Influência de Demóstenes expõe perfil direitista de Pedro Taques

Não, o senador Pedro Taques não é um político de esquerda, nem parece interessado em buscar uma definição desse tipo. A tendência de Pedro Taques – enquanto eu, Enock Cavalcanti, nesse meu blogue, expresso um udenismo esquerdista – é de expressar um udenismo direitista mas imagino que, como todo líder político em fase de gestação, Pedro Taques viva um período de forte angústia pessoal, na busca de uma mais precisa definição ideológica. Claro que ele pode jamais chegar a uma definição mais clara, como é tão próprio da política brasileira.

Os longos anos de atuação como procurador da República devem ter gerado alguma distorção nesta personalidade tanto que, ao chegar ao Senado Federal, Pedro Taques foi logo se colocar à sombra de Demóstenes Torres, senador goiano que também tem origem no Ministério Público e que despontava como uma espécie de Catão a bradar contra os vicios do poder petista. Será que, com tão fortes vínculos dentro do MPF e da Polícia Federal, Pedro Taques jamais suspeitou das patifarias de Demóstenes Torres? As informações são de que denúncias contra Demóstenes repousam nas gavetas do procurador geral da República desde 2009.

Fico a imaginar que Pedro Taques também possa ter sido enganado pela postura pretensamente moralizante de Demóstenes – mas certamente que isto foi favorecido pela tendencia direitista que anima o coração e a mente de Pedro Taques, sábio o bastante para usar a esquerda quanto entende que isso pode lhe garantir alguns frutos.

Vejam que Pedro Taques não se filiou ao DEM, ao PTB, ao PP,  nem a nenhum partido da direita mais escrachada. Ele ficou ali no PDT, um partido que sempre oscilou no contexto ideológico. Nâo se deve esquecer que Leonel Brizola, o fundador do PDT, foi ele mesmo um incongruente, ora formando dobradinha com Lula e se levantando contra o Leviatã da Rede Globo, ora tecendo loas ao ditador general Figueiredo e a Fernando Collor de Mello. No comando do PDT de Mato Grosso, Pedro Taques agasalha os mesmos vícios e as mesmas incongruências de Leonel Brizola que, como se sabe, teve um melancólico final de carreira.

Para se eleger senador, em Mato Grosso, e derrotar a candidatura de Carlos Abicalil (um “direitista” dentro do PT), Pedro Taques, com seu discurso anti-corrupção e de defesa da Constituição Federal, foi favorecido pela adesão de um forte contingente do eleitorado de esquerda no Estado, à medida que conseguiu seduzir e conquistar o apoio de lideranças como Serys Slhessarenko, Lúdio Cabral e Helena Bortolo, que não vacilaram em comandar uma dissidência dentro do PT, em favor de Pedro Taques, para esvaziar a corrente Construindo um Novo Brasil, que ameaçava hegemonizar a PT, em seu atrelamento à coligação PMDB-PR, capitaneada por Blairo Maggi.

A vitória de Pedro Taques, nas urnas, não traduziu, necessariamente, uma vitória dessas correntes de esquerda já que Taques, paulatinamente, à medida que assume o mandato, vai se afastando delas, e assumindo uma prática mais conservadora como principal liderança do PDT em Mato Grosso. Ao invés de se aproximar da esquerda, ele, na verdade, se aproxima do grupo político de Blairo Maggi e incorpora Adilton Sachetti ao seu partido, em Rondonópolis, além de flertar com o PSDB e o PTB, em Cuiabá.

No exercício do mandato, no Senado, Pedro Taques também adotou uma postura claramente de centro direita – mesmo quando monta parceria com Randolfe Rodrigues, senador do PSOL que tem, todavia, origem no PSB e desponta como herdeiro político do casal João e Janete Capiberibe no Amapá. O Psol do quase imberbe Randolfe agrada a Pedro Taques, mas aqui em Mato Grosso Pedro Taques não busca, jamais, qualquer diálogo com o Psol do Procurador Mauro. E o grande parceiro de Pedro Taques, na verdade, neste início de mandato, foi o senador Demóstenes Torres, atualmente desacreditado e ameaçado de cassação, por seu envolvimento nos esquemas de corrupção montados e capitaneados pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira. Esquemas esses que já estavam denunciados ao MPF há muitos anos mas que, estranhamente, aparecem como se fossem desconhecidos por Pedro Taques.

Na foto que divulgamos, um momento de direitismo explícito de Pedro Taques: com traje de gala, o “homem que prendeu o facínora” (epíteto lançado por esta PAGINA DO E para caracterizar o senador que prendeu o Comendador Arcanjo) desfila, alegremente, pela cerimônia de casamento de uma das filhas do senador Jaime Campos (um dos seus antigos denunciados por corrupção e, agora, importante parceiro parlamentar), ao lado do seu ícone ideológico, o até então impoluto Demóstenes Torres. Observe-se que, além dos espaços públicos, eles também coabitavam espaços privados. Fotos dessa festa da mais endinheirada direita de Mato Grosso, prestigiada por Pedro Taques, foram criteriosamente escondidas e quem as procurar nos sites que retratam o dia-a-dia dia das atividades do senador Pedro Taques jamais irão imaginar que elas sequer existam. Esse pudor talvez seja, por si só, altamente revelador para quem se dispuser a estudar e inferir os futuros desdobramentos desta carreira política.

Categorias:Jogo do Poder

2 Comentários

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  1. - IP 201.22.172.37 - Responder

    Vou pensar sempre que não cometi o engano em votar no diferente. Não votei no Magi, pois é um notório direitista e sabidamente envolvido com o golpe dos maquinários. Votei Abicalil por ser filiado no PT meu partido sendo assim meu candidato. O segundo voto foi para Taques e como muitos mato-grossenses votei pelo seu notório trabalho jurídico. Ninguém nega foi brilhante. Eu já o critiquei nas suas investidas no campo direitista e inseguro, mas creditei isso à estreia no campo político, um espaço bastante complexo para quem vive com a constituição em baixo do braço. Ali no campo político o buraco não é tão mais embaixo assim.

  2. - IP 177.145.55.184 - Responder

    Tendemos a sempre justificar os caminhos percorridos àqueles que detem um mandato eletivo, afirmando sobre as correntes ideologicas ou nao seguidas pelo mesmo.O Que na verdade ocorre com este CIDADAO, é que foi eleito mediante um contexto infortunioso de adversarios evidentemente desgastados e divididos, somado ao famoso e “oculto” voto de protesto.No entanto, 8 anos não são suficiente para dirimir o entusiasmo daqueles que anseiam por vertiginosa mudança, bem como, revelar de fato qual é a face da moeda.Como diria meu finado avô,” ninguem pode enganar a todos durante todo tempo”.obs:sem fazer juizo de valor de forma presunçosa.

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