BRENO ALTMAN: “As correntes reacionárias podem reclamar o quanto quiserem, mas a Venezuela não está isolada como o Chile de Allende ou o Brasil de João Goulart, a bel prazer dos que almejam destruir as instituições democráticas”. CONFIRA AS FOTOS FALSIFICADAS DO PRETENSO CONFLITO NA VENEZUELA QUE SE ESPALHAM PELO MUNDO

ALTMAN: HORA DE DIZER A VERDADE PARA CLÓVIS ROSSI

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Em artigo exclusivo para o 247, o jornalista Breno Altman contesta tese de Clovis Rossi, colunista internacional da Folha, que defendeu uma censura do Itamaraty à Venezuela de Nicolás Maduro: “O presidente Nicolás Maduro tem reagido com firmeza e equilíbrio para deter a onda de violência e os planos de sublevação. Cumpre obrigação de preservar a democracia e a paz como manda a lei; estende as mãos para quem não compactua com o golpismo, ao mesmo tempo que promete ser implacável contra os que quiserem usurpar o poder pela força”, diz; “As correntes reacionárias podem reclamar o quanto quiserem, e Clóvis Rossi pode lhes oferecer consolo, mas a Venezuela não está isolada como o Chile de Allende ou o Brasil de João Goulart, a bel prazer dos que almejam destruir as instituições democráticas”, conclui

 

Por Breno Altman, especial para o 247

O jornalista Clóvis Rossi, um dos mais respeitados do país, escreveu ontem, na Folha de S.Paulo, artigo intitulado “Hora de dizer a verdade a Maduro”, criticando a posição atual do governo brasileiro acerca da crise venezuelana. Seu texto considera, a partir dos números das últimas eleições presidenciais, que o vizinho ao norte está “rachado ao meio”. E conclui: apoiar o presidente Nicolás Maduro seria “dar às costas à metade da população venezuelana, erro que nenhum país sério pode cometer.”

Traz vício de origem o apelo à neutralidade e a eventual papel moderador que poderia desempenhar a diplomacia brasileira. Rossi, com a elegância de sempre, mas desconhecimento sobre o assunto, parece estar abordando situação normal de conflito. Como se fosse, por exemplo, uma competição eleitoral ou um rallypacífico de setores oposicionistas.

O venerando repórter atropela o próprio registro que encabeça sua coluna, ao lembrar do golpe de Estado que derrubou Hugo Chávez em 2002, para vender versão edulcorada e neutra dos acontecimentos em curso, insinuando que se trata de um choque legítimo entre blocos políticos.

Nem mesmo o governador de Miranda e ex-candidato presidencial da direita, Henrique Capriles, acredita nessa lorota. Faz questão de manter distância regulamentar da aventura extremista apelidada de la salida pelos white blocs do golpismo venezuelano. Ali está em curso, novamente, operação violenta e articulada para apear do poder um presidente constitucional.

Não pode haver hesitação quando está em jogo a democracia. Defender a legalidade e a soberania popular é a tarefa fundamental dos governos da região, a começar pela mais importante de todas essas nações. A presidente Dilma Rousseff, ao subscrever nota incisiva do Mercosul e declaração inequívoca da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), dá demonstração de grandeza e liderança. Contemporizar com o golpismo, como sugere Rossi, seria atitude pusilânime e apequenada.

Os interesses que se movem nas sombras do vandalismo oposicionista são tão perigosos quanto os objetivos dos grupos ensandecidos que fantasiam tomar Miraflores de assalto. A guerra cibernética e midiática, manipulando informações e imagens, sinaliza que o discurso de Barak Obama, alinhado à intentona da direita, não se esgota no palavrório. A Casa Branca dá sinais que considera a derrocada de Maduro, já e agora, um componente fundamental de sua geopolítica para o petróleo e a América Latina.

O silêncio brasileiro, portanto, não seria apenas desfeita à causa democrática que tanto sangue, suor e lágrimas custou ao continente. Nações que desejam construir caminhos autônomos, em aliança com seus parceiros naturais, devem ter na solidariedade uma política de Estado. Fraquejar nessas horas significaria retirar os sapatos diante de quem aspira retornar à época em que esse canto do mundo aceitava ser o quintal de uma potência imperialista.

Por fim, a tese da “divisão ao meio” é falácia para subtrair legitimidade de um governo soberano. Desde quando uma pequena diferença eleitoral torna iguais quem ganhou e quem perdeu na escolha popular? Está correto um jornalista do calibre de Clóvis Rossi omitir que o chavismo venceu 17 das 18 contendas eleitorais que travou desde 1998? Que elegeu 20 dos 23 governadores nas últimas disputas regionais? E 75% dos prefeitos em consulta às urnas há menos de três meses?

O presidente Nicolás Maduro tem reagido com firmeza e equilíbrio para deter a onda de violência e os planos de sublevação. Cumpre obrigação de preservar a democracia e a paz como manda a lei, mas sua aposta principal é convocar às ruas seus compatriotas, em defesa da Constituição. Estende as mãos para quem não compactua com o golpismo, ao mesmo tempo que promete ser implacável contra os que quiserem usurpar o poder pela força.

Não poderia ser outra a atitude do governo que não ombreá-lo na resistência legalista. As correntes reacionárias podem reclamar o quanto quiserem, e Clóvis Rossi pode lhes oferecer consolo, mas a Venezuela não está isolada como o Chile de Allende ou o Brasil de João Goulart, a bel prazer dos que almejam destruir as instituições democráticas.

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Venezuela, 2014: “EUA apoiaram os opositores violentos”

17/2/2014, [*] Eva Golinger (entrevista à  Juan Manuel KargTiempo Argentino)
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu
 Eva Golinger
Eva Golinger
Filha de família venezuelana, Eva Golinger [*] nasceu em New York em 1973. Premiada várias vezes por suas pesquisas acadêmicas, estuda atualmente a ingerência dos EUA na Venezuela e em outros países da América Latina. É conhecida por seus livros, dentre outros El código Chávez y La agresión permanente, [1] no qual decifra a vinculação das agências norte-americanasUSAID e NED com várias tentativas de desestabilizar a Venezuela. Tiempo Argentino (TA) entrevistou-a, com exclusividade, para ouvir sua opinião sobre os eventos recentes na Venezuela, as semelhanças com a tentativa de golpe de estado de 2002, diferenças na oposição, solidariedade continental com o governo de Maduro e a ligação entre esses fatos e o momento econômico pelo qual a Venezuela está passando.
TA – Depois da violência durante uma manifestação da oposição, o oficialismo rapidamente denunciou que Leopoldo López, ex-prefeito de Chacao e que, em 2002, assinou o Decreto Carmona, estava por trás daquilo. O Decreto Carmona suprimiu as garantias constitucionais e “formalizou”  o golpe de Estado. Qual sua opinião sobre tudo isso? A senhora vê alguma relação entre o golpe de 2002 e o que houve 4ª-feira passada (12/2/2014)?
 Leopoldo López
Leopoldo López
Eva Golinger – Há semelhança muito contundente entre o que se passa hoje na Venezuela e o golpe de Estado em abril de 2002 contra o presidente Hugo Chávez. Por exemplo, durante o golpe de 2002, os veículos da imprensa-empresa privada tiveram papel protagonista, distorcendo os fatos e “desnoticiando” o que se passava no país, tanto nacional como internacionalmente, para justificar qualquer tipo de ação contra o governo. Usaram franco-atiradores para matar chavistas e opositores nas ruas durante as manifestações, e tudo passou a ser manipulado para responsabilizar o governo pelo massacre.
O governo dos EUA condenou imediatamente o governo de Chávez, condenação que se baseou nas mentiras publicadas, e também imediatamente reconhecer o governo dos golpistas, que só permaneceu dois dias no poder, de 11 a 13 de abril. De fato, Washington havia apoiado o golpe desde o início, inclusive com dinheiro para os grupos envolvidos, e ajuda de equipamentos militares e de estrategistas políticos e de comunicações.
Agora, se vê algo parecido com os veículos da imprensa-empresa privada na Venezuela, e também os meios internacionais, que mentem sem parar sobre a violência, culpando o governo de Nicolás Maduro por tudo que acontece, quando, na realidade, são os manifestantes da oposição que estão provocando toda a violência. Nas manifestações de 12/2/2014 houve três mortos, opositores e chavistas. As autoridades venezuelanas já informaram que dois desses jovens – um chavista e um opositor – foram mortos por tiros que partiram da mesma arma. É claro que isso sugere a presença de um franco-atirador ou de um agente infiltrado para matar gente dos dois lados e, assim, provocar mais violência de um lado contra o outro.
 Nicolas Maduro e o POVO
Nicolás Maduro caminha com o povo venezuelano
Já se sabe também que os veículos internacionais estão divulgando imagens de protestos e atos de repressão em outros países (Grécia, Cingapura, Chile, Egito, Argentina – em 2001) e noticiando que seriam imagens da Venezuela, para divulgar uma falsa imagem do governo venezuelano como repressor.
Mas o governo dos EUA apoiou os opositores violentos desde o início – com dinheiro e apoio político. O Departamento de Estado já fez declarações “condenando” o governo de Maduro por uma suposta repressão contra os manifestantes e exortando que “respeite os seus direitos humanos”.
Nada poderia ser mais hipócrita, porque nos EUA o estado jamais permitiu manifestações tão violentas como as que a oposição está fazendo na Venezuela, bloqueando estradas, destruindo edifícios públicos, queimando lixo e pneus nas ruas, lançando coquetéis molotov.
Venezuela-Eva Golinger-El codigo Chavez-livroOs envolvidos nas atuais manifestações e em abril de 2002 também são os mesmos. Gente como Leopoldo López, radical de extrema direita, que sempre esteve por trás de atos de violência contra o governo Chávez, agora contra o governo de Maduro. Em abril de 2002, López era prefeito de Chacao, em Caracas. Hoje, ele e outra dirigente da extrema direita, María Corina Machado – que também estava ativa no golpe de 2002 e assinou o decreto do ditador Pedro Carmona, que dissolveu todas as instituições do país – são os responsáveis pela “nova” violência. Passaram meses convocando seus seguidores para tomarem as ruas e derrotar o presidente Maduro. Disseram, até, publicamente, que a saída para o governo não é “eleitoral”.
A grande diferença entre 2002 e hoje são os personagens das ações: hoje são grupos de jovens e estudantes; e em 2002 eram os próprios políticos que antes haviam estado no poder. Sim, os jovens opositores vem, principalmente, da classe média e da classe alta. Não estão na rua para lutar por direitos populares. O que querem é tomar o poder do povo para “devolvê-lo” às grandes empresas e às elites ricas. E muitos deles fizeram parte de ONGs que recebem centenas de milhares de dólares das agências de Washington ao longo dos últimos sete anos, com o objetivo de treiná-los e formá-los nas táticas e estratégias de desestabilização, para derrotar o governo e pôr aqui um governo que favoreça os interesses dos EUA.
TA – Depois dos eventos da 4ª-feira (12/2/2014), vê-se que a oposição conservadora parece seguir duas linhas diferentes. Uma, pode-se dizer, “mais dialoguista”, com Capriles e Falcón, que denunciam o governo, mas têm medo de voltar às ruas; e outra, ainda mais de direita, encabeçada por López e Machado, que quer continuar com os protestos e a confrontação. A que se deve essa mudança na tática de alguns setores da oposição, depois da derrota de dezembro passado? Terão escolhido “outra via” para tentar derrotar Maduro?
Eva Golinger – Sempre houve divisões entre os setores da oposição. Eles não são partido unido, nem partilham a mesma ideologia, como é o caso dos chavistas e do chavismo. Há mais de 20 partidos diferentes na oposição, além das ONGs e outros grupos, cada um com agenda própria. A única ideia comum a todos é o desejo de derrubar o chavismo, agora o governo de Nicolás Maduro. Mas daí a apresentar qualquer alternativa de governo ou modo de governar, que reúna todos esses grupos, não, não há, e jamais houve, em 15 anos.
 Capriles
Henrique Capriles
Então vivem a operar táticas diferentes, novos “alinhamentos” para a “luta” política deles. Faz alguns meses, Capriles levou seus seguidores à mais extrema violência, quando foi derrotado nas eleições presidenciais, e Maduro foi eleito, em abril de 2013. Mas quando a ação dele resultou na morte de 11 pessoas e teve alto custo político para ele, Capriles baixou o tom. Outros, como Antonio Ledezma, atual prefeito metropolitano da Grande Caracas, que também já tentou convocar golpes, agora está interessado em não perder o poder que tem hoje, para talvez concorrer à presidência, daqui a alguns anos. Quer dizer: cada um tem sua própria agenda.
López e Machado estão mais desesperados: os dois querem ser presidentes “já”; mas a verdade é que têm poder político muito limitado.
TA – A Chancelaria da Venezuela recebeu inúmeras manifestações de solidariedade com a Revolução Bolivariana, ante os eventos desses dias. Argentina, Brasil, Equador, Bolívia, Nicarágua e Cuba manifestaram seu apoio ao governo de Maduro, contra as tentativas de “desestabilizá-lo”. A senhora acredita que o momento político da América Latina e Caribe, com maioria de governos pós-liberais, torna menos provável um golpe de estado na Venezuela?
Eva Golinger – Acredito que, certamente, a união, a força, a consciência da própria soberania que se vê hoje na América Latina, graças aos esforços e ao impulso que lhes deu o presidente Hugo Chávez, serve como principal anteparo e como proteção para os governos democráticos da região. As mostras de solidariedade e apoio, vindas de países da região, ao governo de Maduro comprovam essa força. E não é a primeira vez que a união e a solidariedade regional impedem um golpe de estado por aqui, contra governo progressista: já aconteceu na Bolívia em 2008 e no Equador em 2010. Agora, o apoio oferecido à Venezuela mostra que a região não aceitará outro golpe ou ruptura constitucional contra governo democrático, e isso é muito importante.
O MERCOSUL repudia a tentativa de golpe
Os Estados-membros do MERCOSUL emitiram comunicado conjunto sobre a situação na Venezuela, no qual
 mercosul
(…) repudiam todo tipo de violência e intolerância que visem a atentar contra a democracia e suas instituições, qualquer que seja a origem. Reiteram seu firme compromisso com a plena vigência das instituições democráticas e repudiam as ações criminosas dos grupos violentos que querem disseminar a intolerância e o ódio como instrumento de luta política. Expressam o mais firme repúdio às ameaças de ruptura da ordem democrática legitimamente constituída pelo voto popular e reiteram sua firme posição na defesa e preservação da institucionalidade democrática. Conclamam a continuar a aprofundar o diálogo sobre os problemas nacionais, no marco da institucionalidade democrática e do estado de direito, como foi promovido pelo presidente Nicolás Maduro com todos os setores da sociedade.

 Eva Golinger2
[*] Eva Golinger é advogada, especialista em leis internacionais sobre direitos humanos e imigração. Desde 2003, investiga, analisa e escreve sobre a intervenção dos EUA na Venezuela, recorrendo ao Freedom of Information Act (FOIA) para obter informações sobre os esforços do governo norte-americano para minar os movimentos políticos progressistas da América Latina. Desde 2005, Golinger vive em Caracas, Venezuela. Em 2009, venceu o Prêmio Internacional de Jornalismo no México. “A noiva da Venezuela” como era chamada pelo presidente Hugo Chávez, é autora de vários títulos de sucesso: Bush vs. Chávez: Washington’s War on Venezuela (2007, Monthly Review Press),The Empire’s Web: Encyclopedia of Interventionism and SubversionLa Mirada del Imperio sobre el 4F: Los Documentos Desclasificados de Washington sobre la rebelión militar del 4 de febrero de 1992 e La Agresión Permanente: USAID, NED y CIA.
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Como se constrói a encenação de “protestos” anti-governo na Venezuela

Galeria de fotos
16/2/2014, Dawgs BlogGlobal Research
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu
 Venezuela-manifestantes anti-governo-atiram-pedras
Manifestantes anti-governo jogam pedras (Venezuela em 12/2/2014)
A política polarizada da Venezuela está outra vez nos veículos da imprensa-empresa, com manifestações pró (primeira foto abaixo) e antigoverno, com, até agora, quatro mortos: um apoiador do governo; um manifestante da oposição; um policial; e um morto cuja origem não está determinada.
 Pro-Government-Rally-in-Venezuela
Manifestação pró-governo em 14/2/2014
Mas a imprensa está noticiando como se TUDO fosse “prova” da repressão por forças do governo.
Praticamente TODAS as imagens que estão sendo exibidas são imagens repetidas, de outros “eventos”. A atual “crise” está sendo integralmente inventada pelo “jornalismo”.
Não há quem não lembre as manifestações/contramanifestações no Palácio Miraflores em 2002, no início do golpe, que teve vida curta, contra Hugo Chávez.
Houve 19 mortos, naquele dia. Sete deles estavam na manifestação pró-Chávez; sete na manifestação anti-Chávez; e cinco eram passantes. Houve também no total 69 feridos, naquele dia. 38 na manifestação pró-Chávez, 17 na manifestação da oposição, e 14 eram repórteres ou passantes.
TODOS esses mortos e feridos foram apresentados como vítimas de Chávez – pela oposição e por quase a totalidade dos veículos da imprensa-empresa internacional. Como se Chávez tivesse ordenado aos militares e a militantes pró-Chavez que atirassem contra os comícios da oposição. Como se vê acontecer novamente hoje, a única coisa que se prova é que, então, o lado do governo é campeão de errar o alvo.
No que tenha a ver com a Venezuela, a imprensa-empresa internacional sequer se dá ao trabalho de fingir alguma “objetividade”.
A Venezuela é ameaça direta e declarada contra a ordem hegemônica, caracterizada hoje por estados latino-americanos domesticados, ditaduras emergentes apoiadas pelos EUA os quais, todos, aceitam como bons meninos e boas meninas as políticas econômicas neoliberais.
Com petróleo suficiente para poder dizer “não” a tudo isso, a Venezuela criou sua própria parceria contra-hegemônica, a ALBA-TCP. E domesticamente, enquanto só se ouve falar de racionamento de papel higiênico e inflação, estão acontecendo avanços substanciais em várias frentes, já há vários anos – a pobreza continua a diminuir, há avanços notáveis na educação, na redução da mortalidade infantil, e veem-se passos rápidos na direção da igualdade de gênero, saúde materna e infantil, e proteção ao meio ambiente.
Ninguém lerá palavra sobre isso, na imprensa-empresa estrangeira que opera na Venezuela.
Só se ouve falar e lê-se sobre os sofrimentos da oposição. Imagens horríveis são diariamente repetidas em centenas de veículos, pelo Twitter, não raras vezes repetidas também em veículos considerados mais “sérios”, como a CNN (só rindo [Nrc]).
Aqui se veem alguns policiais brutais, com belos chapéus e colarinho de pele, provavelmente para se proteger do frio de 30ºC de Caracas.
Fake-Venezuela-Protest-Photo-1
E policiais búlgaros (provavelmente em visita a Caracas).
 Fake-Venezuela-Protest-Photo-2
(clique na imagem para aumentar)
E uma baixa:
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(clique na imagem para aumentar)
Mas a vítima é um manifestante chavista. E a foto foi feita ano passado.
Aqui, a foto republicada, tirada, de fato, na Argentina:
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(clique na imagem para aumentar)
E aqui uma foto feita no Chile:
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Aqui, um coitado, realmente muito azarado; foi atingido por tiros em abril e novamente, ferimento idêntico, no mesmo lugar, nos “atuais protestos”:
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(clique na imagem para aumentar)
Essa é um ícone! Mas a CNN teve de admitir que a foto foi feita, na verdade, em Cingapura:
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Essa foto foi feita na Grécia:
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Aqui, os “jornalistas” anti-Chávez roubaram, desavergonhadamente, um jornal egípcio. Essa foto correu mundo durante a Primavera Árabe:
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(Clique na imagem para aumentar)
Aqui, imagem de partir o coração, de bebês em cestas de lavanderia, com a manchete “Que revolução é essa?” A foto foi tirada em Honduras:
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Aqui, uma das minhas preferidas: uma procissão religiosa, “noticiada” como protesto anti-governo na Venezuela:
 Fake-Venezuela-Protest-Photo-11
(Clique na imagem para aumentar)
As mídias sociais, que viralizam e denunciam essa loucura, e às vezes até seduzem grandes veículos da grande imprensa-empresa, como a CNN, são também os meios pelos quais os farsantes são rapidamente desmascarados.
Os leitores considerem-se convidados a indicar mais links que comprovem a grande farsa que “a mídia” está construindo, para um país que a mesma “mídia” está inventando e que só tem em comum com o país que existe, o nome: também se chama “Venezuela”. Mas não é a Venezuela real.
Nota dos tradutores
[1] GOLINGER, Eva. El Código Chávez – Descifrando la intervención de los Estados Unidos en Venezuela, La Habana: Editorial de Ciencias Sociales, 2005. É seu primeiro livro; foi traduzido e publicado em oito idiomas: inglês, espanhol, francês,
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CONFIRA O QUE CLÓVIS ROSSI ESCREVEU SOBRE A CRISE NA VENEZUELA

CLÓVIS ROSSI

Hora de dizer a verdade a Maduro

Diplomacia brasileira não pode cometer o erro de tomar partido em uma Venezuela rachada ao meio

No finalzinho de 2002, Luiz Inácio Lula da Silva, então presidente eleito, mas ainda não empossado, enviou a Caracas o seu futuro assessor diplomático, Marco Aurélio Garcia, para um esforço de conciliação em um momento em que o país parecia caminhar para uma guerra civil.

É bom lembrar que, meses antes, Hugo Chávez havia sido deposto por um golpe de efêmera duração, claro indicativo do grau de exacerbação a que chegara o país.

Graças à gestão de Marco Aurélio, criou-se um grupo chamado de Amigos da Venezuela, que foi essencial para amortecer a crise.

Onze anos depois, a situação na Venezuela voltou ao ponto de ebulição, o que sugere que Marco Aurélio poderia ser de novo convocado para uma discreta missão moderadora. Afinal, tudo o que não interessa ao Brasil é mais turbulência em sua fronteira norte ou dar cego apoio ao regime chavista.

Antes de mais nada, é preciso aceitar que a Venezuela rachou ao meio. O resultado eleitoral do ano passado (50,6% para Nicolás Maduro contra 49,12% para o oposicionista Henrique Capriles) é definitivo a esse respeito.

Trabalhar só com o chavismo seria, assim, dar às costas à metade da população venezuelana, erro que nenhum país sério pode cometer.

Convém, portanto, ser cauteloso em relação à prisão do líder opositor Leopoldo López. Como diz José Miguel Vivanco, da respeitada ONG Human Rights Watch, “até o momento, as autoridades não apresentaram nenhuma prova séria para sustentar as acusações contra Leopoldo López, apenas insultos e teorias de complô”.

Não que a oposição faça muito diferente. O quadro no país é bem descrito por Rogélio Núñez, do site Infolatam, para quem “chavistas e antichavistas foram escalando seu ódio mútuo, a ponto de o rival se converter em inimigo irreconciliável, não em alternativa de governo”.

O problema é que quem tem a força é o governo, que pode transformar seu ódio em perseguição.

Acusar López pelas mortes nas manifestações da semana passada é ignorar as evidências de que pelo menos duas delas podem ter sido obra de agentes do Serviço Bolivariano de Inteligência, conforme vídeos divulgados pelo jornal “Últimas Notícias”.

Não por acaso, o chefe do Sebin, general Manuel Bernal, acaba de ser destituído.

Uma discreta gestão brasileira deveria incluir um palpite forte: a dramática situação econômica na Venezuela só começará a ser corrigida se o governo dialogar com o setor privado. Afinal, este ainda é majoritário (responde por 58,2% do Produto Interno Bruto, segundo dados de 2012), apesar do avanço do Estado nos anos Chávez.

Suspeito que nem o governo cubano, que pôs em marcha reformas capitalistas, recomendaria a seu amigo Maduro que adote o caminho oposto e estatize o que resta do setor privado. Só desvairados poderiam supor que o socialismo do século 21, se imitasse o do século 20, chegaria a resultados diferentes.

Fracassaria do mesmo modo.

Se o governo brasileiro quer ajudar Maduro, melhor dizer-lhe verdades óbvias.

crossi@uol.com.br

 

FONTE FOLHA DE S.PAULO

2 Comentários

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  1. - IP 177.64.247.25 - Responder

    torçamos para que o povo da venezuela consiga vencer mais essa e garantir a manutenção do governo democrático e popular do presidente nicolas maduro

    • - IP 189.59.43.22 - Responder

      Mal informada e sem piedade.Agora o portão do inferno abriu e ninguem segura, o povo foi as ruas contra o faz-de-conta bolivariano.Segura peão, que vai sacudir!Aliás muito sangue vai ser derramado,inevitável. .Estava previsto!

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