ANTÔNIO CAVALCANTE, CEARÁ: Antes tarde do que nunca grupo de comunicação de MT incentiva denúncias de corrupção

Antes tarde que nunca
Antonio Cavalcante (Ceará)

Após ser atacado por um mosquito coxinha da espécie nazi-doido, desses que espalham os vírus fascistas da dengue, zika e chikungunya contra os pobres habitantes das periferias (eles odeiam os pobres), estive acamado por algumas semanas “curtindo” os malefícios desses agentes infecciosos, e como é natural nesses dias de “licença sabática” forçada, ante a ociosidade involuntária, passamos a pensar e avaliar nossos atos para fazer uma crítica ao que vemos, ao que fizemos e sobre nosso projeto de mundo.
Permaneço entendendo que a democracia é o pior dos regimes, depois de todos os outros. Assim, parafraseio Winston Churchill, a quem é atribuída a frase: “A democracia é o pior dos regimes políticos, mas não há nenhum sistema melhor que ela.”
Todos os acontecimentos que observamos em nosso dia a dia, e eu me refiro à postura dos agentes públicos dos três Poderes, quando seus atos e ações estão fora da aprovação popular concretamente formalizada, quando suas decisões, ações e planos não resultam em benefícios para a maioria, então, a democracia não se faz presente.
Por vezes, o reclame popular, a chamada “opinião pública” caminha em contradição com o que é o melhor para a sociedade e, para isso, usamos nosso entendimento sobre o julgamento de Jesus Cristo. Segundo constam os documentos da época, a começar pelos textos da Bíblia Sagrada, os populares foram favoráveis pela condenação de Jesus Cristo e pela liberação de confessos salteadores.
Melhor explicando: o discurso de Jesus Cristo era revolucionário porque defendia o povo contra as torturantes políticas coloniais, se reunia com prostitutas e se alinhava com outras pessoas que não eram da burguesia, e ele próprio representava uma minoria.
Deste modo, com essas informações e compreendendo o contexto, podemos dizer que os populares que clamaram pela condenação e crucificação de Jesus Cristo agiram mais por influência de uma “opinião publicada”, e movidos por um preconceito contra as minorias, cientes de que o tal “meliante” era abusado e desafiava os doutores da política e da igreja, a tanto que expulsava do templo os mercadores da fé. O condenado não foi Cristo, mas o simbolismo que ele representava.
Pois bem.
Vi que um grupo de comunicação aqui de Mato Grosso está usando todos os seus veículos para incentivar a população a denunciar os delitos e os delinquentes, principalmente aqueles que usurpam recursos públicos, os quais – cá pra nós – são em número ilimitado e aumentam a cada dia.
Pensei “antes tarde do que nunca”, e deveríamos começar as delações sobre a forma como os grupos de comunicação são formados, porque, ao ouvir alguns empresários do setor, fico intrigado.
Um dirigente sindical patronal adquiriu a propriedade de uma emissora de televisão em Cuiabá, mas ficou pouco tempo no ramo. Justificou a “jogada de toalha” porque a emissora teria que se sujeitar às vontades dos governantes para manter-se no mercado.
Há aquele famoso grupo de comunicação que veio “do nada” e, de repente, se torna um império, e há aqueles políticos que nunca tiveram carteira assinada, mas assim mesmo são donos de emissoras de rádio, televisão e jornais, além dos portais da internet que são as mídias do momento.
Seguramente a fonte de recursos dessas emissoras são os entes públicos, governo do Estado, prefeituras, Assembleia e Tribunal de Contas. Aliás, não sei porque o TCE precisa gastar com propaganda, a não ser para azeitar e melhorar a imagem de alguns de seus membros. Só pode!
Na condição de militante do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), sempre fui favorável à democracia popular, de que o voto deve ser livre e desimpedido, para que a representação do eleito possa ser a mais desembaraçada possível. Com essa ideia fixa, passamos a denunciar os malfeitos, antes da eleição e durante os mandatos obtidos. O desejo era dizer que todas as pessoas tinham instrumentos à sua disposição, e com eles seria possível fazer escolhas mais sólidas, como fiscalização mais eficiente dos mandatos.
Continuo na mesma trincheira. Acho que o povo tem que dar a primeira e a última palavra. Fora da democracia impera o golpe e as decisões prejudicam a maioria, seja agora ou no futuro próximo.
Vejamos o que acaba de acontecer. A maioria os deputados federais entenderam que não se deve investigar o presidente da República, mesmo que o ilegítimo Michel Temer tenha sido flagrado com a “boca na botija”, ou concretamente com a mão na mala de dinheiro e conspirando com um “ladrão confesso”, conforme ele mesmo qualificou o seu interlocutor das madrugadas.
“A população, tão chateada e enganada, que a cada eleição menos comparece na presença da urna, assiste apática.”
Dilma só caiu porque não comprou os picaretas que se venderam a Cunha e a Temer. Os mesmos deputados que massacraram Dilma Roussef pelas tais “pedaladas fiscais”, que na verdade se tratou de um empréstimo para saldar compromissos do governo com setores sociais e do agronegócio, disseram que os crimes de Temer não podem ser investigados. A população, tão chateada e enganada, que a cada eleição menos comparece na presença da urna, assiste apática.
A exemplo do que vi em quase todas as eleições após a Constituição de 88, o cidadão eleitor ainda não sabe o valor exato da democracia que, por essa razão, essas situações de roubo de direitos sociais, as tais “reformas”, que acabam com direitos dos trabalhadores e dos aposentados, ainda não são compreendidas.
Caminhamos para tempos sombrios. No processo da Ação Penal 470, o tal Mensalão, foram condenados políticos e empresários pelo desvio de R$ 100 milhões, e a acusação é de que os votos desses parlamentares seriam “comprados” pelo governo. Muitos foram para a cadeia, o Ministério Público Federal e o Supremo Tribunal Federal foram implacáveis.
No caso presente, Temer perdoou dívidas da Oi/Brasil Telecom, de cerca de R$ 50 bilhões; perdoou R$ 25 bilhões do Itaú, R$ 10 bilhões de dívidas dos fazendeiros com o Funrural e ainda comprou um monte de votos antes da votação e no próprio plenário. O custo da operação, para permanecer no poder sem sofrer qualquer tipo de ação penal, foi de R$ 17 bilhões.
E o que fazem o STF e o MPF? Boa pergunta. Delação neles.

Antonio Cavalcante Filho é sindicalista e escreve neste espaço às sextas-feiras – E-mail: antoniocavalcantefilho@outlook

2 Comentários

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  1. - Responder

    Aproveite para delatar sua Dilma que usou 300 milhões de reais em propinas na sua Campanha de reeleição a Presidência ,em 2014,e vcs do MCCR,nada falaram,calaram para sempre,covardemente.Isso é que foi Golpe, aproveitem para falar da condenação do seu Lula,e da ditaduras do Maduro que vcs admiram incondicionalmente.Falem,denunciem, aproveitem a chance da Gazeta do Dorileo Leal,esse grupo de comunicação, que nós sabemos como foi construído aqui em MT.

  2. - Responder

    “Cidadão Delator”, é um paradoxo. Um cidadão não delata, denuncia, dentro das regras do Estado de Direito. Esse negócio de “Cidadão Delator”, cheira a fascismo.

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