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AH,ZÉ PEDRO TAQUES, QUANTA INCOMPETENCIA! A Arena Pantanal ficou um ano e meio interditada pela incrível conta de 2 rufos na cobertura e umas placas de fibrocimento da fachada, que foram enfim consertados a um inacreditável custo de 6,0 mil reais, uma bagatela em relação aos 600,0 mil reais que o governo diz gastar por mês em sua manutenção.Pior, as autoridades, conscientes ou não, se referem a esses problemas na Arena como “estruturais” e estrutura para o leigo significa o esqueleto que sustenta o edifício, a ponto do apresentador Heródoto Barbeiro no Jornal da Record (08/07) dizer em rede nacional que a arena de Cuiabá estava caindo. Epacabá!

Torcedores japoneses na Arena Pantanal

Torcedores japoneses na Arena Pantanal

COPA DO PANTANAL, 2 ANOS

 Por José Antonio Lemos

 

     São pouco mais de 700 dias que, entretanto, parecem séculos. Em curto tempo, a Copa do Pantanal enquanto evento desapareceu na nossa memória, sumida na fuligem da velha politicagem local dos governos desconstruírem a obra dos antecessores pelo abandono, falta de manutenção ou funcionamento. Mas isso é outro assunto. Também não me refiro aos investimentos privados tipo fábrica de cimento, resort, shoppings, hotéis, nem às sempre tão focalizadas obras públicas.

Passados 2 anos de sua realização, tento lembrar o evento global em si, que foi Copa do Pantanal, que de fato aconteceu aqui em Cuiabá, um fato histórico comprovável nos arquivos da época dos sites noticiosos, e que pode ter seu início simbólico na chegada do primeiro torcedor estrangeiro, no dia 3 de junho, o chileno Cristian Guerra, após 4 meses de viagem de bicicleta e 5 jogos de pneus. O grande palco foi a maravilhosa Arena Pantanal, aquele luminoso espaço high-tech que traduziu tão bem o encantamento da tríade vitruviana, a ponto de transportar cerca de 40 mil pessoas confortavelmente a cada jogo para um mundo de alegria, vibração positiva, selfies, whatsapps, como se fosse uma nave mágica de sonho, escolhida pela crônica esportiva internacional como a mais funcional das Arenas, mas que hoje está impedida de receber jogos nacionais por falta de alvarás(!). E teve ainda o Fan Fest, no qual eu não fazia a menor fé, mas que chegou a receber mais público que a própria Arena; a Arena Cultural da prefeitura, um show diário de cultura local para milhares de pessoas, e a Praça da Popular, espaço do coração adotado por todas as torcidas.

Mas na grandiosa festa pantaneira o principal que me salta à memória é o nosso povo, uma gente em princípio tão simplória, desconfiada e arredia, que, porém, foi capaz de dar show de alegria, calor humano, receptividade e civilidade, condição primeira para a realização de um evento desse porte. Isso não se compra e nem pode ser esquecido. O principal para a Copa Cuiabá já tinha pronto, sua gente, e teve ainda a sorte ter recebido primeiro as torcidas do Chile e da Austrália. Juntas com o cuiabano a empatia foi imediata. Os australianos mais comedidos em gestos e expressões, mas muito expressivos com seus grandes e vistosos cangurus infláveis e suas vestimentas quase carnavalescas. Já os chilenos com uma alegria contagiante, de caráter mais patriótico, com rostos pintados nas cores nacionais e a camisa da seleção, enrolados na bandeira de seu país. Subitamente nas ruas, praças, shoppings ouvia-se um grito forte e solitário “chi-chi” logo seguido por dezenas ou centenas de outras vozes “lê-lê, chi-chi, lê-lê”. Impressionante. Para mim, a mais genuína festa de massa que presenciei em meus mais de sessenta anos. E depois vieram os russos e coreanos, bósnios e nigerianos e, ao fim, colombianos e japoneses, todos sem timidez no uso das cores, cantos, gritos pacíficos, mascotes e fantasias ensinando que, mesmo distantes no espaço os povos podem ser muito afins na alegria e na cordialidade.

Aos milhares vieram também torcedores de outros países, e brasileiros de muitas cidades de Mato Grosso e do Brasil, todos integrados num grande momento de alegria espontânea e genuína. E aquela que pensavam ou torciam para ser o patinho feio da Copa, na verdade era um belíssimo tuiuiú que serenou bonito no alto e assentou ainda mais lindo no chão. E a menor e menos preparada das sedes, com seus rios e seu calor sadio, seu sotaque e modo de viver, do tereré e do guaraná, do Siriri e do Cururu, virou uma grande festa internacional de paz e harmonia indelével no exato coração sul-americano e na memória do povo cuiabano. Jamais será esquecida.

 

 

 

JOSÉ ANTONIO LEMOS DOS SANTOS, arquiteto e urbanista, é professor universitário.    joseantoniols2@gmail.com

2 Comentários

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  1. - Responder

    Professor José Antonio Lemos da Costa enche nossos corações de alegria ao publicar um artigo de tamanha grandeza, que expressa em si mesmo o vivenciar cuiabano num momento de festa universal como a Copa do Mundo aqui que realizada, que transcendeu todos os nossos problemas, agruras, sofrimentos e decepções. Confesso, ilustre professor, que senti e sinto o mesmo que o senhor, assim como os meus filhos, irmãos, sobrinhos e neto, que nos acompanharam, unidos, naqueles dias de muita alegria. Pelo menos por enquanto não vou reclamar de nada, de tudo aquilo que cai como um terremoto em nossa cabeça. Simplesmente vou agradecer ao senhor pro este documento histórico que expressa a sensação de alegria da autêntica cuiabania.

  2. - Responder

    Realmente foi muito emocionante toda aquela agitação .
    iNESQUECÍVEL

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