gonçalves cordeiro

Bolsonaro, truculento trapalhão, expõe patifarias de Roberto Marinho que viabilizaram a Rede Globo

Bolsonaro no JN

Que Bolsonaro é uma toupeira, a maioria dos brasileiros sabe. Até seus correligionários que o apoiam justamente por ser essa toupeira agarrada a determinadas fixações, como no caso da sua pregação contra os direitos humanos, contra os direitos das mulheres e da comunidade LGBT.

Diante de figura tão politicamente asquerosa, os apresentadores do Jornal Nacional, que estão ouvindo presidenciáveis que participam das eleições de 2018 – excluindo o presidente Lula, claro – resolveram contemporizar, aliviar.

Contra Ciro, fizeram questão de listar os processos contra o presidente do PDT, Carlos Lupi, para expor o candidato pedetista diante de uma forte contradição em seu discurso. Lupi é um político super-processado e isso bastou para que William Bonner e Renata Vasconcelos procurassem vendê-lo como mais uma ficha suja que o Ciro já teria convidado para compor o seu governo.

Contra Bolsonaro, nada de processos, nada das condenações que tem marcado a carreira deste truculento já tão exposto. Neste momento mesmo Bolsonaro está sendo julgado pelo STF por racismo.

Mas não se falou disso. O que mostra que, na elaboração dos questionamentos a Bolsonaro, atualmente o principal adversário de Lula, segundo as pesquisas, os editores do JN deram uma aliviada. Partiram para uma abordagem tangencial. Por que bater duro e colocado no principal adversário de Lula?

E mais uma vez se viu que propostas não interessam muito, ao contrário do que dizem os puristas.

Quiseram expor Bolsonaro como defensor do combate à violência com mais violência, da desigualdade salarial entre homens e mulheres, de privilégios como o auxilio moradia. Além de acusá-lo de ameaçar os trabalhadores brasileiros com a futura retirada de mais direitos, além daqueles que já perderam com a recente reforma trabalhista.

Aliviaram pra cima do Bolsonaro – mas Bolsonaro não aliviou pro lado da Rede Globo. Quando Bonner sugeriu que o vice do Bolsonaro andava ameaçando com a volta dos  militares ao poder, o candidato do PSL surpreendeu, certamente, o apresentador global, botando na roda o fundador da Globo. o jornalista e empresário Roberto Marinho. Aquele que, segundo Paulo Francis, foi “um homem chamado porcaria”.

Em seu discurso de trapalhão, Bolsonaro tentou negar a existência do golpe de 64 e da ditadura militar que se seguiu.

Disse, absurdamente, que os generais ditadores foram eleitos por cinco mandatos.

Ao mesmo tempo tentava negar que seu vice, o general Mourão, anda pregando um novo golpe militar, ao mesmo tempo tentava justificar a ditadura implantada em 64.

Lembrou, então, o editorial que Roberto Marinho, fundador da Globo, publicou na capa do jornal O Globo,  em outubro de 1964, defendendo a ação dos militares: “Participamos da revolução democrática de 1964 identificados com os anseios nacionais de preservação das instituições democráticas ameaçadas pela radicalização ideológica, distúrbios socias, greves, e corrupção generalizada.” Bolsonaro tinha o texto bem decoradinho, nem precisou anotar na mão onde anota suas colas.

E o Bolsonaro trapalhão peitou Bonner: “Roberto Marinho foi ditador ou democrata?”

Bonner ficou no tatibitate,  evitou olhar pra câmera, mostrou-se nocauteado pela verdade histórica. Sim, a verdade é dura. A Globo apoiou a ditadura.

Ainda que pela boca de um trapalhão, que buscava elogiar Roberto Marinho e procurava escorar-se na figura do empresário que fundou a Globo tentando legitimar o seu próprio discurso antidemocrático – o fato é que a patifaria da Globo foi mais uma vez exposta. E dentro do horário nobre da própria Rede Globo, no seu programa mais representativo.

“Ah, houve um editorial, o senhor deve saber….” Bonner ficou sem saber o que dizer. gaguejou e tratou de mudar de assunto.

E a Globo, ao tentar aliviar pro lado do Bolsonaro, ficou mais exposta do que diante do candidato Ciro Gomes, pretenso herdeiro de Brizola, que se desdobrou em salamaleques diante da Globo.

São curiosos os caminhos aos quais nos conduzem as contradições desses confrontos eleitorais e desses ajustes históricos …

Deve ser por isso que Karl Marx incentivava-nos a todos a acirrar as contradições…

1 Comentário

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  1. - Responder

    Vcs tem profunda inveja da Globo.Entretanto,devo concordar:Não é uma entrevista, é uma inquisição!

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