CATARINE PICCIONI: Nilson Teixeira, ex-gerente de factorings de Arcanjo, nega ter comprometido Júlio Campos em interrogatório feito pelo então procurador Pedro Taques (hoje senador e apoiado por Júlio em sua possível candidatura ao Governo do Estado). O MPF, no entanto, conseguiu a quebra do sigilo bancário do deputado federal e de sua filha Consuelo. Releia íntegra do depoimento de Nilson em 2003

Integra do depoimento de Nilson Teixeira à Justiça Federal em 2003 by Enock Cavalcanti

Ex-gerente de factorings de Arcanjo diz que não comprometeu Júlio Campos em interrogatório

De Brasília – Catarine Piccioni
OLHAR DIRETO
O empresário Nilson Roberto Teixeira – após informações reveladas pelo Olhar Jurídico na última terça-feira (27) – contatou o site para afirmar que, em interrogatório na Justiça Federal anos atrás, não estabeleceu ligação entre o deputado federal Júlio Campos (DEM-MT) e o suposto esquema de financiamento de campanhas políticas envolvendo João Arcanjo Ribeiro (considerado ex-chefe do crime organizado em Mato Grosso) e a Assembleia Legislativa (AL-MT).

O Olhar Jurídico revelou que o ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), deferiu diligências solicitadas pelo Ministério Público Federal (MPF) em inquérito no qual o deputado federal Júlio Campos figura como suspeito de participação no esquema, que teria desviado verbas da AL-MT para financiamento de campanhas eleitorais por meio da Confiança Factoring (pertencente a Arcanjo).

Conforme o despacho assinado por Zavascki no último dia 20, o MPF apresentou o requerimento sobre as diligências (incluindo quebra de sigilo bancário do parlamentar e de uma filha dele) a partir de relato feito por Teixeira (ex-gerente de factorings pertencentes a Arcanjo) durante a instrução de uma ação penal.

Nilson Teixeira diz que suas declarações ao Olhar Jurídico se baseiam em um depoimento prestado por ele em junho de 2003 ao juiz Julier Sebastião da Silva no processo 2003.36.00.008505-4. Trata-se do mesmo processo citado no despacho do ministro Teori Zavascki.

No requerimento que gerou o despacho, o MPF citou que Teixeira afirmou que Júlio Campos, que é ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), estava envolvido nos crimes desarticulados pela operação Arca de Noé (deflagrada pela Polícia Federal em Mato Grosso em 2002 contra o império de Arcanjo).

No inquérito que está no Supremo desde o início deste mês, o MPF expôs ainda que Campos chegou a ser ouvido sobre o caso quando conselheiro. No depoimento, o então conselheiro teria dito que, em 1998, vendeu uma casa (localizada em Cuiabá) para Arcanjo por R$ 150 mil. O pagamento do negócio teria sido parcelado. Segundo ele, a quantia de R$ 58,5 mil – citada em relatório do Banco Central – se referia a uma das parcelas.
Já Nilson Teixeira rebate as informações que estão sendo consideradas no novo inquérito. Isso porque, no depoimento mencionado por Teixeira, há somente a seguinte menção em relação a Campos: “às perguntas formuladas pelo juiz, o interrogando (Teixeira) responde que não se recorda do pagamento a Júlio Campos no valor de R$ 58,5 mil, constante do relatório do Banco Central”.

O ex-gerente negou ter vínculo com o deputado Júlio Campos. Ele não quis conceder entrevista.

O termo de interrogatório foi assinado pelo então procurador da República Pedro Taques, que atualmente exerce mandato de senador pelo PDT e poderá contar com o apoio de Campos em eventual candidatura ao governo de Mato Grosso em 2014 — o deputado do DEM já sinalizou a intenção de apoiar o ex-procurador.

Relatório do Coaf

Para solicitar as diligências ao Supremo, o MPF considerou ainda relatório do conselho de controle de atividades financeiras (Coaf), unidade de inteligência financeira do governo brasileiro. De acordo com o MPF, o relatório indicou movimentações atípicas de Júlio Campos e de sua filha Consuelo Campos, as quais seriam incompatíveis com os respectivos rendimentos mensais e cargos exercidos. “As movimentações relatadas pelo Coaf, em uma análise superficial, tem correlação com João Arcanjo Ribeiro”, consta do requerimento formulado pelo MPF ao STF.

FONTE OLHAR DIRETO

Teori Zavascki quebra sigilo bancário de Júlio Campos e sua filha Consuelo by Enock Cavalcanti

5 Comentários

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  1. - IP 177.64.248.89 - Responder

    Poisé caro enock, isso é prova inverossímil de que nosso moralista às avessas traí seus proprios ideais para conseguir poder!

    Esses corruptos travestidos de moralistas me enojam muito mais do que os escancaradamente corruptos!

  2. - IP 187.113.45.199 - Responder

    Ou o Ministerio Publico Federal está maluco….ou eu estou louco ? Pois não é possivel, chegar até ao STF e um Ministro aceitar erros crasso como este, dizer ” que Julio Campos, desviou dinheiro da Assembleia Legislativa de MT,para financiar campanha politica de Dante de Oliveira,seu mais forte adversário e com quem disputou as eleições de Governador em 1998, bem como ajudar a dois adversários Walter Albano e Carlos Avalone,do PSDB que siquer foram candidatos em 1998, e Alabno,nunca disputou nem eleição de Vereador de Juscimeira.? Ora bolas…Isso é uma infamia e covardia pratica pela Justiça Federal contra um politico competente como é Dr.Julio. Além disso….achar que Julio Campos e sua filhas Consuelo, participavam de lavagem de dinheiro,e não tinha como movimentar dinheiro em suas contas bancarias,é desconheçer que Julio Campos,e filhos são empresarios de sucesso há mais de 30 anos, nos meios de Comunicação,Mineração,Agropecuária e principalmente Imobiliarias. Tá na hora desses irresponsaveis do MPF e da Justiça Federal de MT procurar conheçer melhor a nossa historia e a nossa sociedade.

    • - IP 179.217.103.171 - Responder

      Caraca, bixo. Esse seu comentário parece ser muito irônico.
      Diz pra mim ae que você tá sendo irônico que eu te dou uma cadeira na ABL.
      Diz que não foi irônico e eu te digo que vc tá mais por fora que bunda de índio; além de tapado e monárquico.

  3. - IP 189.2.122.50 - Responder

    Enock você que diz ser um site da verdade sabe que isso é um absurdo, nada haver em 1998 Julio campos candidato a governador iria financiar campanha de adversário!!? Como assim o próprio bancar o inimigo pra perde!!? Financiar Valter Albano que nunca foi candidato nem a presidente de bairro! Carlos avalone nem na política estava!! Acho que melhor você rever seus conceito sou leitor do seu site por ser até segunda séria profissional não deixe uma matéria dessa sem pé cabeça!

    LASTIMÁVEL !!

  4. - IP 179.217.106.93 - Responder

    Roberto Freire? Com um pseudônimo desses… bem, as informações estão lá, no inquérito que o Ministério Público Federal conduz e o ministro Teori Zavascki autorizou e respaldou. Todos nós precisamos de mais informação. Que tal cobrar que os deputados estaduais se manifestem? Que a mídia tradicional vá atrás dos fatos e não deixe a coitada da Catarine Piccioni investigando sozinho? E vai longe o tempo em que a gente se espantava com as contradições e com as patifarias de que certos caciques da nossa política são capazes. Pense bem: já fazem alguns séculos que Brutus, filho de César apunhalou o próprio pai pelas costas – e essa foi apenas uma das patifarias que a história registra. Não se espante, Freire, procure se informar e contribuir para a qualificação da informação. É o mínimo que podemos fazer. Que os que vieram depois de nós, neste Mato Grosso, não tenham motivos para cuspir sobre as nossas covas.

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