TCE - OUTUBRO

CARLOS MALDONADO, professor da Unemat e ex-secretário de Educação de MT, reage à condenação que recebeu por contratos temporários celebrados quando comandava a Seduc. Maldonado aponta “lógica esquisita” na sentença da juíza Célia Vidotti e diz que está sendo condenado porque cumpriu a Lei. Leia o artigo

O professor Carlos Maldonado (à direita) - ex-secretário de Educação de Mato Grosso e de Cuiabá -, em cerimônia da Secretaria de Educação de Cuiabá, realizada em dezembro de 2012, quando foi homenageado pelo então secretário Permínio Pinto pela criação da rede de bibliotecas comunitárias Saber com Sabor, que completavam 10 anos de atividade na capital de Mato Grosso. A homenagem aconteceu na biblioteca que funciona na Praça Clóvis Cardoso.

O professor Carlos Maldonado (à direita) – ex-secretário de Educação de Mato Grosso e de Cuiabá -, em cerimônia da Secretaria de Educação de Cuiabá, realizada em dezembro de 2012, quando foi homenageado pelo então secretário Permínio Pinto pela criação da rede de bibliotecas comunitárias Saber com Sabor, que completavam 10 anos de atividade na capital de Mato Grosso. A homenagem aconteceu na biblioteca que funciona na Praça Clóvis Cardoso.

Não são lendas que investigo, é a mim mesmo. (Sócrates in Fedro)

por CARLOS MALDONADO

 

Informado por amigos sobre minha condenação por improbidade administrativa, e depois me inteirando pela imprensa sobre ela, farei algumas considerações em dois ou três artigos. Neste devo me cingir ao que li sobre a acusação e a sentença.

Como este processo já se tornou público, divulgado tanto pelas mídias quanto pelo próprio tribunal de justiça, recomendo à prolatora da sentença a correção dos poucos erros materiais que dela retiram beleza.

Indo a eles:

1) Foi condenado um tal Carlos Alberto dos Reis Maldonado por todas as vezes (e foram seis), assim grafado na sentença. Creio que a juíza quis referir-se a mim: Carlos Alberto Reyes Maldonado. Bastaria a curiosidade de passar os olhos sobre a eventual prova juntada pelo MP para encontrar centenas de vezes o meu nome corretamente escrito. Por favor, corrija seu texto, juíza. Afinal e depois de tudo, o nome é meu único patrimônio.

2) Onde se grafa art. 37 III definir se a sentença quis referir-se a II ou IX e corrigir;

3) No primeiro parágrafo do decisum foi declarado inconstitucional o art. 364 da LC 04/90 – mas ele não existe. A lei só tem 285 artigos. Por favor, corrija ou parecerá declarada a inconstitucionalidade do inexistente. E isso pode trazer um certo riso em faces infantis, como a minha.

4) Na fixação das penas, não foi especificada individualizadamente e definida a extensão da perda da função pública. Não é um erro material, mas se for possível, enriqueceria a peça tal discriminação.

Sobre a acusação: Na função de Secretário de Estado de Educação autorizei a contratação de parcela dos 6.825 contratos temporários efetivados entre 1995 e 1999. Como exerci por um ano a função e a sentença não individualiza o número de contratos por gestor, imagino que tenha ficado na média de 1.365 por ano ou 114 por mês. Mas isso é irrelevante. Bastaria um. E sendo mil ou sendo um, certamente autorizei. Logo, num primeiro momento e pelos pressupostos da sentença, já me assumo como réu confesso. Mas réu do que mesmo? Pela “ofensa ao preceito prescrito no inciso II c/c inciso IX, do art. 37, da Constituição Federal” e art. 11, da Lei 8.429/92 informará a juíza que diz ainda:  “A Constituição da República, em seu art. 37, inciso IX, foi de clareza solar a impor que situações administrativas comuns não podem ensejar a contratação temporária de servidores”.

É mesmo? Fui lá ver o que dizem tais diplomas: Art. 37 e incisos citados da CF:

IX – a lei estabelecerá os casos de contratação por tempo determinado para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público; Este é o da clareza solar ??? Impõe “que situações administrativas comuns não podem ensejar a contratação temporária de servidores” ???  Como ensina a própria magistrada: “Querer achar uma “brecha” para interpretar de forma ampla e genérica a Constituição federal é o mesmo que descumpri-la”. A interpretação da juíza, além de ampla e genérica é também novadora, imaginativa, novidadeira e de muita criatividade.

Leio a CF entendendo que o inciso remete à necessidade de leis complementares da união, estados e municípios. Nelas devem-se discriminar os casos que “ensejam a contratação temporária”.

O princípio, alegadamente infringido, vamos encontrar no inciso II:

II – a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos, de acordo com a natureza e a complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista em lei, ressalvadas as nomeações para cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração;

Com isso temos que há duas formas de investidura: concurso público e nomeação nos casos de cargos comissionados. Além dessas duas, aquelas discriminadas na legislação complementar.

Em 1996 vigorava o art. 264 inciso VI da lei complementar 04/90 que era uma derivação do mandamento do inciso IX do art. 37 da CF. Infiro que era a base legal dos contratos. Pois bem, esse inciso foi declarado inconstitucional pela juíza no dia da promulgação da sentença em 5/7/2013… Com a sua inconstitucionalidade passei então a ser ímprobo. Talvez sejam possíveis as viagens no tempo, mas não contava com essa hipótese em 1996. Não sabia que 23 anos depois da sua vigência tal inciso seria declarado inconstitucional pela juíza. Existe ainda algum princípio do direito que ensine algo sobre isso?

Fica implícita na sentença a ideia de que os réus dolosamente fizeram aprovar uma lei inconstitucional para cobrir com pretensa legalidade atos que burlariam a constituição. Erro perdoável, típico de jovens – ah que saudades dos tempos em que eu também errava assim – Quixote com lança na mão consertando o mundo, redimindo os justos e punindo os maus…

Mas há dois problemas. Um é a história e o outro é a letra da lei.

Em 1990 Edson Freitas era o governador, em 1992 Jaime Campos e entre 1995 e 1999, Dante de Oliveira. Assim tanto a 04/90 quanto a 12/92 já existiam e estavam em vigência em 1996 quando exerci a função de secretário. Hoje se passou a entender que o inciso não é legal – entendam o que quiserem sobre isso – mas não podem imaginar que ele era alguma espécie de “manobra”. Era desde então e até um dia antes da publicação da sentença, lei em vigor.

Logo o que a juíza diz é que ao cumprir essa lei os gestores se tornaram ímprobos.

Oras! Às favas! Por essa lógica esquisita, confrontados com a lei os gestores devem avaliar preventivamente sua constitucionalidade para só então decidir se vão aplica-la ou não.

– Está na lei.

– É… Mas sei não… E se um dia ela for declarada inconstitucional?

Houve uma época em que juízes e desembargadores nomeavam assessores sem concurso público e em vários casos essas nomeações se tornavam vitalícias na pratica. Hoje imagino que isso não exista mais. É algo claramente imoral e que afronta os princípios constitucionais. Certamente hoje os assessores dos juízes são concursados. Mas devia haver uma lei que tratasse o assunto como “cargo em comissão”. Havendo tal lei estaria em consonância com os princípios da administração pública ou configuraria uma clara manobra acobertadora de privilégios?

Só por curiosidade, senhora juíza, a sua assessoria ingressou no serviço público em que concurso?

A hipocrisia sempre se veste com os mais sóbrios e morais discursos.

A sentença doutrina sobre os requisitos que legitimam a contratação temporária. Poderia também dar-se ao trabalho de ler e expor as leis, tanto a complementar estadual quanto 8.745/93. Comecemos por esta última, a federal. Diz a lei:

Art. 2º Considera-se necessidade temporária de excepcional interesse público:

IV – admissão de professor substituto e professor visitante;

X – admissão de professor para suprir demandas decorrentes da expansão das instituições federais de ensino, respeitados os limites e as condições fixados em ato conjunto dos Ministérios do Planejamento, Orçamento e Gestão e da Educação;

§ 1º A contratação de professor substituto de que trata o inciso IV do caput poderá ocorrer para suprir a falta de professor efetivo em razão de:

I – vacância do cargo; II – afastamento ou licença, na forma do regulamento; III – nomeação para ocupar cargo de direção de reitor, vicereitor, pró-reitor e diretor de campus.

E a essas, somam-se várias outras hipóteses. Se lermos a lei vemos com clareza que ela diz respeito especificamente à união.  Podemos aproveita-la por analogia, mas a lei que efetivamente se aplica é a complementar estadual.

O que diz ela?

Art. 264 Consideram-se como de necessidade temporária de excepcional interesse público as contratações que visem a:

IV – Substituir professor ou admitir professor visitante, inclusive estrangeiro, conforme lei específica do magistério; VI – Atender as outras situações motivadamente de urgência.

Em 1996 a lei do magistério mencionada no inciso IV estava em discussão com a categoria (junto com o SUDEB que mencionaremos em outro texto), e veio a ser aprovada apenas em 1998. De qualquer forma dirá o seguinte:

Art. 79 Em caso de necessidade comprovada, conforme Lei Complementar n° 12, de 13 de janeiro de 1992, poderão ser admitidos Profissionais da Educação Básica mediante contrato temporário.

Que casos levam à substituição de professores? Além de outros, licenças e afastamentos são os principais. Pessoas ficam doentes, infelizmente morrem, ficam grávidas, desempenham mandatos classistas e eletivos, são afastadas para qualificação por interesse pessoal, exercem cargos comissionados, são cedidas atendendo pedidos da união, dos municípios e dos três poderes – me lembro de alguns casos em que juízes e desembargadores nomeavam assessores pessoais em cargos comissionados e requisitavam a cessão do servidor, pratica também comum na Assembleia Legislativa, além de inúmeras outras situações. Contra algumas nos insurgíamos, creio inclusive que já devem, hoje, ser proibidas. De qualquer forma, eram (estas últimas), situações mais emblemáticas que volumosas.

Assim, muito mais que o inciso VI, era o inciso IV o verdadeiro esteio legal de tais contratações.

Lembro-me do Mário Ricci e da Eremita com suas caixas de fichas do setor de pessoal (ah sim, só lembrando, não havia internet ), percorrendo o estado buscando o atendimento ágil dos milhares de pleitos dos servidores. A instituição de uma junta médico-administrativa para avaliar o imenso volume de licenças (principalmente de saúde); a instalação de municípios novos (e a situação sempre discutida da absorção de escolas pelo estado), os processos de afastamento, as aposentadorias…

Sim, foram feitos muitos contratos.

Quando um magistrado ou promotor adoece, ou se ficam grávidos, não se contrata outro em caráter temporário. Reduz-se o trabalho e acumulam-se esperas. Na educação não é assim. Se uma professora fica grávida ela se afasta por alguns meses (na Tchecoslováquia por até 4 anos, na Alemanha por até 3) e não dá para dizer às crianças e aos seus pais para aguardarem em casa a prestação do serviço de estado.

Mas não vamos cansar a obviedade com descrições minuciosas do óbvio redundante.

Vamos ao último artigo que embasa a condenação.

Art. 11 da lei 8.429/92: Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública qualquer ação ou omissão que viole os deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade, e lealdade às instituições.

Por dedução, como sempre gostei da honestidade e imparcialidade e só vivo com o que gosto, me sobraram as violações à legalidade e a deslealdade institucional. Nestes últimos dois casos avaliando meus exercícios como gestor, também sou réu confesso. Minha lealdade sempre foi com a população e não com o Estado e suas instituições e em inúmeras ocasiões descumpri dolosamente a lei. Falarei sobre isso em outro texto. Mas curiosamente, analisando agora, vejo que a improbidade foi imputada justamente porque cumpri a lei. Cumpri o art. 264 incisos IV e VI da LC 04/90.

Tentei ser sério, mas às vezes, quando tentamos vestir uma fantasia de seriedade é quando nos tornamos mais ridículos. Por isso encerro com um sorriso e adianto que espero ser oficialmente notificado da decisão, já que sequer fui citado pessoalmente, como expõe a própria sentença. Se o promotor e a juíza trataram o processo como uma piada vou rir com eles e me sinto inclinado a aceitar honrado as penas que me couberam. Mas vou querer isonomia. Nas três esferas e nos três poderes.

Por fim, quanto à suspensão dos direitos políticos requeiro a elevação da pena para 5 anos e mais uma inovação hermenêutica para, com o consentimento do acusado e atendendo seu pedido aqui exposto, tornar a suspensão perpétua. O riso que me brota ao passar os olhos nas praticas republicanas não impede a náusea que também me acometem os poderes da república. Não quero ser cidadão, assumir qualquer responsabilidade, mesmo genérica que legitime o exercício das putarias dos senhores sacerdotes do Estado no executivo, legislativo e  judiciário.

Já faz algum tempo, ao analisar minha vida, que do sacerdote que fui me tornei um herético.

E um herético absoluto, radical, perigoso. Assim a suspensão é justa, embora três anos sejam insuficientes.

 

Carlos Alberto Reyes Maldonado é professor da Unemat. Foi secretário de Educação em Mato Grosso

Post Scriptum – Para evitar dúvidas hermenêuticas esclareço que “putaria” é palavra dicionarizada e a emprego no sentido que lhe outorga o Houaiss: comportamento contrário ao pudor, à decência, depravação de costumes; devassidão, libertinagem, imoralidade, falta de honestidade, de princípios; safadeza, sacanagem, vileza; e O Aurélio: frascarice. Que significa leviandade no agir, estúrdia, extravagância, deboche.

 

 

41 Comentários

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  1. - Responder

    E eu vou dormir feito criança que acabou de ganhar um presente inesperado, com um largo sorriso nos lábios…aguardarei o próximo Maldonado!

  2. - Responder

    Belíssima resposta Maldonado. O Judiciário matogrossense deveria se sentir envergonhado com esse tipo de sentença, que confere despreparo e grosseira falta de estudo jurídico. Meu radical e integral apoio Maldonado.

  3. - Responder

    Professor Maldonado, deixemos a modéstia de lado pois sabemos que sábios como és fazem falta nestes tempos! Sempre serei grato as suas atitudes em prol da educação, se não fossem seus “contratos temporários’ eu não teria concluído meus estudos, detalhe, não me refiro apenas ao ato de concluir o Ensino Médio, neste período por necessidades eu trabalhava durante o dia e estudava em Escola Estadual no período noturno em Cáceres-MT, os professores temporários contratados sob sua gestão foram e são excelentes profissionais, o resultado disso: fui aprovado em TODOS os vestibulares que prestei nas instituições públicas como Unemat, por exemplo,outro detalhe, estive sempre nas primeiras posições (se isto tem alguma relação de qualidade de ensino), não tenho mais nada a declarar.

  4. - Responder

    A modificação da sentença deve ser buscada pela via própria. Portanto, os argumentos do condenado deverão ser dirigidos ao Tribunal de Justiça por meio do recurso previsto em lei. Atacar a Juíza e o Judiciário, na imprensa, não parece ser o caminho mais inteligente, muito menos o previsto na legislação para modificar a sentença. Quanto às putarias dos sacerdotes do Estado, creio que as praticadas pelo condenado foram objeto da sentença condenatória, ou não?

  5. - Responder

    Resposta típica de um dos homens mais cultos que conheci. Parabéns Maldonado!

  6. - Responder

    Parabéns Maldonado. Belíssima resposta.

  7. - Responder

    Grande Professor Carlos Alberto Maldonado… Uma vida de lições! Quero aqui citar uma das verdades que disse: “A hipocrisia sempre se veste com os mais sóbrios e morais discursos”.

  8. - Responder

    Grande professor Maldonado!
    Muito bom o artigo, e a coragem de dizer à todos o que ninguém tem coragem! estarei esperando os próximos…

  9. - Responder

    As poucas vezes, infelizmente, que assisti o Maldonado expor seus pensamentos, seus ideais constatei que estava diante de um pensador, um filósofo… Uma grande figura

  10. - Responder

    Resposta típica nada, deveria ser homenageado por ela…rs abraco

  11. - Responder

    O amor e a solidariedade são sentimentos que movem o mestre Maldonado! Atacá-lo, não significa atacar apenas a uma pessoa, mas sim a uma ideia, um ideal de vida. Assim como outros grandes mestres que por aqui passaram, Maldonado é palavra encarnada, sua vida é a sua maior teoria! Estaremos sempre juntos!

  12. - Responder

    Estou longe do meu estado de origem, mas graças às ondas da informática desse mundo cibernético chegou até meus olhos seu artigo – caro conterrâneo – se assim me permite tratá-lo, pois seu colega fui na minha indelével passagem pela Unemat onde lá pude experimentar sua administração desprovida de vaidades focado unicamente no avanço dessa Instituição que hoje é referência para outros estados que ainda estão dando passos letárgicos como é o caso da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul que sofre mercê das putarias dos sacerdotes do Estado a que me refiro. Quero inicialmente lembrar, caro Professor Carlos Alberto Reyes Maldonado; no inicio dos anos noventa quando o mundo dava os primeiros passos na disseminação da informática o Senhor já estava antenado com essas novidades aí nessa cidade bicentenária e foi ao seu lado que me encantei com sua visionária e lúcida avaliação na época profetizando como um bom filósofo as maravilhas desse mundo cibernético que associado a educação seria o grande salto para o avanço dos conhecimentos e formação acadêmica o que hoje já é realidade concreta. Por tanto meu caro Professor escrevo para discordar de um leitor de nome Vicente Araújo que anterior ao meu comentário postou seu ponto de vista que seria em vão publicar artigo contra a Magistrada no mundo midiático adjetivando como ataque a Juíza e ao Judiciário – apontando que o caminho a ser investido seria nas esferas do Tribunal de Justiça do Estado. O cidadão Vicente Araújo, creio que não se antenou de que estamos num estado Republicano, amadurecendo a democracia e que um artigo de tamanho discernimento publicado passa doravante ser uma referencia aos Magistrados que na maioria das vezes assinam suas sentenças produzidas por assessores desprovidos de preparo e clareza dos preceitos Jurídicos. Que sirva de lição à magistratura o grande serviço que o Professor Carlos Alberto Reyes Maldonado presta ao Estado e a nação pela envergadura do seu conhecimento dada a formação de Advogado que permitiu esmiuçar cada parágrafo e artigo citado na sentença despida de fundamentação cabal do que preconiza nossa Constituição Federal ainda em vigor. Por conseguinte é papel do educador e no caso atribuo ao Professor Carlos Alberto Reyes Maldonado a condição nata de Filósofo contemporâneo que insiste em procurar a clareza e a verdade e não esqueceu da responsabilidade principal em relação compreensão Jurídica. Assim, a mudança na maneira de ver o direito permite uma razão crítica quanto à utilização normativa dos princípios, passando a exigir do intérprete o reconhecimento da difícil tarefa de compreensão jurídica no caso concreto, tendo como referência a integridade e coerência da tradição jurídica, como medida impeditiva da discricionariedade judicial incompatível com o Estado Democrático de Direito. Julgo que é muito importante ter isso sempre em mente, pois, de outro modo, todo o seu trabalho na vida publica estaria corrompido e infundido de objetivos e ideias que são contrárias ao comportamento que norteou até agora a vida deste cidadão Cacerense que muito contribuiu com o avanço do Estado de MATO GROSSO. Vou esperar ansioso o segundo artigo – Professor Carlos Alberto Reyes Maldonado, com a angústia Socratiana quando dizia aos seus discípulos que “existe apenas um bem, o saber, e apenas um mal, a ignorância…” No seu caso meu caro Conterrâneo, o saber é o seu patrimônio! (Saudações Pantaneiras!)

  13. - Responder

    Obrigada Carlos Alberto R Maldonado…seu texto nos enriquece, é uma aula, composta de toda ciencia necessaria na formação de “qualquer ser humano” principalmente dos judiciarios…mas com bom senso, bom humor, elegancia e sensibilidade…sua marca. Quero ter sempre seus textos para me deleitar!
    Gde abraço

  14. - Responder

    Excelente resposta digna de mérito…. no aguardo dos próximos artigo.

  15. - Responder

    SOU SOLIDÁRIO COM SUA INDIGNAÇÃO MEU VELHO AMIGO E COMPONHEIRO, GRANDE PROFESSOR FUNDADOR DA UNEMAT. A HIPOCRISIA CAMPEA O SERVIÇO PÚBLICO DE FORMA GENERALIZADA. ATUALMENTE O ESTADO PODE TUDO, INCLUSIVE A FAZER O QUE A LEI NÃO PROÍBE. ONDE O CORRETO É QUE O CIDADÃO É QUEM PODER FAZER O QUE A LEI DETERMINA E AQUILO QUE A LEI NÃO PROÍBE. TRATA-SE DE INVERSÃO DE VALORES. O ESTADO SÓ PODE FAZER O QUE A LEI DETERMINA. EM FIM, ESTAMOS EM UM ESTADO CONSTITUCIONAL FORMADO PELO ESTADO DE DIREITO E ESTADO DEMOCRÁTICO. CONTE CONOSCO. ESTAMOS EM PÉ E A ORDEM. EXPEDITO – ADVOGADO.

  16. - Responder

    Que belíssima resposta!! Que aula!!
    Oxalá pudéssemos ter gestores que contratassem professores para atender as reais necessidades da população enquanto aguarda concurso público, quem sabe assim teríamos uma população mais preparada para cobrar e exigir a garantia de direitos tão basilares como educação e saúde de qualidade.
    Quando ele fala de contratações de assessores em gabinetes de magistrados é a realidade que impera no judiciário matogrossense, gabinetes abarrotados de estagiários que em muitos casos recebem os salários dos bolsos dos próprios magistrados e isso não é considerado ilegal porque não são eles que assinam as aberrações (rs).

  17. - Responder

    Desculpem, mas alguém aí desconhece que, no Brasil, o preenchimento dos cargos públicos deve se dar por concurso ? Que as contratações temporárias somente podem ocorrer na excepcionalidade ? Quantos eram mesmo os professores contratados temporariamente ? Havia (e há ainda) tanta excepcionalidade na educação ? “Então tá” !

    • - Responder

      humm colega concordo com vc no meu mesmo tinha unss que eram mesmos temporariois…hj conseguiram efetivar..

  18. - Responder

    Parabéns ao Douto mestre Maldonado pela explicativa resposta. Infelizmente nos dias atuais, muitos do judiciário estão proferindo sentenças sem muita ou quase nenhuma fundamentação legal. E mais, a cada dia nossos semi-analfabetos políticos e, completamente analfabetos funcionais, elaboram as leis sem as reflexões e análises necessárias, olhando apenas para seus próprios umbigos, que sem o devido cuidado são aplicadas pelos magistrados. Isso nos afronta, como pessoas que gostamos e zelamos pelo saber.

  19. - Responder

    Prof. Maldonado,
    Vossa Senhoria é membro de uma família que tem por principal característica em sua linhagem a EDUCAÇÃO, e,
    dentro dos seus ‘ramos’, a formação JURÍDICA familiar se destaca, singularmente. Conhecendo sua família e tendo sido aluno dos Professores Hênio Maldonado, João Mário Maldonado e Hélio Maldonado, posso tranquilamente hipotecar a minha solidariedade à sua indignação com esse arremedo de sentença. Digo arremedo porque essa prática judicial se tornou uma ‘praga’ na vida de alguns Gestores que, como Vossa Senhoria, prestaram serviços à EDUCAÇÃO de uma POPULAÇÃO, sem se deixarem prender pelas rédeas do Estado e sem se esconderem sob o véu da hipocrisia. Hipocrisia que no Judiciário é uma ‘virtude’, não um anátema. É fácil e bastante cômodo aplicar a Lei de Improbidade, aos outros. Quando se trata de contratação de professores ‘temporários’ então…
    Ando tão enojado com as notícias vindas da Corte dos Três Poderes da República que prefiro lembrar de Henry Miller, que lendo essa sentença quiçá diria mais ou menos assim ó: “Bom, para começo de conversa, comecei ainda lhe apresentando um sorriso ameno e tranquilizador, ‘você é um canalha e sabe disso’. Tem medo de alguma coisa, ainda não sei do quê, mas vamos chegar lá. Comigo, você faz de conta que é simplório, um joão-ninguém, mas de si para si tem-se na conta de muito esperto, de importante, de durão. Não tem medo de coisa alguma, não é mesmo? Tudo conversa fiada, e você sabe muito bem. Vive cheio de medo. Diz que aguenta. Aguenta o quê? Um murro no queixo? Claro que aguenta, com uma cara de concreto feito a sua. Mas será que aguenta a verdade?”.
    Será mesmo que essa sentença aguenta a verdade ao ser confrontada com a ‘realidade da EDUCAÇÃO pública’?
    Aguardarei os outros dois, de pé e a postos, como disse o Prof. Expedito Figueiredo.

  20. - Responder

    É sempre um grande aprendizado ouvir uma fala ou ler um texto seu, Prof. Maldonado. Sou sua fã, desde a aula inaugural, quando entrei no curso de Letras, em 1994, que te ouvi pela primeira vez. De lá para cá, tive algumas outras oportunidades de ouvi-lo, e em todas elas saí modificada. Estou torcendo por você, aguardando a próxima vez que vou ouvi-lo, em breve, no VI Seminário de Formação Continuada em Educação, aqui no CEFAPRO.

  21. - Responder

    A sentença que condenou o Maldonado é a mesma que condenou os Conselheiros Valter Albano e Antônio Joaquim pelo mesmo motivo de contratar professores temporários???

    Se for a mesma sentença e os mesmos fatos ou análogos, por que o tom agressivo contra os conselheiros e a solidariedade ao Maldonado??

    Qual é a diferença de um e outro caso?

    A resposta é que um é queridinho da esquerdopatia.

    É por isso que há muitos esquerdopatas solidários até com os quadrilheiros do mensalão.

  22. - Responder

    Que aula!

  23. - Responder

    Parabéns Professor Maldonado, como sempre seu texto traz a compreensão, a interpretação , a indagação, indignação e a ironia acerca dos artefatos que provocam os fatos… Um filosofo em sua essência!!!!

  24. - Responder

    Salve Maldonado! Adorei! Abraços

  25. - Responder

    Extraordinário, como sempre.

  26. - Responder

    Meu amigo Maldonado, obrigado. Já tive oportunidade de ouvir voce e fiquei seu fã. Voce fala com verdade e isso meu amigo é raro num pais como este. Agora vi que escreve igual. Não para não. Ninguem fala o que voce fala, com sua coragem e lucides. Voce nao imagina o bem que voce faz para a alma de gente como eu que também fico injuriado com “putarias” do mesmo jeito que voce. Escreve logo o outro artigo. Acho que não sou só eu que estou esperando. parabéns.

  27. - Responder

    Eu não conheço a Juíza Célia Vidotti, portanto não faço juízo dela,mas conheço você Maldonado e posso assegurar sem medo de errar que você é mais sério que ela e que todos os Magistrados de Mato Grosso!!

    • - Responder

      hummmm cara colega conheço a Juiza ela deve ter tido muito poderamento nessa descissão dela ela e pessoa muito seria e os a maioria dos magistrados são tds serios nas suas decisões, confio nas decisões dos nossos Juizes daqui do Mato grosso.;

  28. - Responder

    O texto – não o da sentença – está brilhante. E como toda ação gera uma reação, agradeço à coitada da juíza por ter inspirado um biscoito tão saboroso de se ler como esse texto do professor Maldonado. As regras que estão postas ao setor público, se cumpridas à risca, inviabilizam qualquer administração. E parabéns ao professor Maldonado por ter agido como informa, que é o que os cidadãos esperam, como muitos demonstraram nas recentes manifestações públicas em nossas ruas, por onde certamente essa juíza não caminha.

  29. - Responder

    Fui perguntar ao oraculo de Delfos e sabe o que ele respondeu?
    Maldonado.
    Nâo abaixe a cabeça amigo, mostre para a gente como é que nós também podemos levantar a nossa. Você não tem ideia do perigo que voce é. Também quero ser herética. Me ensina? Ensina a gente, ensina?

  30. - Responder

    Gostaria de agradecer a todos que estao se mostrando solidarios ao meu querido irmao por reconhecerem nele as qualidades essenciais a qualquer ser humano comprometido com o bem social muito mais do que consigo mesmo. Entendo que a intelectualidade o desprendimento e a simplicidade tambem possam incomodar pessoas que se veem a mil anos luz de atingir tais qualidades. Felizes dos que tiveram a oportunidade de conhecer e conviver com meu irmao carlos alberto pessoa iluminada e a meu ver digna de profunda admiracaoe respeito. Aguardo a resposta da justica que para fazer JUS A SEU NOME devera tomar a atitude correta e esperada por todos aqueles que realmente entendem de lei .

  31. - Responder

    Conhecendo o caráter reto e a imensa sabedoria do Maldonado, ficamos pensando do quanto deve sofrer este Educador em suas vivências com as mediocridades da burocracia de um país, onde a educação sempre teve como regra menosprezar o professor(a), e emburrecer o aluno(a). Oxalá existissem outros Maldonados!

  32. - Responder

    Graaaaande Maldonado!!!
    Continue firme patrão!!
    Resista, Insista, persista que nós da plebe rude estamos aqui, cientes da enorme injustiça que cometem!

    Abraços!!

  33. - Responder

    As pessoas, no exercício de qualquer profissão, deveriam ser mais cuidadosas com as suas decisões, principalmente quando estão envolvidos outros cidadãos.

  34. - Responder

    hummmmm estranho né

  35. - Responder

    tdo isso ainda mais qdo td mundo sabe o q aconte….

  36. - Responder

    Ficam as perguntas:
    Onde está Wally???
    Em que concurso passou seu assessor???

  37. - Responder

    Meu querido amigo,
    Sem condenação, nunca alguém saiu da pequenice do indivíduo para ingressar naquilo que chamamos história.

  38. - Responder

    Texto brilhante e luminoso que põe o rei nu!
    Um grande e afetuoso abraço.
    Professor joão Edson Fanaia

  39. - Responder

    Texto brilhante e luminoso que põe o rei nu, ou seja, ( a legalidade muitas vezes estúpida e a judicialização que beira a idiotice na patética Pindorama) .
    Um grande e afetuoso abraço.
    Professor João Edson Fanaia

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