PREFEITURA SANEAMENTO

Alvo de escuta ilegal, manipulada pelo Gaeco, desembargador Marcos Machado, ex- promotor, diz que foi vítima de “canalhice” e “patifaria”

Vítima, desembargador anuncia ações contra membros do MP e Judiciário

A manifestação foi no último dia 25, durante sessão extraordinária do Tribunal de Justiça, onde se deu por suspeito para relatar uma notícia-crime apresentada pela OAB

Antonielle Costa, no Ponto na Curva

O desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, Marcos Machado, antecipou que colhe provas para acionar judicialmente membros do Ministério Público Estadual e possivelmente a juíza, que teriam atuado na interceptação telefônica ilegal sobre conversa realizada entre ele e o ex-governador Silval Barbosa (PMDB).

A manifestação foi no último dia 25, durante sessão extraordinária do Tribunal de Justiça, após o presidente Rui Ramos informar o recebimento de uma notícia-crime apresentada pela Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Mato Grosso.

A entidade requereu ao TJ a apuração e responsabilização dos envolvidos no montado esquema de interceptações telefônicas ilegais que assola o Estado, por meio de pedidos em ações no denominado procedimento “Barriga de Aluguel”.

Tal procedimento consiste na inclusão proposital em investigações e ações judiciais em curso de linhas telefônicas de pessoas estranhas aos fatos investigados, permitindo as escutas telefônicas indevidas.

Na sessão, Marcos Machado expôs que fora vítima do esquema ilegal quando da realização de um telefonema em setembro de 2015, que fizera ao então governador do Estado, Silval Barbosa, face a prisão da sua esposa, Roseli Barbosa. O fato tornou-se público sendo amplamente divulgado pela imprensa.

O magistrado chegou a responder uma sindicância no âmbito da Corregedoria-Geral de Justiça no TJMT e Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) perante o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que apurou desvio funcional em suposta ajuda ao ex-governador e seus familiares. Ambos procedimentos foram arquivados.

Machado esclareceu ainda que com a recente divulgação do escândalo envolvendo as ilegais interceptações empreendidas com a suposta participação de autoridades públicas do Estado, comprovou-se que o grampo da conversa entre ele e Silval se deu por meio do procedimento de “barriga de aluguel”.

Denominando como uma “patifaria” e “canalhice” que fora vítima, o desembargador alegou que o Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco) agiu para incluir indevidamente quatro linhas telefônicas pertencentes a família do ex-governador em pedido judicial de interceptação telefônica, em investigação criminal onde os mesmos não eram suspeitos ou investigados.

O site Ponto na Curva divulgou em primeira mão a denúncia apresentada pela defesa da então ex-primeira dama no Estado quanto da escuta ilegal realizada em linhas telefônicas da sua família, na ação judicial que responde. (veja aqui).

Divulgação na imprensa

Segundo Marcos Machado, o Gaeco manteve guardada as gravações telefônicas por aproximadamente quarenta dias, divulgando-as à imprensa somente após a abertura de investigação contra o ex-governador Silval Barbosa, quando ele foi sorteado relator, para que assim se declarasse impedido/suspeito para atuar no caso.

Críticas

Para o desembargador, o cabo PM, Gerson Luiz Ferreira Júnior, cuja prisão foi decretada por suposto envolvimento nas escutas ilegais, teria participado, quando atuava junto ao Gaeco, na realização escutas ilegais realizada sobre a sua pessoa.

Ele fez também duras críticas ao Gaeco, alegando que o mesmo tenta se desvencilhar dos atos ilegais no escândalo das interceptações telefônicas atribuindo exclusiva responsabilidade à Polícia Militar.

Machado apontou que as ações praticadas pelo cabo PM, envolvendo a sua pessoa, atendeu um pedido de um promotor de Justiça, chefe do Gaeco à época.

Suspeição

Após a explanação, o magistrado se deu por suspeito para atuar na relatoria da notícia-crime interposta pela OAB, já que segundo ele, possui convencimento formado sobre as responsabilidades que devem ser imputadas aos envolvidos, denominando como “odiosa” a situação que atravessa Mato Grosso com os procedimentos de escutas telefônicas ilegais.

Relator

O presidente Rui Ramos alegando urgência do caso pediu o sorteio imediato de um desembargador relator para o caso, sendo então sorteado Orlando Perri.

Veja a manifestação na íntegra do desembargador Marcos Machado clicando aqui (a partir do minuto 10)

FONTE PONTO NA CURVA

NOTA DA PAGINA DO E:  O desembargador Marcos Machado, do Tribunal de Justiça, ao afirmar que irá acionar na Justiça por danos morais quem membros do MP que atuavam no Gaeco está dizendo que irá acionar, possivelmente, o promotor de Justiça Marco Aurélio Castro,  que era  o coordenador do Grupo de Atuação e Combate ao Crime Organizado (Gaeco) na época, responsável pelas escutas telefônicas do ex-governador Silval Barbosa (PMDB). E também a juíza Selma Arruda, titular da Vara Contra o Crime Organizado da Capital, que autorizou os grampos. Aguardemos pelas ações judiciais.

Sem comentários. Seja o primeiro a comentar

Assinar feed dos Comentários

Deixe seu Comentário

Seu endereço de email não será publicado.
Campos com * são obrigatórios.

17 + 7 =