado por meio das cartas de crédito, tudo isso, é obra coletiva. O “aparecido” não fez sozinho. Não se pode punir apenas um dos malfeitores. É óbvio que há acordos políticos, que dívidas são pagas e quem sofre a sangria é o erário. Danem-se as próximas três gerações de mato-grossenses que já nascerão com uma dívida monstruosa, é o que dizem os autores das malfeitorias.

Resta dizer que o atual boom imobiliário no Vale do Rio Cuiabá revela que outro influente frequentador das reuniões de secretários do governador mantém sociedade com o “empresário” Cachoeira, e por certo ali a empreiteira Delta e alguns financiamentos federais serão identificados a tempo.

E tem aquele parlamentar federal que fez “reflorestamento capilar” com o uso de recursos públicos da União e que precisa justificar para o povão a origem de sua fortuna e a sua participação nas estripulias.

A aquisição dos veículos “land rovers” pela bagatela de milhão e meio cada unidade, dez vezes o valor unitário previsto na tabela Fipe ou o custo de uma Ferrari zero quilômetro, fazia parte um audacioso projeto envolvendo empresas multinacionais. Mas o resultado da negociata foi uma espécie de “plano infalível” do Cebolinha para derrotar a Mônica, trazendo os exemplos das histórias em quadrinhos do Mauricio de Sousa. Só que as “crianças” que idealizaram a proeza deram um prejuízo de dois milhões e meio ao Estado de Mato Grosso.

Então por que sancionar somente o Eder?

Antonio Cavalcante Filho e Vilson Nery são ativistas do MCCE (Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral) em Mato Grosso.

Categorias:Cidadania

6 Comentários

Assinar feed dos Comentários

  1. - IP 184.105.144.9 - Responder

    Em função do histórico de grandes serviços prestados a sociedade motogrossense, recomenda-se seriedade ao MCCE, e que não caia no denuncismo barato e desinformação, que pode porventura comprometer a credibilidade de denúncias futuras. Um erro absurdo, preguiçoso, mentiroso, ridículo, é comparar o preço das tais LandRovers com os da tabela Fipe ou Ferraris. Tal comparação só serve para enganar os incautos, levar sensacionalismo às manchetes, e desacreditar o movimento por aqueles que tem mais que dois neurônios. É óbvio para quem leu um pouco mais sobre o assunto, que as caminhonetes eram apenas veículos de transporte para os equipamentos de alta tecnologia que fariam a vigilância, e estes seriam responsáveis pela maior parte dos custos. Fossem Landrovers, hilux, ets, não faria muita diferença, portanto. Não estou aqui defendendo a necessidade da compra ou a lisura da licitação, mas se há maracutaia, que seja apontada de forma inteligente e menos tosca, por exemplo, verificando o custo real do equipamento de vigilância e o que se pagaria por eles. Simplesmente comparar o preço da landrover “pelada”da concessionária com outra adaptada, com radar, visão noturna, etc, é ridículo, um atentado à inteligência, é achar que a população é feita de homer simpsons….qualquer moleque consegue gastar o dobro do valor do seu celtinha em uma loja de “tunnning”do seu bairro, mexendo no som, bancos, suspensão, adesivos, etc…não precisa ser “jênio”para entender isso…acho que todos nós merecemos mais informação que isso, e o MCCE, pela sua história, pode produzir críticas mais inteligentes e fidedignas, o que contribuirá para manter a credibilidade que (ainda) goza junto a nós.
    Aproveito para parabenizar o movimento, e espero estar contribuindo com esta crítica, para uma melhor qualidade na comunicação dele com a população.

    • - IP 177.77.198.112 - Responder

      Exigir seriedade e ter medo de por o nominho nos argumentos, convenhamos….

  2. - IP 184.105.146.16 - Responder

    Querer o nominho nos argumentos, mas não responder ao mérito da crítica e nem ter humildade de reconhecer que falou uma baita de uma besteira, convenhamos…pelo menos vai dormir com essa e tomar mais cuidado com o que escreve.

  3. - IP 189.31.4.19 - Responder

    Deve ser o próprio Éder ou algum beneficiário aloprado. Contudo concordo com o argumento. Vejo uma semelhança entre o crítico e o texto. O texto fica sem crédito quando guarda os nomes. E o crítico quando esconde o nome. Digam os nomes…fala aeee…Gilmar Mendes…etc etc…

  4. - IP 216.218.254.27 - Responder

    Caro Carlos Alberto. Não sou “o próprio Eder”, nem “nenhum beneficiário aloprado”. Se eu fosse o Lula, o Papa, o Eder, o Carlos Alberto, em que isso mudaria meus argumentos, afinal? Serviriam, no máximo, para serem desviados os argumentos do teor da crítica em si para eventuais defeitos ou qualidades meus. Irrelevante, portanto.
    Quero de antemão pedir desculpas aos membros do MCCE, a quem admiro, respeito e apoio, por alguns adjetivos que usei no meu texto. Ocorre que vivemos tempos sombrios no que se refere as informações: empresas de comunicação escolhem quem criticam e quem elogiam de acordo com interesses político-partidários e/ou econômicos. Isso quando não mentem. Na CPI que se avizinha veremos desnudas as relações entre a revista veja e o crime organizado do cachoeira. Fabricaram o falso catão demóstenes, enquanto escandalizavam tapiocas. A istoé já tem histórico de esconder uma reportagem sobre Arcanjo em tempos idos, e a Globo sobre Riva em tempos recentes…enquanto isso escandalizam coisas menores…se antes se contratava pistoleiros para eliminar adversários políticos, hoje se pode contratar empresas de comunicação. Nesse mar de lama de escandalização barata, seletiva e engajada em negócio escusos, o MCCE, justamente por ser diferente, ser honesto, bem intencionado e apartidário, deve manter a qualidade de suas informações e críticas, para se diferenciar desta imprensa superficial e venal. O sistema de vigilância seria necessário, útil, eficiente…? O preço dos equipamentos seria compatível com o mercado internacional? Havia realmente necessidade de “dispensa de licitação”? A tal empresa que iria importar, afinal, era ou não idônea? Quem eram os donos? Eram donos de fato ou “laranjas”? São tantas questões que poderiam ser abordadas, mas a simples comparação, como disse, da Land Rover “pelada” da concessionária com a equipada e adaptada com os equipamentos de vigilância é inadequada, equivocada e sensacionalista (para usar, desta vez termos mais brandos).

  5. - IP 201.86.181.218 - Responder

    A sociedade pagadora de impostos abusivos deste meu estado, com certeza olha o preço desses veiculos adquiridos para a vigilância da Copa 2014, e vê cifras ainda muito mais altas do que as apresentadas nessa matéria, já que tem os olhos estão embaçados pelo medo da insegurança das ruas, do trânsito desordenado nas estradas e vias esburacadas, pelas escolas e postos de saúde sucateados e por ai vai…

Deixe seu Comentário

Seu endereço de email não será publicado.
Campos com * são obrigatórios.

dois × três =