JUIZA AMINI HADDAD: A luta pela igualdade de gênero pode reduzir a violência contra a mulher

Amini Haddad é juíza de Direito do Juízado Especial Criminal de Várzea Grande

Muito se discute sobre a desigualdade entre homens e mulheres a nível mundial. Nas sociedades onde impera a desigualdade entre os sexos, maior é o índice de violência, tanto doméstica, quanto social. Esses dados quem nos fornece é a juíza de Direito do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, Amini Haddad Campos, atual titular do Juizado Especial Criminal (Jecrim) da Comarca de Várzea Grande.

Conforme pesquisa realizada pela ONU, a Europa Ocidental é a região onde houve uma redução significativa da desigualdade entre homens e mulheres e consequentemente é uma região com baixo índice de violência contra o sexo feminino. Já no Oriente Médio e no Norte da África há um grande abismo de diferença entre os sexos e a violência contra as mulheres ainda é algo assustador.

A igualdade é algo essencial para o exercício dos potenciais humanos, e mais, é uma necessidade da própria condição existencial do ser. Relacionar o espaço doméstico à responsabilidade única e exclusiva da mulher, faz com que ela perca seu desempenho profissional, explica Amini. “O ideal é o compartilhamento, todos podemos aprender nessa cooperação entre os sexos”, ressalta.

Essa é uma condição que certamente fará com que os filhos absorvam mais da presença dos pais, contribuindo assim para um desenvolvimento mais equilibrado das relações. “Queremos que os filhos usufruam de horizontes à construção de uma sociedade mais justa. O exemplo começa em casa”, afirma a juíza. 

De acordo com Amini, essa educação familiar reflete diretamente na posição da mulher perante a sociedade e beneficia o todo. Quando os filhos percebem que pai e mãe desempenham tarefas mútuas e que ambos são responsáveis pela educação, sustento, assim como a manutenção e o cuidado do lar, eles acabam projetando horizontes de igualdade e de respeito às diferenças. “Responsabilidade mútua simboliza respeito ao outro e aos limites humanos para uma sadia convivência”, conclui Amini.

No entanto, não há muito o que comemorar. Estudos da ONU de último ano mostram que, em todo o mundo, uma a cada três mulheres é vítima de violência física ou sexual. Elas também ganham menos, ocupam menos cargos de chefia e, em 18 países, precisam de aprovação do marido para trabalhar. Síria, Irã e Bolívia estão neste grupo apontado pela ONU.

Amini atua como Coordenadora do Núcleo de Estudos Científicos e de Pesquisa da Universidade Federal de Mato Grosso, denominado “Vulnerabilidades, Direito e Gênero”, onde são desenvolvidos trabalhos como congressos, seminários, cursos de extensão, publicação de artigos, livros e outros estudos multidisciplinares a respeito da situação do feminino na sociedade. Ela ainda é responsável pela Política Judiciária “Justiça em Estações Terapêuticas e Preventivas” que atende famílias em situação de vulnerabilidade potencializada. Acima de tudo Amini é mãe de um casal de filhos e ao lado do seu marido Joelson de Campos Maciel contribui pela igualdade de gênero do mundo, começando pelo seu lar. “Nossos filhos são tratados com o mesmo grau de importância existencial, valor humano, ensinamentos de respeito e equilíbrio, para que possam desenvolver toda potencialidade como seres humanos”, conclui.

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