TCE - OUTUBRO

ALFREDO MOTA MENEZES: Um acordo com a Bolívia poderia diminuir a vinda de cocaína para o Brasil. O país economizaria bilhões de reais no combate a violência que isso gera e no tratamento dos dependentes. Pedro Taques poderia manter contato com o governador de Mato Grosso do Sul e, em conjunto, dá um jeito de entrar nessa conversa junto aos Ministérios da Justiça e do Exterior

Alfredo Menezes é um daqueles que consegue escrever sobre Riva sem falar nos processos por corrupção que Riva responde, às centenas, no Judiciário de Mato Grosso

Alfredo Menezes em conversa com o jornalista e blogueiro Enock Cavalcanti, editor desta PÁGINA DO E

 

 

A grande oportunidade

POR ALFREDO MOTA MENEZES

 

 

 

Este espaço sempre defendeu que se deve ter um acordo com a Bolívia para o combate à droga lá dentro do país vizinho. Ficar somente na fronteira não é o caminho correto.

Pois bem, surgiu agora a oportunidade. A Bolívia quer renovar o acordo do gás com o Brasil que vence em 2019.

Uma mão lava a outra, o acordo teria que ser amplo, incluindo o combate à droga.

Jornal de circulação nacional trouxe matéria sobre as pretensões dos bolivianos e é em cima disso que Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, atuando juntos, deveriam pressionar Brasília.

Diz a matéria que Bolívia e Brasil devem dar inicio, em breve, a uma renegociação do contrato do fornecimento de gás. “A Bolívia pretende, com a antecipação da negociação, estabelecer novos preços, quantidade de gás a ser enviada e ainda prazos”

A Bolívia quer antecipar as negociações porque teme que, quando o Brasil tiver o petróleo do pré-sal, usaria menos gás do país vizinho. Um terço de toda exportação da Bolívia é o gás. O país é dependente disso.

A Bolívia pretende, com a antecipação da negociação, estabelecer novos preços, quantidade de gás a ser enviada e ainda prazos.

Diz ainda a notícia que “os bolivianos não tem alternativa no médio prazo para vender a matéria prima que não seja a rede de dutos que liga os dois países”.

É aqui o gancho: eles não têm recursos para fazerem novos dutos e nem ninguém na região tem esse interesse, a única saída é o Brasil. Sem ter garantia da venda futura desse gás, o país se complica. Depende desse dinheiro para sobreviver.

A matéria ainda diz que o governo brasileiro quer uma renegociação não só em “questões comerciais, mas também pela parceria política dos dois países”. Outro gancho: o Brasil renegocia, mas teria que pedir um acordo também no combate à droga lá dentro do país.

O governo estadual tem condições de checar essa informação sobre a renegociação Brasil-Bolívia.

Se verdade, Pedro Taques poderia manter contato com o governador de Mato Grosso do Sul e, em conjunto, dá um jeito de entrar nessa conversa junto aos Ministérios da Justiça e do Exterior.

Se portas fecharem por aí, grudar na proposta do José Serra de que o Senado só ratifica tratados com países, como no caso da Bolívia, se houver acordo de combate à droga. A Bolívia não tem jeito de dizer não.

Ninguém acredita que aquele governo sozinho possa enfrentar cartéis de drogas que tem bilhões de dólares.

No ano passado o governo dali disse ter aplicado 16 milhões de dólares (pouco mais de 40 milhões de reais) para um ano de combate à droga. Parece brincadeira, não?

Um acordo com a Bolívia poderia diminuir a vinda de cocaína para o Brasil.

O país economizaria bilhões de reais no combate a violência que isso gera e no tratamento dos dependentes.
ALFREDO DA MOTA MENEZES é historiador e analista político em Cuiabá.
pox@terra.com.br
www.alfredomenezes.com

Categorias:Cidadania

5 Comentários

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  1. - Responder

    Alfredo sempre foi apaixonado pelo tema ,só que entre a ilusão e o sonho, existe a realidade.E acontece que a realidade boliviana é:Evo Morales é cocaleiro,responsável direto pelo aumento de área plantada da coca nesse narco-país.A primeira ação desse governo no primeiro mandato,foi expulsar os Estados Unidos que monitoravam o tamanho dessa área através de satélites e um convênio que doava 7 milhões de dólares anualmente para o governo boliviano coibir o narco tráfico.Querer que esse facínora faça com MT um convênio para combater o que ele mesmo e seus índios produzem, é muita ingênuidade ou até mesmo desinformação do assunto.

  2. - Responder

    Quanta bobagem. Cocaína vem para cá porque aqui se cheira. Cocaína vai para a Europa porque lá se cheira. Cocaína passa por aqui por causa de agentes públicos corruptos que levam o seu. Chega de ficar colocando a culpa nos outros: sem mercado não há produto.

  3. - Responder

    Mota Menezes precisa consultar o deputado federal Fábio Garcia para melhorar sua proposta. E fica a pergunta: É somente isso que consegue produzir a intelectualidade de Mato Grosso? E o infeliz professor, malandramente, ainda tenta fazer um “H” para José Serrá. Essa gente nunca pensou… Pensará um dia?

  4. - Responder

    Ta querendo deixar o mercado para os especiais como o aecio do po…?
    Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

  5. - Responder

    Enquanto o articulista se preocupa com a. Olívia, um helicóptero com meia tonelada de coca vindo do Paraguai foi apreendido. O Brasil. Os pilotos disseram que não sabiam que era droga, e estão soltos. Um dos pilotos em a assessor de deputado, e isso não virou escandalo. O helicóptero foi devolvido aos donos , um deputado é um senador de minas. Só faltou devolverem a droga.
    O articulista algum dia escreveu uma linha sequer sobre esse episódio??

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