Marina à frente de Aécio. Eduardo Campos mais à direita

Eduardo Campos foi a Santa Catarina abraçar Jorge Bornhausen e seu filho Paulo. Na tentativa sôfrega de abrir uma brecha para sua candidatura nas eleições de 2014, o líder maior do PSB recorre a velha estratégia dos políticos tradicionais de que sempre cabe mais um - mesmo que seja um direitista notório como Bornhausen

Eduardo Campos foi a Santa Catarina abraçar Jorge Bornhausen e seu filho Paulo. Na tentativa sôfrega de abrir uma brecha para sua candidatura nas eleições de 2014, o líder maior do PSB recorre a velha estratégia dos políticos tradicionais de que sempre cabe mais um – mesmo que seja um direitista notório como Bornhausen

Aécio e Campos dividem a direita

Vamos pôr um pouco de lado a série sobre o mensalão. Voltamos a ela na semana que vem. A política brasileira, felizmente, vai além dos erros do Supremo. Permitam-me fazer um clipping básico, com algumas notinhas sugestivas publicadas ontem e hoje na coluna do Ilimar Franco, no Globo, seguido de comentários e previsões políticas.

 

 

Coluna de hoje:

Na corda bamba – A principal tarefa do senador Aécio Neves depois de se sagrar, no sábado, presidente do PSDB, será atrair o DEM para sua candidatura ao Planalto. O partido, que tem tempo de TV, vive momento de dispersão. Seus líderes estão fechando acordos regionais. Hoje, Aécio só tem dois dirigentes de peso ao seu lado: o presidente Agripino Maia (RN) e o vereador Cesar Maia (RJ).

Sonho de consumo – O candidato do PSDB ao Planalto, Aécio Neves, tem procurado o governador Sérgio Cabral (RJ) para conversar. Aposta num racha entre PMDB e PT, caso se confirme o embate entre seu vice, Luiz Fernando Pezão, e o senador Lindbergh Farias.

“A candidatura do PSB (Eduardo Campos) é irremovível. Estamos evitando acirrar ânimos. Temos que proteger nossos governadores” , Roberto Amaral, Vice-presidente nacional do PSB

O que fazer? – Enquanto os tucanos esnobam o vereador Cesar Maia, o vice-governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) e o senador Lindbergh Farias (PT) cortejam o DEM. “Tenho conversado com o Rodrigo Maia. Quero eles perto da gente”, explica Pezão. O petista também tem procurado os Maia e seu trunfo é a experiência da aliança PT-DEM na gestão da prefeitura de Nova Iguaçu (RJ). Atual aliado da candidatura Aécio Neves ao Planalto, o DEM conversa com outras forças para não correr o risco de ficar isolado. Como os tucanos querem o apoio do PDT, eles podem ficar tentados a se dividir nos palanques de Cesar Maia e do deputado trabalhista Miro Teixeira.

Coluna de ontem:

A vacina – No programa de TV do PSDB que vai ar em 30 de maio, o candidato à presidência Aécio Neves vai defender o aprofundamento dos programas sociais massificados nos governos petistas. Ele quer evitar que colem nele a imagem de adversário dos pobres. O PSDB vai apresentá-lo ao país e ele convidará o eleitor para dialogar sobre dramas nacionais, tais como a inflação e a desindustrialização.

Primeiro desafio: superar Marina – As pesquisas eleitorais do PSDB mostram a candidata Marina Silva (Rede) à frente de Aécio Neves. O Instituto Ideia ouviu cinco mil pessoas, de 27 de março a 5 de abril, para orientar o programa de TV que vai ao ar. Aécio aparece atrás da presidente Dilma e de Marina, mas está entusiasmado com seu desempenho na classe A, formadora de opinião. Nela, Dilma tem 33,8%, Aécio 32,8%, Marina 22,6% e Eduardo Campos (PSB) 7,1%. Na classe C, maioria do eleitorado (57%), Aécio tem 11% (C1) e 8,4% (C2), Eduardo 2,7% e 3,4%, Marina 17% e 14,7% e Dilma 59,6% e 63,2%. Hoje, nem a presença de Eduardo Campos (PSB) levaria a disputa para o segundo turno.

“A estabilidade monetária está ameaçada. As bolsas (sociais) se eternizando, e isso é sinônimo de seu fracasso. Está se esgotando o crescimento da economia. É o pilar da democracia sendo corroído”. Cristóvão Buarque, Senador (PDT-DF)

Em relação à aliança entre Aécio e Sérgio Cabral, não me atreveria dizer que é impossível. Cabral já foi do PSDB, não é petista, e, numa outra circunstância, não teria problema nenhum em se aliar aos tucanos. Só que é fortemente improvável, porque a imagem do Cabral, ou o que restou dele, está atrelada à sua parceria com Lula. A nota, portanto, é mais um das utopias platinadas para salvar a candidatura tucana. Mas também é útil à Cabral, que já não sabe mais o que fazer para matar a candidatura de Lindbergh. Qualquer fato negativo relacionado à Lindbergh é uma dádiva para Cabral.

As pesquisas eleitorais apresentadas, por sua vez, são muito interessantes. Vamos repetir os números:

Nela [na classe A], Dilma tem 33,8%, Aécio 32,8%, Marina 22,6% e Eduardo Campos (PSB) 7,1%. Na classe C, maioria do eleitorado (57%), Aécio tem 11% (C1) e 8,4% (C2), Eduardo 2,7% e 3,4%, Marina 17% e 14,7% e Dilma 59,6% e 63,2%. Hoje, nem a presença de Eduardo Campos (PSB) levaria a disputa para o segundo turno.

Não vou entrar no mérito da qualidade da pesquisa. Tenho que trabalhar com o que existe, e o fato dos números virem da própria campanha de Aécio Neves nos permite encará-los como não enviesados em favor da candidata favorita. A força de Aécio na classe A fundamenta-se no antipetismo classista dos mais ricos, somado à influência que a imprensa tucana exerce nesse segmento. De qualquer forma, a liderança de Dilma até nesse segmento confirma a genialidade de Lula ao escolher uma mulher com o perfil da presidenta, cuja imagem de pessoa séria, culta e severa consegue driblar o ódio antipetista junto a uma boa parte do andar de cima.

Entretanto, a própria Dilma se revelou bem sensível neste sentido. Desde o início de sua gestão, nota-se nela uma preocupação constante de manter uma boa imagem junto à classe média – e uso aqui o termo “classe média” em sua acepção política, tradicional, me referindo aos mais ricos. Concordo que é um pouco ridículo chamar famílias que ganham menos de 1000 reais por mês de “classe média”; neste caso, temos uma classificação exclusivamente econômica. Do ponto-de-vista político, quando se fala em classe média se fala num segmento específico, muito bem recortado sociologica e psicologicamente; Paulo Henrique Amorim, com seus sarcasmo incomparável, definiu com perfeição: a Big House.

Só o fato da Dilma ter rachado a Big House, já inflingiu uma terrível perda ao PSDB. Só que a Dilma pagou um preço altíssimo para fazer isso; por exemplo, a presidenta fez um já notório acordo com a grande mídia. Tudo em prol da “governabilidade”. Entrega-se alguns ministérios para PMDB, PP, PR. Libera-se emendas parlamentares aqui e acolá. E se mantém um sistema de publicidade oficial altamente concentrado nos grandes grupos de mídia, com ênfase nas Organizações Globo. Com isso, compra-se, senão apoio político, ao menos uma trégua.

Ainda sobre a pesquisa do PSDB, ela definitivamente não justifica a “animação” com que, segundo o colunista do Globo, Aécio a recebeu.

Repitamos a última parte, que trata dos mais pobres:

Na classe C, maioria do eleitorado (57%), Aécio tem 11% (C1) e 8,4% (C2), Eduardo 2,7% e 3,4%, Marina 17% e 14,7% e Dilma 59,6% e 63,2%. Hoje, nem a presença de Eduardo Campos (PSB) levaria a disputa para o segundo turno.

Se Dilma tem 63% na classe C2, numa pesquisa de um instituto desconhecido pago pelo PSDB, temos uma candidata praticamente imbatível em 2014. Observe ainda que Campos tem 7% na classe A e 3% na classe C. O socialista ganhou umas gorjetas dos mais ricos, mas acho bobagem o PSB pretender o eleitorado rico, que não fará diferença no resultado final. Quem ganha eleição no Brasil ainda é o voto do pobre.

Ah, tem outra notinha, ainda na coluna do Ilimar de hoje, que gostaria de comentar:

Os novos socialistas – O governador Eduardo Campos desfilou em Santa Catarina ao lado do ex-presidente do DEM, Jorge Bornhausen, e do secretário Paulo Bornhausen (PSD), convidado a ingressar no PSB. Jorge já abriu o voto em favor de Campos.

A notinha se soma àquela outra, copiada lá em cima, com a afirmação do vice-presidente do PSB, Roberto Amaral, de que a candidatura de Campos é “irremovível”. O socialista andou uns dias sumido, e agora volta à aparecer na mídia. Quando pensamos, todavia, que ele mudaria um pouco sua estratégia de só aparecer ao lado de nomes duros da direita mais extremada e antilulista do país, eis que o moço aparece em companhia de Jorge Bornhausen, aquele que previu, em 2006, que a oposição acabaria com aquela “raça” – referindo-se genericamente ao PT e à esquerda em geral.

Com isso, não sei se a tese de Maria Inês Nassif está certa, de que Campos é menos candidato hoje do que há um mês. Com essa reaparição ao lado de Bornhausen, ele volta ao palco eleitoral do mesmo tamanho que antes. Porém, num certo sentido, sim, ele está diminuindo. Só falta agora conseguir o apoio do Bolsonaro…

Uma coisa é certa: Campos parece decidido a roubar votos da direita e das elites que iriam naturalmente para Aécio Neves. Nesse ritmo, vai acabar beneficiando a candidata líder. A notícia de que Campos teria tentado levar Lindbergh para o PSB, por sua vez, revela um candidato ardiloso, tentando atacar pelas costas. A aliança entre PT e PSB, pelo jeito, já ruiu.

Aécio Neves, por outro lado, está numa excelente fase. Há algumas semanas, eu mencionei a ruptura entre Serra e Aécio. Era mais uma provocação, mas pode ser que eu tenha acertado. De qualquer forma, o mineiro conseguiu uma proeza: está muito perto de esmagar totalmente Serra, inclusive em São Paulo. Será eleito presidente do partido, ungindo candidato a presidente, e nomeará os nomes de seu agrado para direção e secretarias da legenda. Nas matérias que tratam do assunto, não há mais sequer o cuidado de não melindrar Serra: a condição para ser secretário-geral do partido é não ser “ligado” ao zé-bolinha. Seu principal trunfo é o embarque da grande imprensa em sua candidatura. Todo dia, recebe notinhas positivas. Hoje tem uma entrevista no Globo.

Jorge Bornhausen, o novo aliado de Eduardo Campos

Categorias:Jogo do Poder

2 Comentários

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  1. - IP 179.252.14.6 - Responder

    Infelizmente , nós, os que pensam , corremos o risco de sermos administrados mais quatro anos por esse embuste chamado pt (partido dos traidores) . A tal classse C ( a maioria do eleitorado, como em deliirio afirma a a matéria), é maioria ; só esquecem de dizer que essa tal classe “C” , é em sua maioria composta de néscios , gente sem informaçÃo , que prefere assistir “A fazenda” , ou “BBB XXVIII” do que ler um periódico , ou ver um jornal. Essa gente , dislumbrada com o carrinho 1.0 em 70 prestações ( pagando 3 e levando 1) a geladeira que ao final do carnê vai custar 4 mil ; não faz idéia do que esse partido nefasto faz para manter-se no poder.
    Triste país .

    • - IP 200.96.203.218 - Responder

      Roberto Ruas faz luta de classes. É comunista travestido de tucano ou tucano fantasiado de comunista. É tucano vermelho. E a maior da maldição: agride a classe C e pensa que isso é pensar. (Nada contra os comunistas). Ruas adota o lema: Falo merda, logo existo.

      ..

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