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BLOGUEIRO ENOCK CAVALCANTI: A confissão de Riva apenas começou. Será que alguém tem interesse que a delação do pai da Janaina não seja efetivada?

 

Divulgo, abaixo, versão estendida do artigo sobre o episódio da confissão do ex-deputado Riva que é divulgada hoje, 5 de abril, na edição impressa do jornal Diário de Cuiabá:

 

A coragem do Riva

Por Enock Cavalcanti

Meus amigos, meus inimigos: não posso deixar de louvar a coragem do ex-deputado Geraldo Riva ao resolver assumir ativa participação na roubalheira praticada por enorme gangue de políticos, a partir dos anos 2000, na gestão da Assembleia Legislativa e, por que não dizer, em toda a gestão pública de MT.

Vejam que, nesses primeiros depoimentos, Riva lançou luz sobre malfeitos não só de deputados estaduais, como de governadores, devendo alargar revelações com relação à participação, nesse assalto, de autoridades do Tribunal de Contas, magistrados, contadores, servidores públicos das mais diversas categorias e, para azar nosso, também jornalistas. Sim, jornalistas, já que Humberto Bosaipo, que estaria na gênese do esquema, começou como assessor de imprensa do grupo político conhecido como a família Campos. Revelações sobre atores da nossa mídia regional, hoje em dia, também podem acontecer, tendo em vista os processos recentes envolvendo a possível parceria criminosa de Riva com grandes empresários das empresas gráficas

A confissão de Riva apenas começou – e vejam que a juíza Selma Arruda já lhe tacou nas costas uma condenação a 21 anos de cadeia, antes que o ex-chefão da Assembleia pudesse concluir as tratativas para uma aprofundada delação premiada junto ao Ministério Público. Será que alguém tem interesse que a delação não seja efetivada?

Penso que, a partir da confissão do sr. Riva – cuja honestidade fui dos primeiros a questionar durante o tempo mais festivo do seu reinado – temos a oportunidade de passar a limpo as práticas político-partidárias em MT. Essa primeira etapa de sua confissão aponta apenas para uma ponta do imenso iceberg da corrupção que viceja por aqui.

Será de suma importância que, além do MP Estadual e Federal e ongs de combate à corrupção, tenhamos uma Comissão Parlamentar de Inquérito e uma matilha de jornalistas investigativos avançando para além das revelações que Riva listou na sexta-feira, 31 de março de 2017.

Vejam que a palavra do Riva não pode valer por si só. Podem existir pessoas inocentes nessa enxurrada de nomes. Mas não podemos ficar presos a esta troca de amabilidades, entre acusador e acusados, como no espetáculo desanimador que vem sendo promovido por alguns setores mais acomodados e displicentes da nossa mídia. O desafio é investigar, investigar, investigar.

Não basta, portanto, Riva dizer que o atual secretário adjunto da Casa Civil, Carlos Brito, participou da rapinagem ou Brito negar que o tenha feito, para que isso satisfaça às exigências de  uma investigação competente. O governador Zé Pedro Taques, que foi sagaz procurador da República, sabe que investigação pra valer não se faz assim. É preciso mergulhar nos documentos da época em que Brito e Riva foram deputados. Solicitar a quebra de sigilos, se for o caso. Buscar testemunhos mas, principalmente, a materialidade das práticas delitivas.

E se isso deve ser feito com relação a Brito, também deve ser feito com relação a todos nomes que o corrupto Riva agora cita. Deve-se levantar, nos mínimos detalhes, por exemplo, fatos e  documentos que possam comprovar que teria sido na administração de Dante de Oliveira, tido e havido como o santo tucano de MT, que a prática da corrupção ativa e passiva, nas relações entre Governo e Assembleia, teria se radicalizado.

Uma pena que o atual governador, que apontou a importância de uma CPI na Assembleia, para investigar essa sujeirada toda, agora se cale. Com a CPI, certamente se abrirá  importante espaço para que a apuração não fique restrita apenas ao gabinete do MP mas, sim, que se espraie pela sociedade, fazendo destes tempos de Zé Pedro Taques uma temporada de efetiva limpeza na política de MT.

Me assusta pensar que, aprisionado pela lógica do governo de coalização, Zé Pedro Taques possa permitir que gente como Gilmar Fabris e Mauro Savi iniba o desnudamento de toda patifaria que os políticos corrompidos no período Dante-Maggi-Silval estariam agora interessados em jogar para debaixo do tapete.

 

Enock Cavalcanti, jornalista e blogueiro, é editor de Cultura do Diário

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