gonçalves cordeiro

CAIUBI KUHN: Em outros estados e países a defesa civil possui em seu quadro técnico geólogos que desenvolvem diversos trabalhos para mapear áreas de riscos, desenvolver cartilhas de orientação, realizar estudos sobre a drenagem e permeabilidade, estudos de uso e ocupação do solo através das cartas geotécnicas entre muitas outras funções. Precisamos que Mato Grosso siga os exemplos dos estados que estão lidando com esta temática de forma técnica, e desenvolvendo ações não só quando o leite já derramou, e sim realizando medidas de prevenção

Caiubi Kuhn

Caiubi Kuhn

Desastres naturais: É possível prevenir?

Por Caiubi Kuhn

Na última semana, vários municípios da região oeste do Estado de Mato Grosso têm aparecido nos noticiário devido à situação de emergência. A região vem sofrendo com enchentes e a ainda há relatos de moradores sobre blocos de rochas que teriam rolado montanha a baixo.

Antes de qualquer coisa parabenizo o Governo do Estado pela atenção que tem dedicado a estes municípios, mas como geólogo não posso deixar de fazer algumas ressalvas em relação às políticas que o estado tem desenvolvido ao longo do tempo em relação à prevenção e contenção de desastres naturais. Em um artigo anterior abordei sobre o histórico de Mato Grosso em relação a terremotos, sendo que nosso estado registrou em 1955 o maior terremoto da história do nosso país (6,2 mb na escala richter).

Voltando aos últimos acontecimentos, o estado além de dar atenção à população da área afetada precisa também saber lidar com as adversidades da natureza. Para isso, o governo precisa ter entre seus quadros técnicos profissionais habilitados e com formação adequada para garantir que os trabalhos sejam feitos com responsabilidade e da melhor forma possível.

O problema é que desde governos anteriores o que se tem observado é que não existe de fato um entendimento que é preciso o estado ter uma equipe técnica para lidar com os diversos assuntos referentes ao uso e ocupação do solo. É preciso desenvolver os estudos adequados para desta forma, poderem ser tomadas as medidas que garantam a proteção da população. Segundo o site do Governo do Estado entre as atribuições da defesa civil estão: 1) Promover estudos referentes às causas, ameaças, vulnerabilidades e consequências de ocorrências de desastres de qualquer origem no Estado; 2)Promover a implantação de centros de ensino, pesquisas e gerenciamento sobre possíveis desastres dentro do Estado; 3) Promover a prevenção, a preparação, o monitoramento e a resposta a áreas atingidas por desastres.

Em outros estados e países a defesa civil possui em seu quadro técnico geólogos que desenvolvem diversos trabalhos para mapear áreas de riscos, desenvolver cartilhas de orientação, realizar estudos sobre a drenagem e permeabilidade, estudos de uso e ocupação do solo através das cartas geotécnicas entre muitas outras funções. Precisamos que Mato Grosso siga os exemplos dos estados que estão lidando com esta temática de forma técnica, e desenvolvendo ações não só quando o leite já derramou, e sim realizando medidas de prevenção.

No final do ano passado as entidades ligadas à geologia fizeram uma carta (Abaixo) relatando a falta de profissionais nas secretarias do governo. É preciso que o estado estabeleça um corpo técnico capaz de realizar todas as medidas de prevenção e mitigação de desastres naturais, por isso, reforço o coro das entidades da geologia. Governador Pedro Taques, abra CONCURSO PÚBLICO para geólogos JÁ!

CARTA À SOCIEDADE MATO-GROSSENSE

A comunidade geológica do Estado de Mato Grosso, vem por meio deste documento, deixar clara sua insatisfação, quanto ao descaso com que esta ciência e profissão vem sendo tratada, uma vez que os profissionais da Geociências que compõe o quadro de servidores estaduais, é ínfimo, quando confrontada com a importância deste segmento profissional para o Estado de Mato Grosso.

A ausência de geólogos nos quadros técnicos nos diversos órgãos do estado, tais como Secretaria de Estado de Infraestrutura – SINFRA, Secretaria de Estado das Cidades – SECID e Secretaria de Agricultura Familiar e Assuntos Fundiários – SEAF, ou a existência de quadros técnicos insuficientes em diversos outros setores, podem comprometer  a qualidade técnica dos projetos, a exemplo das obras de mobilidade urbana na cidade de Cuiabá.

A ausência desses profissionais, nesses projetos coloca em risco a eficiência e boa aplicação de recursos públicos, além de possibilitar que políticas sejam implementadas sem as devidas orientações técnicas. Em casos mais graves, a ausência de estudos geológicos pertinentes pode acarretar desastres e, consequentemente, colocar em risco a vida da população.

Portanto, torna-se indispensável a compreensão por parte dos gestores que o conhecimento geológico é fundamental no desenvolvimento de projetos tais como: infraestrutura, saneamento básico, mobilidade, reforma agrária, uso e ocupação do solo, planejamento da utilização dos recursos hídricos, recuperação de áreas degradadas, assim como, para o planejamento de ações de prevenção ou mitigação de impactos ambientais como secas, enchentes, deslizamentos de encostas e grandes erosões.

O Estado não pode continuar se omitindo ao propor ações ignorando o conhecimento geológico da área/região. Ao se analisar as ações realizadas nas últimas décadas, constata-se que grandes obras foram paralisadas por vários motivos, entre os quais se destaca a falta de conhecimento geológico. Toma-se como exemplo as obras da copa do mundo, com deslizamento de encostas, pontos de alagamento por falta de estudo da bacia de drenagem, dentre outros. Além disso, o conhecimento geológico do Estado, define as coordenadas que orientam a pesquisa/explotação racional de bens minerais metálicos e não metálicos e, especificamente para a construção civil, na extração de agregados (brita, areia e argila), e de insumos agrícolas para o agronegócio a exemplo do calcário e fosfato, de suma importância para economia estadual.

Desta forma se faz necessária a criação de políticas públicas e planejamento para a utilização racional desses e de outros bens minerais.

Desde o inicio do ano entidades ligadas aos profissionais das geociências, vêm se reunindo com diversas Secretarias do Estado para debater as ações pertinentes ao setor mineral, entre elas a Casa Civil, SECID e Gabinete de Desenvolvimento. No entanto, infelizmente quando da abertura do Edital de Contratação Temporária publicado recentemente pela SECID, encontram-se contempladas diversas e importantes áreas técnicas, exceto os geólogos.

Destarte, a expectativa desse documento é alertar a sociedade mato-grossense como um todo e o Governo do Estado em particular, a fim de que providências sejam tomadas para as devidas correções dessa distorção. Acredita-se na boa gestão e na aplicação correta dos recursos dos contribuintes e isso passa pela realização de obras com responsabilidade e responsáveis técnicos qualificados.

Sendo assim as entidades de classe ligadas aos profissionais das geociências vem a público solicitar:

1) Abertura de concurso público para geólogos no estado para compor o quadro técnico das Secretarias: SEDEC, SEAF, SINFRA, SEPLAN, SECID, SEMA, Defesa Civil dentre outros);

2) Inclusão de geólogos dentro do quadro de pessoal a ser contratado no TAC assinado para conclusão de Obras da Copa;

3) Criação de uma comissão permanente para debater as políticas de geologia e mineração no estado.

Assinam essa carta:

Sindicato dos Geólogos do Estado de Mato Grosso – SINGEMAT

Associação dos Geólogos de Cuiabá – GEOCLUBE

Associação Profissional dos Geólogos de Mato Grosso – AGEMAT

Centro Mato-grossense de Estudos Geológicos – CEMATEGE

Executiva Nacional Dos Estudantes De Geologia – ENEGE

Federação Brasileira dos Geólogos – FEBRAGEO

 

 

———-

Caiubi Kuhn  é Professor do Instituto de Engenharia da Universidade Federal de Mato Grosso 

Conselheiro-Suplente do CREA-MT 

Diretor de Relações sindicais do Sindicato dos Geólogos de Mato Grosso (SINGEMAT)

1 Comentário

Assinar feed dos Comentários

  1. - Responder

    Na realidade o governador quer acabar com a mineração no estado ele não vê com bons olhos esse setor principalmente porque assumiu compromissos além de seus poderes recentemente em Paris. E claro que na logica dele vai priorizar uma parcela dos seus eleitores e definhar a menos favorecida, radicalizando com o setor mineral e florestal e dando concessões aos amigos produtores do setor de agronegócios. Para se ter uma ideia licenças ambientais na Secretaria de Meio Ambiente chegam a ficar até por anos sendo analisadas e reanalisadas em contrapartida segundo o Ministério do Meio Ambiente, a concessão de licenças ambientais provisórias para atividades agropecuárias instituída por Taques através de decreto, em agosto desse ano, acabou afrouxando a fiscalização e fazendo com que o desmatamento explodisse no estado. Ele nega. E para barrar esse crescimento pediu R$ 40 bilhões ao governo federal e organismos internacionais. “O custo da implementação do Código Florestal no estado custará 10 bilhões de dólares – quase 40 bilhões de reais”, afirmou a jornalistas essa é a politica que a sociedade quer já vimos esse filme antes, chama-se amigos dos amigos, enquanto isso os setores menos prestigiados como a Mineração ficam abandonadas.

Deixe seu Comentário

Seu endereço de email não será publicado.
Campos com * são obrigatórios.

treze + 15 =

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.