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BLOGUEIRO ENOCK CAVALCANTI: Esses senhores, como Emanuel, que mamavam no FAP deveriam devolver tudo que faturaram até aqui

 

Reproduzo, abaixo, artigo de minha autoria sobre o Fundo de Aposentadoria Parlamentar, da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, que circula hoje na edição impressa e digital do Diário de Cuiabá.

 

O FAP do Emanuel é ilegal

Por ENOCK CAVALCANTI

Meus amigos, meus inimigos: durante a campanha para a Prefeitura, muito se falou da aposentadoria precoce que o então deputado Emanuel Pinheiro mamava dos cofres da Assembleia Legislativa. Discute daqui, discute de lá, o escorregadio peemedebista sempre saia com aquela: podem dizer que minha aposentadoria é imoral, mas eu digo que é legal, um direito que tenho.

Ora, mesmo se sabendo que Emanuel se aposentou aos 32 anos, a desculpa era sempre brandida pelo peemedebista como se quem questionava o dinheiro que ele sugava, a cada mês, é que fosse o malandro da história.

Mas nada como um dia depois do outro, dizia minha mamãe Zuzu, lá em Nova Iguaçu. Para desespero do agora prefeito aposentado precocemente, eis que aparece o novo ministro do STF, Alexandre de Moraes, com aquele seu jeitão de Bruce Willis (para os mais antigos, ele seria o Yul Brynner; mas quem é que se lembra do Yul Brynner, com sua careca reluzente? Só eu, que sou uma múmia que sobrevive ao tempo). Bem, o fato é que Alexandre Moraes, em impactante decisão, garantiu que a aposentadoria do Emanuel, e outros tantos políticos metidos a espertos, é de fato ilegal. Ou seja, Ilegal e imoral, ao mesmo tempo.

Essa é uma briga antiga, travada dentro da Assembleia, na década de 90 por dois valorosos parlamentares: a professora Serys, então no PT, e o professor Wilson Santos, no PDT. Vejam que o tempo e o destino se encarregaram de arrastar Serys e Wilson para situações questionáveis. Serys, se afastando do PT, se transformou, no partido do Crivella, em uma espécie de fantasma de si mesma. Wilson, à frente da Prefeitura, deixou um lastimável legado que leva alguns de seus antigos parceiros, como o advogado Zé do Nordeste, a maldizerem as opções adotadas pelo Galinho, notadamente quando associado ao Chico Galindo.

Mas venhamos e convenhamos, como deputados Serys e Wilson foram grandes! Seja em destemor, seja no compromisso com os setores subalternizados da população. Foram capazes não só de questionarem a injusta realidade em derredor como também de se voltarem contra privilégios que beneficiavam parlamentares no Estado. São poucos os que se levantam contra o corporativismo – basta ver o triste espetáculo que se tem no MP e na magistratura de MT, onde figuras pretensamente impolutas também não vacilam em se cevar gulosamente do dinheiro público.

Esses escândalos de compra de vaga no Tribunal de Contas! Serys e Wilson sempre souberam se manter equidistantes dessas patifarias e exerceram seus mandatos com firmeza exemplar. Pena que não existam historiadores mais atentos, ou jornalistas competentes para contar com profundidade o exemplo de dignidade que Serys e Wilson deram no exercício de seus mandatos.

Bem, hoje só queria dizer que para Emanuel e demais privilegiados do FAP, parece que não tem mais jeito. Esses senhores que mamavam no FAP deveriam pensar em devolver tudo que faturaram até aqui, de forma indecente, despudorada e cruel para com a população mais pobre.

Enock Cavalcanti, jornalista e blogueiro, é editor de Cultura do Diário

1 Comentário

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  1. - Responder

    Inconstitucionalidade não se combate com inconstitucionalidade.
    A meu ver, a decisão do “Ministro” feriu um dos princípios mais caros ao Estado Democrático de Direito: a garantia do contraditório e da ampla defesa (CF, art. 5º, LV).

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