gonçalves cordeiro

Ativistas do MCCE, Ong Moral e Nas Ruas cometeram uma violência contra o desembargador Carlos Alberto Rocha. Como é que pode, militantes que dizem defender o Estado de Direito, tratarem como réu um homem que foi inocentado das acusações apresentadas contra ele?

Ministros Castro Meira, Massami Yeda, Raul Lara, Asfor Rocha e Teori Albino votaram, no STF, pelo não recebimento da denúncia contra o desembargador Carlos Alberto, por entender que os elementos não eram suficientes para a instauração da ação penal. Denúncias contra Carlos Alberto Rocha morreram na fase do inquérito - mas a Ong Moral, o MCCE e o Movimento Nas Ruas, sem apresentarem nenhum elemento novo de prova, insistem em não aceitar a inocentação do desembargador.

Retorno de uma rápida viagem a Campo Grande e encontro amigos e companheiros da Ong Moral e do MCCE mais uma vez ocupando lugar destacado nas páginas da mídia. É que o desembargador Carlos Alberto Rocha, que deveria ser indicado para a presidencia do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso, acabou não se inscrevendo e o TRE deve ser presidido, agora, pela desembargadora Maria Helena Póvoas. A desistência do desembargador está ligado a uma nota de repúdio contra a sua indicação, divulgada pelos ongueiros.

Confesso que não me sinto bem diante desse ataque avassalador contra um desembargador que foi alvo de acusações, sustentadas simplesmente por indícios  mas que acabou completamente inocentado, no Superior Tribunal de Justiça, de todas as acusações contra ele apresentadas. De acordo com o respeitado ministro César Asfor, a relatora da acusação contra o desembargador, a ministra Nanci Andrighi teria tentado forçar a mão contra o acusado. Vimos, durante o inquérito, o respeitado ministro César Asfor destacar, inclusive, que as acusações contra César Asfor tinha sido apresentadas por bandidos. Mesmo assim os militantes dos movimentos de combate à corrupção insistem na denuncia contra o desembargador.

Todos estes dados, todavia, parece que não significaram nada para o pessoal do MCCE, da Ong Moral e do Movimento Nas Ruas. Esses militantes parecem ter montado um tribunal de justiçamento particular e escolheram o desembargador Carlos Alberto para Cristo. Fizeram uma escolha aparentemente discricionária, preconceituosa – e devo apresentar meus argumentos contra esta postura, quando não seja para esclarecer posições e firmar um debate que estabeleça rumos mais democráticos para situações como essa. Sempre entendo que a Ong Mora, entidade da qual participo com muito orgulho, funciona como uma associação de homens e mulheres livres, pautados pela afirmação da ética e da moralidade na convivência social.

Confesso, realmente, que não entendo.Se o desembargador Carlos Alberto restou inocentado, por que então essa campanha apaixonada contra ele? Como integrante da Ong Moral, entendo que não é papel da Ong substituir qualquer tribunal mas batalhar para que nossos tribunais julguem com a devida isenção, baseados nas provas e sempre respeitando a Lei. Então, para exigir essa qualidade de atuação do Poder Judiciário, certamente que não podemos nos lançar em denúncias que não se escorem em provas robustas. Uma coisa é desconfiar de alguém, em foro íntimo, evitar o seu convivio, etc e tal, que é um direito de todos, outra coisa é atacar esse alguém, publicamente, sem expor a devida prova da acusação.

Será que, antes de julgar qualquer pessoa e também os seus atos, não é preciso tentar entendê-lo? Será que não é preciso um pouco mais de paciência diante dos fatos e das pessoas para melhor nos colocarmos diante do mundo e da vida?

Para um perfeito entendimento do posicionamento da Ong reproduzo matéria do insuspeito site RD News:

MCCE faz apelo contra indicação de Carlos Alberto à presidência do TRE
Laura Nabuco

   Três movimentos sociais, entre eles o de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) emitiram nota pública nesta quinta (11) externando preocupação quanto à possibilidade do desembargador Carlos Alberto Alves da Rocha ser escolhido para presidir o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) pelos próximos dois anos. No documento, eles alegam que não querem a indicação de um magistrado “que tem contra si, pelos menos, suspeitas de comportamento incompatível com a dignidade do cargo”.

   Carlos Alberto é um dos citados no processo que se originou apartir da Operação Asafe, que investigou denúncias de vendas de sentenças em Mato Grosso. Conforme o MCCE, as acusações contra ele já foram acolhidas pelo voto de três ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que ainda investiga o caso. “Embora rejeitadas por maioria, restam dúvidas sobre a participação ou não dele nos fatos denunciados pelo Ministério Público”, diz trecho da nota.

   O TRE foi um dos pivôs do escândalo, já que entre os afastados do cargo está o ex-presidente do Pleno, Evandro Stábile. As entidades que assinam a “carta de apelo” ressaltam ainda que durante a última passagem de Carlos Alberto pelo comando da Justiça Eleitoral “ocorreu ao menos um caso que não foi esquecido pela população, onde a atuação deste desembargador evitou a cassação certa do então vereador eleito Sérgio Ricardo”.

   A referência é a uma acusação de compra de votos que teria ocorrido em 2001. À época Sérgio Ricardo, hoje o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), era filiado ao PMN. O processo acabou anulado porque Carlos Alberto e outros dois magistrados entenderam que houve erro na tramitação.

   A eleição do novo presidente do TRE deve ocorrer no início de 2013. Os membros do pleno devem definir, entre os dois magistrados indicados pelo Tribunal de Justiça, quem ocupará a presidência e quem ficará com a corregedoria. Hoje estão nos cargos os desembargadores Rui Ramos e Gerson Ferreira Paes, respectivamente. Na nota, o MCCE e as outras duas entidades ressaltam que a atual gestão foi exemplar. Eles, no entanto, não podem ser reconduzidos.

Confira a íntegra da nota abaixo:

   O Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), o Movimento Organizado Pela Moralidade Pública e Cidadania (MORAL) e o Movimento “Nas Ruas”, vêm a público manifestar preocupação com as notícias veiculadas pela imprensa de que o desembargador Carlos Alberto Alves da Rocha será escolhido para presidir o Tribunal Regional Eleitoral nos próximos dois anos.
   1 – Considerando que as denúncias de venda de sentença contra o referido desembargador na chamada “Operação Asafe”, foram acolhidas pelo voto da relatora, ministra Nancy Andrighi, e outros dois ministros, embora rejeitadas por maioria, restam dúvidas sobre a participação ou não dele nos fatos denunciados pelo Ministério Público;
   2 – Considerando que em sua outra passagem pelo TRE/MT ocorreu ao menos um caso que não foi esquecido pela população, onde a atuação deste desembargador evitou a cassação certa do então vereador eleito Sérgio Ricardo; e,
   3 – Considerando que a gestão atual do TRE/MT foi exemplar, e que a administração anterior levou o órgão ao descrédito justamente por outro acusado na “Operação Asafe”.
   As entidades subscritoras fazem um apelo aos componentes do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, para que não seja conduzido ao Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso um dirigente que tem contra si, pelos menos, suspeitas de comportamento incompatível com a dignidade do cargo.

Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE)
Movimento Organizado Pela Moralidade Pública e Cidadania (MORAL)
Movimento “Nas ruas”

Pois bem. As três Ongs fizeram sua denúncia e, logo depois, aparentemente constrangido, o desembargador Carlos Alberto deixou de se inscrever para a disputa pelo comando do TRE. Imagino que, para quem acusa, essa renúncia do desembargador Carlos Alberto tenha parecido algo como uma autopunição, uma demonstração de que ele estaria com medo de enfrentar as criticas e as cobranças.

Sinceramente, eu gostaria que o desembargador Carlos Alberto tivesse tido peito para enfrentar essa tempestade de críticas. Diante dos fatos, eu não vacilaria em estar ao seu lado. Mas deixo em aberto a possibilidade de que, ao invés de um bandido em potencial, como parece sugerir a nota, o desembargador Carlos Alberto seja apenas um tímido,um profissional introvertido, o que é um direito dele, não afeito a estes debates públicos aos quais eu e muitos dos meus companheiros de Ong nos lançamos desde muito cedo. (Sim, há pessoas que não fazem dos debates políticos e ideológicos o centro de sua vida – mas nem por isso merecem menos respeito e consideração.)

E por que eu estaria ao lado do desembargador Carlos Alberto? Por uma razão muito simples: ele não foi condenado, nada se provou contra ele, depois de aprofundadas investigações da Policia  Federal, do Ministério Público e do STJ, inclusive com quebra de sigilos. Ele mereceria a chance de, atuando à frente do TRE, honrar a inocentação que lhe foi garantida pelo Superior Tribunal de Justiça.

Se ainda há dúvidas na Ong Moral, no MCCE, no Movimento nas Ruas, por que não abrir um debate com o desembargador colocado sob suspeição, antes de partir para um julgamento midiático que traz todo o ranço dos tribunais de exceção? Será que alguns dos ongueiros acusadores alguma vez procurou ouvir, ler a defesa do desembargador?  Essa nota divulgada contra o desembargador Carlos Alberto tem o seguinte tom: eu não gosto dele, por isso não quero que ele seja eleito!

Conheço, por exemplo, o advogado Vilson Nery, do MCCE e sei que ele atuou na defesa da senadora Serys Slhessarenko quando ela foi acusada de envolvimento na máfia dos sanguessugas. Até hoje são muitos os que ainda atiram contra a professora Serys a acusação de que ela é uma sanguessuga, apesar dela ter sido completamente inocentada neste caso. E o Vilson Nery, que defendeu com brilhantismo a senadora Serys no caso dos sanguessugas, agora assina sem refletir uma denuncia contra o desembargador Carlos Alberto Rocha que vive situação muito semelhante que a de Serys.

Não dá para aceitar um denuncismo sem controle. Dentro de uma sociedade democrática, que valoriza o devido processo legal, não pode continuar a pesar sobre uma pessoa uma acusação da qual ela já foi inocentada em um Tribunal Superior! Isso é um absurdo! Isso é um atentado à democracia, a tudo pelo qual sempre lutamos! Temos que saber conviver e trabalhar para que as Leis se imponham diante dos humores e preconceitos de cada cidadã o.

Vejam que, em sua nota, os movimentos falam de uma outra passagem, no TRE, em que teria ocorrido “ao menos um caso que não foi esquecido pela população, onde a atuação deste desembargador evitou a cassação certa do então vereador eleito Sérgio Ricardo”. Bem, não me incluo entre os admiradores do ex-vereador e ex-deputado Sérgio Ricardo mas acusações desde tipo poderiam ser sacada contra muitos e muitos juizes eleitorais, até mesmo por fatos recentes. O que dizer dos juizes eleitorais que, recentemente, sepultaram as denúncias do Escândalo da Empaer, que, segundo muitos esperavam, deveria ter resultado na cassação do diploma do governador Silval Barbosa – e de tantos outros? Por que o MCCE, a Ong Moral e o Movimento Nas Ruas seleciona acusação (não provada) contra o desembargador Carlos Alberto Rocha e não investe contra os demais juízes contra os quais, certamente, tem também suas suspeitas? O que foi feito da presunção da inocência? O que foi feito do “em dúvida, a favor do réu”?

As Ongs não fazem esta loucura de sair denunciando juizes eleitorais a torto e a direito porque, na maior parte do tempo, são guiadas por um senso comum que aponta a necessidade de provas robustas sempre que queira fazer uma acusação séria e não uma mera queimação – como foi feita agora.

O fato é que essa arremetida de meus companheiros da Ong Moral, do MCCE e do Movimento nas Ruas – pretendendo atuar como uma espécie de Robespierre redivido -, dentro do meu humilde conceito, me parece despropositada, infeliz, inconsequente e atentatória ao melhor da convivência democrática que conseguimos estabelecer até aqui.

Há que se respeitar a decisão da Justiça.

Há que se respeitar a decisão do Superior Tribunal de Justiça com relação à Operação Asafe.

Há qeu se respeitar a decisão do STF que inocentou o desembargador Carlos Alberto Rocha.

Há que se respeitar o desembargador Carlos Alberto Rocha.

16 Comentários

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  1. - IP 187.58.30.47 - Responder

    … porque até aqueles que se dispõem a trabalhar pelo respeito às instituições e à ética, como os movimentos supracitados, são constituídos por homens tão sujeitos a falhas quanto os que se prestam a acusar.

  2. - IP 201.24.22.175 - Responder

    Parabens pela matéria, acho que esta mais do que provado quando um colegiado já decidiu que o desembargador nao deve nada, eai vem uma ONG questionar oque o stj já deiiu! Brincadeira né!

  3. - IP 201.47.153.59 - Responder

    Palmas Enock! Ótimo comentário.

  4. - IP 177.65.152.66 - Responder

    Fui informado do disparate pelo dr. Eduardo Mahon, via Facebook, pois estava viajando e custa-me acreditar que pessoas do movimento Nas Ruas tenha partido para ilações sem provas ou ficar acusando porque suspeita ou tem alguma impessoalidade com o acusado, mas tenho certeza que a Iziz O Tetila e a Elda Valin vão se posicionar a respeito, pois não utilizamos de artifícios para dar tiros no escuro!

  5. - IP 177.65.145.148 - Responder

    com todo respeito aos “funcionarios” do desembargador mas voces sabem á quantas anda a nossa justiça ou voces nunca ouviram falar em “operação asafe”?aposentadoria compulsoria de magistrados? esc em corporativismo no judiciario não estou acusando o nobre magistrado, não conheço os membros das ong’s mas penso que ela andalo da maçonaria? ou uma ministra que disse o seguinte “bandidos de toga” ou nunca ouviram falartem o direito de se manifestarem nós vivemos num país democratico se não me engano nós não estamos mais na ditadura

  6. - IP 189.11.218.181 - Responder

    É vai ver que errado tá quem nÃo quer um desembargador denunciado presidindo o TRE . Vai ver que o TJ-MT é um lugar santo – quase uma morada do Dalai Lama – onde não se venderam sentenças , fizeram-se negociatas etc.. etc..
    Esse desembargador pode até ser inocente , mas levando em conta o corporativismo , as manobras e tudo mais que essa gente faz para evitar ser punida ; eu prefiro que esteja no TRE um desembargador (a) que não tenha mácula , nem suspeita de mácula em sua vida. Se havia opções assim , porque não escolher uma delas ao invés de ficar flertando com a dúvida.

  7. - IP 187.58.28.94 - Responder

    Enock você é o “CARA” , Tenho enorme satisfação de telo como companheiro. O verdadeiro companheiro, Enock, é como dizia um grande homem amante da Verdade, Dom Helder Camara: “Companheiro, etimologicamente, é quem come o mesmo pão”, Mas dizia ele também: “Feliz de quem entende e vive este pensamento: “Se discordas de mim, tu me enriqueces. Ter ao próprio lado quem só sabe dizer amém, quem concorda sempre, de antemão e incondicionalmente, não é ter um companheiro, mas sim uma sombra de si mesmo. Desde que a discordância não seja sistemática e proposital, que seja fruto de visão diferente, a partir de ângulos novos, importa de fato em enriquecimento”.

    É nessa linha Enock, que quero também discordar de você quando afirma em sua pagina entre outras coisas mais:

    “Ativistas do MCCE, Ong Moral e Nas Ruas cometeram uma violência contra o desembargador Carlos Alberto Rocha. Como é que pode, militantes que dizem defender o Estado de Direito, tratarem como réu um homem que foi inocentado das acusações apresentadas contra ele?”

    Você sabe Enock, que em nenhum momento em nossa nota cometemos qualquer violência contra o referido desembargador. Afirmamos isso sim, que:

    ” 1 – Considerando que as denúncias de venda de sentença contra o referido desembargador na chamada “Operação Asafe”, foram acolhidas pelo voto da relatora, ministra Nancy Andrighi, e outros dois ministros, embora rejeitadas por maioria, restam dúvidas sobre a participação ou não dele nos fatos denunciados pelo Ministério Público;

    2 – Considerando que em sua outra passagem pelo TRE/MT, ocorreu ao menos um caso que não foi esquecido pela população, onde a atuação do referido desembargador evitou a cassação certa do então vereador eleito Sérgio Ricardo”. Quando em nosso apelo aos aos componentes do Tribunal de Justiça de Mato Grosso para que “não fosse conduzido ao TRE/MT, um dirigente que tem contra si, pelos menos, suspeitas de comportamento incompatível com a dignidade do cargo”,

    Veja bem companheiro, estamos apenas externando a preocupação legitima de cidadãos que, igual a “gato escaldado que tem medo de agua fria”. e que, não desejam jamais retrocessos na condução dos trabalhos tão bem realizados pela atua gestão do TRE/MT. Não podemos jamais esquecer companheiro, que a administradão anterior levou o órgão ao descrédito justamente por outros acusados na “Operação Asafe”.

    Respeitando o teu posicionamento companheiro Enock, quero dizer que com isso nada impede de continuarmos bons companheiro. Já imaginou, que triste monotonia não seria a vida, se todas as rosas tivessem as mesmas cores, os mesmos formato e os mesmos perfumes?

    • - IP 177.65.145.148 - Responder

      É isso ai ANTONIO CAVALCANTE FILHO Como se dizia antigamente o pior cego é aquele que não quer ver

  8. - IP 189.0.157.32 - Responder

    Eae Enock levou quanto pra esse blá blá blá? Ridículo.

  9. - IP 177.132.247.89 - Responder

    Ótimo, Enock… parabéns pelo seu posicionamento. Foi muito triste ver o linchamento realizado. Acreditamos que o troco virá de forma rápida e muito mais discreta do que fizeram em jornais…

  10. - IP 187.54.112.195 - Responder

    Esses caras não sabem ler? Ou estão de sacanagem? O artigo é assinado pelo Mahon e eles discordam do Enock.
    Esses cara do MCCE gostam muito é de conversa pela mídia na hora da onça beber água eles mijam para trás.

  11. - IP 200.140.20.242 - Responder

    O Carcará = ave de rapina da reputação alheia, quando confrontado trata logo de vestir a plumagem de Avoante do Cariri (essa é do Saudoso Prof. da UFMT Padre Pimentel). Ele trata logo de invocar a poética das rosas e seus diferentes perfumes, cores e formatos para justificar sua atitude injusta, como produto do direito à expressão da diferença de pensamento. Mas quando é ele que se depara com opinião diferente sobre os atos sanguinários do Guevara, diz logo que é necessário calar a boca discordante, mostrando-se incapaz de agir como o Enock que permite a divergência em seu Blog. Essa atitude, para ficar na poética das flores (afinal a poesia e as rosas foram as armas que o Carcará escolheu para o debate), está mais para o enfoque dado pelo poeta João Cabral de Melo Neto, que muito antes de Manoel de Barros já fazia poesia das decomposições da natureza, em especial das flores. Espero que o Carcará continue a usar elementos poéticos no debate, mesmo que seja a panfletagem do grande D. Pedro Casaldaglia, quem sabe isso nos obriga à leitura do que realmente importa, ou seja, mais poesia.
    Por falar em Manoel de Barros, acabo de me lembrar de Maiokóvski de quem o Enock nos trouxe notícia em 08.09.2012 acerca da primeira tradução na íntegra do poema que ele fez em homenagem a Lenin. O caso é o seguinte: Manoel de Barros, no poema “O fótografo” usou de fina ironia contra Maiokóviski, poeta russo, infelizmente muitas vezes panfletário dos líderes Bolcheviques e que nas poucas horas vagas fez também crítica literária e criou uma fórmula ou equação para se fazer poesia. Vejam o Poema de Manoel de Barros:

    O Fotógrafo

    Difícil fotografar o silêncio.
    Entretanto tentei. Eu conto:
    Madrugada a minha aldeia estava morta.
    Não se ouvia um barulho, ninguém passava entre as casas.
    Eu estava saindo de uma festa.
    Eram quase quatro da manhã.
    Ia o Silêncio pela rua carregando um bêbado.
    Preparei minha máquina.
    O silêncio era um carregador?
    Fotografei esse carregador.
    Tive outras visões naquela madrugada.
    Preparei minha máquina de novo.
    Tinha um perfume de jasmim num beiral de um sobrado.
    Fotografei o perfume.
    Vi uma lesma pregada mais na existência do que na pedra.
    Fotografei a existência dela.
    Vi ainda azul-perdão no olho de um mendigo.
    Fotogafei o perdão.
    Vi um paisagem velha a desabar sobre uma casa.
    Fotografei o sobre.
    Foi difícil fotografar o sobre.
    Por fim cheguei a Nuvem de calça.
    Representou pra mim que ela andava na aldeia de braços com Maiakovski – seu criador.
    Fotografei a Nuvem de calça e o poeta.
    Ninguém outro poeta no mundo faria uma roupa mais justa para cobrir sua noiva.
    A foto saiu legal.

    (Manoel de Barros)

    Só o grande Manoel de Barros para em tão poucas palavras elevar ao infinito a sinestesia no “ato de retratar” o silêncio, o perfume, a existência, o perdão, o advérbio “sobre”, ou seja, as coisas abastratas ou gazosas e invisíveis como os aromas.
    Por último, está a fina ironia em sugerir que Maiokoviski colocou a poesia (sua paixão, sua noiva) em uma calça apertada como se fosse uma camisa-de-força, ao querer enquadrar o que não é enquadrável.
    Emerge do texto a sutileza da crítica social, pois o “eu lírico”, o fotógrafo, não retrata o silêncio, como o fez com outros elementos também não conversíveis em fotogramas. O silêncio que se sugestiona fotografado era o que carregava um bêbado. Fica apenas no campo da sugestão se era uma mãe que carregava o filho ou o marido, o pai que carregava o filho, ou o inverso, o bêbado que ia calado, etc., mas era alguem que sofria calado a sua dor. Um carrega-dor.
    Em cada um dos retratos está presente essa sutileza que Manoel de Barros tão bem sabe usar para fugir do meramente panfletário, como infelizmente muitos não conseguem.

    • - IP 177.41.86.237 - Responder

      Êpa!… Lá vem o joão outra vez, desfiando a sua arrogante verborragia, tipica dos facistoides que em mais de duas décadas de escuridão “democratica’ impostas pelas foças das baionetas, infelicitaram tanto a vida do povo brasileiro. Mais que joão que é esse que não assina o sobrenome? Se fosse a trinta anos atrás darias para imaginar que se trataria daquele mesmo João de triste memoria que dizia públicamente, gostar muito mais do cheiro dos cavalos do que do cheiro do povo, e que, quando perguntado por uma criança se seu pai ganhasse um salário mínimo o que ele faria? Ele respondeu: “daria um “tiro no coco”.

      O bravo jornalista Enock Cavalcante, trato-o como companheiro, porque de fato ele é. Agora, esse “joão qualquer”, que, por não se identificar por completo, não permitido a ninguém saber ao certo quem na verdade ele é, fica no ar a pergunta: Será mesmo o “joão” ou será um “zé mané, será ele um homem ou será ume mulher? Não sei quem ele é, mais de uma coisa tenho a certeza, que se trata de alguem ultra reacionário, de um monstro da direita fascista, um cão de guarda dos golpistas das ditaduras empresarial militar, que dominou a América latina, a serviço do imperialismo norte americano durante décadas. Com certeza essa sombra de homem, sendo ele ou ela, se trata apenas de uma viúva da ditadura, com saudades dos tempos tenebrosos em que eles perseguiam, prendiam, torturavam e assassinavam qualquer cidadão que destoassem dos seus cantos fúnebres de morte e de dor. Foram esses os assassino responsáveis pelos sofrimento de cetenas de “órfãos do talvez ou do quem sabe”, registrado na obra do Alencar Furtado.

      A nossa luta “joão, é para que não haja nunca mais em nosso País aqueles tempos sombrios, que, tudo indica tu queres ressuscitar. Tu tens saudades da época escura em que as esposas enviuvavam com maridos vivos, talvez; ou mortos, quem sabe? Viúvas do quem sabe e do talvez” ….

      • - IP 200.140.20.242 - Responder

        Calma, Carcará, não precisa ficar revoltado por ser questionado por um João Ninguém. Isso só demonstra mais uma vez que o Sr. não admite a discordância. Quando você tece loas a ditadura cubana, cujo modelo os seus heróis ideológicos queriam implantar no Brasil , não aceita qualquer discordância. Adota um comportamento pueril, como se os objetivos dos seus companheiros de ideologia fosse sublime só porque lutavam contra uma ditadura. Isso é falso, pois o que aquela gente queria era implantar no Brasil uma outra ditadura. Isso não é mera afirmação minha, é fato público e notório.
        Veja o que diz o jornalista Élio Gaspari na Folha de São Paulo de hoje sobre o desconforto da nação petista com a condenação dos mensaleiros:
        “Dois condenados (José Dirceu e José Genoino), ergueram em suas defesas passados de militância durante a ditadura. Tanto um como outro defenderam projetos políticos que transformariam o Brasil num Cubão (Dirceu) ou numa Albaniona (Genoino).
        Felizmente, a luta de políticos como Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Paulo Brossard trouxe esses militantes perseguidos para a convivência democrática, e não o contrário. Se tivessem prevalecido as plataformas do PC do B ou do Molipo, Ulysses, Tancredo e Brossard teriam vida difícil.
        A teoria da conspiração contra guerrilheiros heroicos estimula construções antidemocráticas de denúncia da justiça e da imprensa a serviço de uma elite. Nos anos 60, muita gente achou que a luta contra a “democracia burguesa” passava pela radicalização e até pelos trabucos. Deu no que deu.
        Ficaria tudo mais fácil se os companheiros entendessem que fizeram o que não deviam e foram condenados. Endossaram a teoria da impunidade do caixa dois eleitoral porque acharam que ela os protegeria. O melhor a fazer seria reerguer a bandeira abandonada da moralidade. Assim poderão batalhar pela condenação de mensaleiros de outros partidos e apresentar-se aos eleitores com um projeto livre de capilés.” (Élio Gaspari, Folha de São Paulo de hoje, 14.10.2012.
        Percebeu, Carcará? Lutavam contra a ditadura, mas de democratas passavam longe. Os verdadeiros democratas logo compreenderam o projeto autoritário daquela esquerda desmiolada, cuja ação era inútil para a fim da ditadura militar e ainda queria outra ditadura, ou você quer nos convencer que democracia é em Cuba? que lá existe liberdade de expressão? Se hoje temos liberdade é porque os seus heróis fracassaram nas intensões autoritárias.
        O Carcará me acusa de ser saudosista da ditadura, mas o fato é que ele é que vive sob a melancolia de estar longe da ditadura cubana, como bem o demonstra sua admiração por aquele regime ditatorial e por seus líderes sanguinários e pela sua rapidez em sugerir a necessidade de calar a boca discordante do joão-ninguem da vida.
        Isso bem demonstra que a sua luta não é para evitar que nosso país retorne àqueles tempos sombrios, o que você quer é a implantação de uma ditadura perfeita como a de Cuba, onde os proeminentes (Fidel, Raul e outros asquerosos) não podem ser questionados por um joão-ninguém ou zé-mané, sob a certeza de ir para a cadeia, ou serem mortos, inclusive e principalmente nos tempos do sanguinário Guevara.
        Mas tenho esperança, alguém ainda vai te trazer para o convívio democrático e você aceitará ser questionado até por um joão-ninguém, ou por um zé-mané.

        • - IP 177.41.86.237 - Responder

          É pura perca de tempo debater com um facistoide sem nome e sem rosto.

          Eu, Antonio Cavalcante Filho, sem filiação partidária, sem nenhum envolvimento com qualquer que seja o partido politico ou seus candidatos, sem nunca almejar para mim qualquer beneficio pessoal da minha militância nos movimentos sociais, Declaro a esse joão qualquer”, que em toda a minha vida nunca desejei para nenhum país e muito menos para o Brasil qualquer regime politico ditatorial. Minha militância sempre se pautou por justiça social, contra a corrupção, contra a exploração do homem pelo homem, contra a degradação do meio ambiente, contra a exploração capitalista, por ver nela um sistema desumano e como diria Dom Pedro Casaldalida: “O Capitalismo é “intrinsecamente mau”: porque é o egoísmo socialmente institucionalizado, a idolatria publica do lucro pelo lucro, o reconhecimento oficial da exploração do homem pelo homem, a escravidão de muitos ao jugo do interesse e da prosperidade de poucos.”.

          Acredito, “joão ninguém”, como Flores Magón quando diz: “A ditadura do proletariado ou da burguesia, é sempre tirania e liberdade não pode ser alcançado através da tirania”. Desejo realmente uma verdadeira revolução no mundo, mais a revolução da qual eu falo não é tarefa de partidos. Essa revolução é como diria Otto Ruhle: “A revolução é tarefa política e econômica da totalidade da classe proletária. Só o proletariado enquanto classe pode levar a revolução à vitória. Tudo o resto é superstição, demagogia, charlatanismo político”. Penso ainda, como Cornelius Castoriadis que dizia sobre a impotência da política: “Os dirigentes políticos são impotentes. A única coisa que podem fazer é seguir a corrente, ou seja, aplicar a política ultraliberal da moda. Os socialistas não fizeram outra coisa desde que voltaram ao poder. Não se trata de políticas, mas de políticos, no sentido de politiqueiros. Gente que caça voto de toda e qualquer maneira. Não têm programa algum. O seu objetivo é permanecer no poder ou voltar ao poder e para isso são capazes de tudo”.

          Noam Chomsky, cientista de prestígio, que também é conhecido por suas idéias libertárias, afirmava que: “as idéias da livre associação, do controle popular das instituições e de derrubada das estruturas autoritárias são o caminho da liberdade e da democracia.” Sou assumidamente um utópico, na concepção de um Leonardo Boff, quando diz: “Uma sociedade não vive sem utopias, isto é, sem um sonho de dignidade, de respeito à vida e de convivência pacífica entre as pessoas e povos. Se não temos utopias nos perdemos nos interesses individuais e grupais e perdemos o sentido do bem viver em comum”. Concordo com Victor Hugo: escritor e poeta francês ao dizer: “Não há nada como o sonho para criar o futuro. Utopia hoje,carne e osso amanhã”. Ou ainda, com um outro francês, Anatole France ganhador do Prêmio Nobel de Literatura que disse: “Sim,o sonho! Sim,a quimera! Sim,a ilusão! Sem os sonhos,sem as quimeras,sem as ilusões,a vida não tem sentido e não oferece interesse. A utopia é o principio de todo progresso. Sem as utopias de outrora,os homens viveriam ainda miseráveis e nus nas cavernas. Foram os utopistas que traçaram as linhas da primeira cidade… Dos sonhos generosos, nascem as realidades benéficas…”

          Preste bem atenção, “joão das trevas”, há um abismo enorme entre eu e você. Como o escritor, filósofo e militante libertário russo, acredito que o “Estado é uma instituição desenvolvida através da história das sociedade humanas para impedir a união direta entre os homens, para entravar o desenvolvimento da iniciativa local e individual, para aniquilar as liberdades que existiam, para impedir a sua nova eclosão e para submeter as massas aos interesses, egoísmos e ambições das minorias ociosas e autoritárias.” ou ainda como filósofo libertário Max Stirner que diz: “O objetivo dos Governos é sempre o mesmo: limitar o indivíduo, domesticá-lo subordiná-lo, subjugá-lo”. E para concluir, repito BAKUNIN : “É preciso que compreenda que não existe liberdade sem igualdade e que a realização da maior liberdade na mais perfeita igualdade de direito e de fato, política, econômica e social ao mesmo tempo, é a justiça”.

  12. - IP 177.65.145.148 - Responder

    Eu penso que estes defensores do mui dignissssssssimo magistrado estão em outro planeta eles ainda não leram sobre “operação asafe” “escandalo na maçonaria” “subfaturamento no forum da capital”uma ministra que disse com todas as letras”BANDIDOS DE TOGA” “corporativismo no judiciario” nunca ouviram falar em “venda de sentenças”inclusive o ENOK , acho que nunca ouviu falar nunca ouviram falar em greve de fome em frente oTJ/MT para que houvesse justiça em sua causa(era só isso que ele queria) nunca ouviram falar em “aposentadoria compulsoria de magistrados”nunca ouviram falar em “Leopoldino Marques do Amaral”nunca ouviram falar em desembargador que se recusa a fazer exame de DNA então pra inocentar um colega……é um pulo acho que quando eu morrer vou pedir a são pedro me mandar para o TJ/MT pois la é um paraiso só tem anjo e outra coisa: “de tanto ver triunfar a desonestidades………. que eu tenho vergonha de ser honesto “o que mais preocupa é o silencio dos bons”

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