PREFEITURA SANEAMENTO

ALFREDO MOTA MENEZES: E as obras caindo aos pedaços na cara de todo mundo. Um dos últimos estilhaços pedagógicos foi o aeroporto. A empresa que faz a obra soltou uma nota de esclarecimento que é uma completa falta de bom senso. Diz que o Projeto Executivo da obra foi feito pela Infraero. Que a empresa informou à Secopa que o tal projeto não estava bem feito. A empresa executou uma obra que sabia inepta e que poderia lá na frente cair na cabeça das pessoas? Que nota mais escalafobética.

alfredo da mota menezes cientista político historiador mtObras Públicas

Alfredo Menezes 

Esta coluna vem enchendo a paciência de leitores sobre obras públicas mal feitas no estado e que as obras da Copa estavam sendo pedagógicas. Com elas na nossa cara, dava para saber se eram ou não de qualidade. As lá no cafundó do judas ninguém liga.
Agora, com os seguidos problemas em obras da Copa, abriu-se a bateria em cima dos empreiteiros de obras públicas. Eles são historicamente intocáveis em MT. Agora se começa a apontar o dedo para eles.
Fiquemos nas obras da Copa. O governo Silval Barbosa resolveu criar um grupo técnico para vistoriá-las. O governo e a Secopa haviam contratado antes uma firma por 46 milhões de reais para fazer esse serviço.Ninguém sabia quem era, agora apareceu o nome: Planserv Sandotecnica.
O governo está criando e pagando outro grupo para realizar o serviço que aquela firma dos 46 milhões de reais deveria ter feito?
Apareceu ainda a notícia de que a tal firma contratada não produzia resultados porque não recebia. Governo e empresa deixam os viadutos caírem na cabeça das pessoas enquanto discutem pagamento?
Nesse momento pedagógico sobrou mais uma para o Tribunal de Contas. Geraldo Riva disse pela imprensa que aquele tribunal impediu a contratação de uma equipe técnica pela Assembleia Legislativa para vistoriar as obras.
Que a comissão de deputados ali criada não poderia fazer as tais inspeções por causa desse impedimento feito pelo Tribunal de Contas.
E as obras caindo aos pedaços na cara de todo mundo. Um dos últimos estilhaços pedagógicos foi o aeroporto. A empresa que faz a obra soltou uma nota de esclarecimento que é uma completa falta de bom senso.
Diz que o Projeto Executivo da obra foi feito pela Infraero. Que a empresa informou à Secopa que o tal projeto não estava bem feito. A empresa executou uma obra que sabia inepta e que poderia lá na frente cair na cabeça das pessoas? Que nota mais escalafobética.
O escritor colombiano, Gabriel Garcia Marque, que escrevia sobre o realismo fantástico, se vivesse em MT, escreveria sobre o nosso cotidiano e o mundo veria como ele é absurdamente fantástico.
Outra defesa anterior desta coluna é que todas as obras públicas fossem pelo Regime Diferenciado de Contratação. Os empreiteiros não querem.
Não querem porque eles é que vão realizar o projeto executivo. Se der errado o problema é deles, o custo é de suas empresas.
Outra coisa que a coluna defende é que os fiscais de obras públicas fossem cargos de carreira, como são os fiscais dos tributos. São eles que vistoriam e recebem as obras. É uma gente esquecida e que tem enorme importância.
Com concurso e bom salário, eles ficariam com receio de derrapagens. Não aceitariam tão facilmente pedidos e ofertas não republicanos das empreiteiras de obras públicas

 

ALFREDO MOTA MENEZES, historiador e cientista político, é analista do jornal A Gazeta e da Rádio Centro América FM

Sem comentários. Seja o primeiro a comentar

Assinar feed dos Comentários

Deixe seu Comentário

Seu endereço de email não será publicado.
Campos com * são obrigatórios.

4 × três =