Blairo e Pagot perderam.Welington controla obras do Estado

Discreto na mídia mas sempre bem articulado nos bastidores, Welington Fagundes (ao centro) continua com forte influência sobre a secretaria de Infra-estrutura do governo

Silval resiste a pressão de aliados e empurra reforma para após a eleição

Edilson Almeida e Rubens de Souza
Redação 24 Horas News

Ninguém sairá do Governo até o término das eleições, em outubro. A menos que haja interesse do secretário em deixar o cargo. No que depender do governador Silval Barbosa, a reforma administrativa está suspensa por hora. Sob o apelo de reduzir o tamanho da máquina governamental e consequentemente as despesas, aliados travavam intensa queda de braço por alguns cargos estratégicos.

Pressionado por vários lados, o governador decidiu “empurrar” o debate para o final do ano. “O momento agora não é o mais ideal” – avaliou uma alta fonte palaciana, ao reproduzir a decisão do governador. “O governador quer mais tempo, dialogar com os aliados e definir o que precisa ser feito”. Silval quer esperar a reconfiguração de forças para “tocar” o projeto defendido pelos aliados.

No curso da reforma, uma das secretarias mais disputadas é a de Transportes e Pavimentação Urbana. Aliás, pode ser classificada como “pivô” da cobiça política e, por tabela, do conflito entre os aliados. Mesmo enfrentando déficit orçamentário, a SETPU exerce fascínio por causa de seu campo de atuação. Sobretudo agora que o Governo conseguiu obter aporte financeiro de R$ 2,1 bilhões para serem aplicados em obras de infraestrutura, na mobilidade urbana e também para concluir a interligação asfáltica de 40 municípios .

A Secretaria é ocupada atualmente por Arnaldo Alves, cujo nome é avalizado pelo Partido da República. Arnaldo conta com o apoio do deputado federal Wellington Fagundes, que atua na área de infraestrutura junto ao Governo Federal. O PR controla o Ministério dos Transportes e, consequentemente, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, o DNIT.

A disputa pelo cargo começa dentro do próprio PR. Não há quem negue que a sigla está dividida. Existe um grupo que tentava fazer o vereador Francisco Vuolo o titular do cargo. Vuolo articulava para ser candidato a prefeito de Cuiabá, mas quando se deu conta, um grupo já tinha negociado para apoiar o candidato do PSB, empresário Mauro Mendes. Antes de deixar o Governo, Vuolo era secretário de Logística Intermodal de Transportes, que deve ser extinta na reforma.

O grupo por trás de Vuolo é liderado pelo senador Blairo Maggi e conta com o respaldo do economista Luiz Antônio Pagot, que, recentemente, acusou o deputado Fagundes de promover tráfico de influência junto ao DNIT, na época em que ele, Pagot, era diretor-geral. Fagundes tentava ajudar a Delta, empresa de fortes ligações com o bicheiro Carlinhos Cachoeira.

Além da disputa interna, o cargo ocupado por Alves é desejado pelo PSD, que deixou o Governo e entregou os cargos para permitir que o governador executasse a reforma. O PSD é liderado pelo deputado José Riva, atual presidente da Assembléia Legislativa.

Outro que também quer ter um aliado mais próximo na Secretaria de Transportes é o deputado federal Carlos Bezerra, do PMDB. O líder do Governo na Assembléia Legislativa, deputado Romoaldo Junior, também defende a reforma administrativa do Governo por considerar que o Estado está grande demais e muitos poderes com “gordurinhas”, ou seja, gastando muito com servidores.

Categorias:Jogo do Poder

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