Ao defender réus do Mensalão do PT, CUT se entrega a partidarização que deve ser repelida pelos militantes de sua base

Abaixo, transcrevo artigo do professor Rudá Ricci que fala por esta PAGINA DO E. A CUT, pelo jeito, vai de mal a pior. (EC)

Ato da CUT revela excessiva partidarização sindical
Por Rudá Ricci

Será correto a CUT realizar um ato público em função do julgamento do mensalão no STF?
Digamos que uma central sindical é uma organização política, no sentido de superar a agenda econômica, por aumento de salários (na linha da crítica de Marx e Lênin). Digamos até que seu papel seria o de criar um poder dual (na linha das propostas de Trotsky). Adotemos esta proposição sem crítica alguma.
Mesmo assim, o mensalão não parece ser um divisor de águas ideológico. Digamos que os acusados sejam caçados pelo STF (com “ç”). Mesmo assim. O julgamento criaria qual movimento classista ou anti-sindical? Pensemos que a sentença fosse desfavorável para dirigentes petistas, partido ao qual a CUT tem relações, digamos, fraternas. E digamos que que esta sentença desfavorável respingasse nas eleições de outubro.
Qual seria a ação sindical correta? Seria a desvinculação ou uso ideológico/eleitoral da sentença.
Mas se antecipar a um julgamento?
Não me lembro de reação desta natureza quando do julgamento dos assassinos da irmã Dorothy Stang. E ali havia, de fato, um julgamento marcado por conflito de classe.
Não entendo muito este ânimo do atual presidente da CUT, Vagner Freitas, em organizar manifestações de rua para defender os réus do mensalão. Afirma que não pode ser um julgamento político. Mas como medirá se foi ou não um  julgamento politico? Pelo resultado do julgamento? Ou pelos argumentos apresentados?
Sinceramente, avalio que o movimento sindical brasileiro está perigosamente escorregando para o período pré-64, denominado pela literatura especializada de “populista”. A CUT foi criada contra a correia de transmissão que os partidos faziam dos sindicatos. O número de sindicatos filiados era portfólio para impor sua força na agenda do Estado. Mas não apenas na agenda. É participação para-governamental. Alguns denominam de meso corporativismo. Não se trata de apenas gestão participativa. É mais. É indicação de secretário ou ministro, de controle de verbas públicas e assim por diante. E nem sempre se trata de interesse dos representados. Por exemplo: quando se recebe jeton (intransferível) para participar de um conselho.
Não teria algo de desvio neste discurso?

Rudá Ricci é sociológo e editor do blog DE ESQUERDA EM ESQUERDA

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