ALFREDO MENEZES: “O Lúdio, se ganhar, vira prefeito mas se perder já fez campanha para deputado federal”

Para Alfredo Menezes, depois de sua performance eleitoral, Guilherme Maluf vai ter dificuldade de se reeleger como deputado estadual (fotos Dinalte Miranda)

Alfredo Mota Menezes, analista político

“O Lúdio, se ganhar, vira prefeito mas se perder já fez campanha para deputado federal”

ENOCK CAVALCANTI
CENTRO OESTE POPULAR

Cuiabá vive uma hoje uma das disputas mais acirradas pela sucessão de Chico Galindo (PTB). As pesquisa mostram que o páreo está duro entre Lúdio Cabral e Mauro Mendes. Para o professor Alfredo Menezes,  analista político mais aplaudido da mídia mato-grossense, o partido de Lúdio desponta como um dos grandes vencedores desta disputa, já que o Partido dos Trabalhadores está ressurgindo das cinzas, nesta eleição. Ele aponta o desempenho do PSDB como dos mais lastimáveis e avalia que Guilherme Maluf dificilmente se reelege como deputado estadual. Informa, ainda, que a revelação de que Mauro Mendes explora um garimpo de ouro, arrebentando com o meio ambiente, pode ser uma denúncia que será feita neste segundo turno.

CENTRO OESTE POPULAR – Qual sua avaliação do resultado do primeiro turno da eleição em Cuiabá?

ALFREDO MENEZES – Eu tenho uma teoria sobre isso, não sei que você concorda, se os eleitores concordam. As pesquisas mostravam o Lúdio terminando na frente. Eu só li uma pesquisa que mostrava que o Lúdio ganhava no primeiro turno. Teve uma, no final, acho que foi da Vox Populii ou Ibope, que colocava um ponto percentual para terminar no primeiro turno e o Gazeta Dados falava em dois pontos. Eu estou com a seguinte hipótese: que boa parte do povo do Guilherme e do Brito, não querendo o PT, não querendo o Lúdio ou querendo o segundo turno, em cima da bucha, vota no Mauro.  Já conversei com umas três dúzias de pessoas que me disseram que fizeram isso na urna, a maioria gente de classe media.  E isso foi até uma surpresa pro Mauro, pois tinha pesquisa que falava que perdia, não tô dizendo no primeiro turno, mas ele perdia. Poderia até ter o segundo turno, mas que ele passaria em segundo lugar mas ele saiu na frente e fez uma festa em frente ao Choppão, deu entrevistas empolgado e tudo mais. Foram 5, 6 mil votos de diferença e eu tôachando que foram votos desse pessoal que queria jogar pro segundo turno e tirou o voto do Guilherme.

COP – O que levou ao fracasso da campanha do Guilherme e do PSDB?

ALFREDO MENEZES – É a primeira eleição que o PSDB perdeu na capital.  Lá atrás o coronel Meireles já tinha sido vice do Dante, depois veio o Roberto França, duas vezes, e o Wilson Santos duas vezes. Foi um baque muito grande. A derrota do Dante para o Senado, em 2002, a derrota do Antero para o governo em 2002, o Arca de Noé em dezembro de 2002, depois a caixa preta do governo Silval e a propaganda forte em cima, o desaparecimento físico do Dante, porque o Dante caminhava para ganhar para deputado federal, e a nova derrota do Antero, eu estou apenas falando coisas obvias, tudo isso fez o PSDB ter aquele baque danado. Alem disso, o Wilson que podia ter ficado na Prefeitura e hoje se arrepende de não ter ficado, ele mesmo está falando, chega o Guilherme, uma pessoa boa, acho ele até interessante e tudo mais, chegou a ter 12% da preferência, com Lúdio com 8%. Eu achava que, naquele momento, ele deveria polarizar com o que estava em cima e ai a polarização começou com o Lúdio, que estava embaixo e veio o erro do Mauro, o Mauro foi brigar com o Faiad e ai chegou o Éder, que é polemista, e polarizou, e polarizou, polarizou e passou o Guilherme e ai o Guilherme começou a cair e também.  Vendo por dentro, vendo de longe, já que não estou participando de nada em política partidária, sai o Permínio da coordenação, sai o Mauro Cid que já estava no marketing, ai vem o Júlio Valmórbida, veio aquele ataque ao Mauro. Acho que se era pra polemizar tinha que bater nos dois,  bater no Mauro e bater no Lúdio porque depois veio aquela historia de laranja, que o Guilherme estava vendido e etc e a performance que eu imaginava que o Guilherme, que é uma pessoa de que eu gosto pessoalmente, que eu achava que ele mesmo perdendo para prefeito, ele faria campanha para deputado federal, acho que hoje ele está com dificuldade de se eleger mesmo como estadual, os caras vão falar que perdeu pro Procurador Mauro, que não se pode dizer que tenha um partido, só fez campanha na televisão.

COP – O PSDB tem sobrevida depois desta eleição? Ou vai depender do Aécio?

ALFREDO MENEZES – Eu ia dizer isso, que depende da performance nacional. O socorro, vamos dizer assim, vem de lá, não o socorro financeiro mas a performance boa do Aécio. Se ele se sair bem, não tô falando em ganhar campanha, mas se sair bem, eleger uma boa bancada, ele acaba ajudando. Eu achava, depois de tudo que aconteceu na eleição passada,  que o PT,  para recuperar se recuperar em Mato Grosso ia demorar uma década e apareceu um garoto no caminho, o Lúdio e recuperou o partido em dois anos. Então, o PT tem uma ligação nacional fortíssima, com a Dilma e o Lula, pelo amor de Deus!, e o PSDB nessa tentativa…O PT já se safou. O Lúdio, se ganhar, vira prefeito, mas se perder, já fez campanha para deputado federal.

COP – E sua avaliação da performance do Carlos Brito e do PSD?

ALFREDO MENEZES – O Riva está olhando, e eu não tenho duvida, pra 2014. Queria ou não, aceite ou não, se os atrapalhos jurídicos permitirem, ele vai ser candidato a governador e ele quer machucar o Pedro Taques. Se ajudasse a eleger o Mauro, ajudaria a fortalecer o Pedro, então é melhor atacar e o Pedro está muito a fim e não tem nada a perder. Se não ganhar, ele volta pro Senado e já faz campanha pra Senado e daí mais 4 anos, então não tem nada a perder. Eu acredito que o Brito tenha chance para deputado estadual, poderia ter se saído melhor. Agora, o que eu acho do PSD é o seguinte: quando o PSD foi lá, brigou com o Zaeli para ele sair como candidato  e o Zaeli não queria, ai o Brito apareceu, vamos colocar o Brito, a minha impressão é que o PSD, que tinha o maior números de prefeitos, mas não sei em qual blogue que eu li, que fez o levantamento das prefeituras e são prefeituras de poucos votos, então o partido precisava e precisa o PSD ter inserção em Cuiabá, Várzea Grande pensando em 2014.  Veja só: o Riva teve 84 mil votos para deputado, acho que foi isso, tendo 6 mil votos na Baixada Cuiabana, ou seja, aqui não tem penetração e eu achava que eles estavam fazendo essas candidaturas do Brito e do Zaeli para o partido entrar aqui e, interessantemente, o partido não apareceu em nenhum horário gratuito, não fizeram força nenhuma, deixaram o Brito sozinho, e o Zaeli praticamente sozinho do outro lado da ponte. O partido que poderia aproveitar o horário gratuito daqui e de lá, porque o horário daqui e de lá é assistido em Livramento, Barão de Melgaço, Poconé, todo mundo assiste, e não cresceu nem o Brito, nem o partido. Outra coisa: cadê os deputados federais o Eliene, o Homero e mais o Chico Daltro? Ninguém falou nada, ninguém apareceu, ninguém abriu a boca. Vamos supor que foi o Riva que se omitiu e ele sempre falou que estava indo para interior e tal mas e o Chico Daltro, o Eliene, o Homero, ninguém falou uma vírgula no horário gratuito. A campanha foi muito Brito só e no final alguns candidatos a vereador mais fortes, como o João Emanuel, o Toninho e o Pop que acabou sendo um fiasco.

COP – Outro fiasco, sendo uma grande maioria, foi o desempenho dos institutos de pesquisa

ALFREDO MENEZES – A diretora executiva do Ibope deu uma entrevista ao jornal O Globo, que conversou com os diretores de um e de outro e deram explicações, mas tinha alguns lugares em que não se explicava, ninguém explicava, ai ela saiu dizendo que a estatística permite que, de cada 100 pesquisa feita, pode se errar cinco, inclusive fiz um artigo sobre isso, o fato é que a gente fica com receio de pesquisa. Aqui de Mato Grosso,  acho que eles não saíram muito bem dessa vez, não. Acho que tem que ter um controle,  não pode, por exemplo, todo mundo querer criar instituto de pesquisa. Eu, sinceramente, não tenho uma receita pra resolver isso, é uma coisa que precisava ser analisada com cuidado. Agora, que esta uma bagunça, está.

COP – Nesta disputa pelo segundo turno, vai haver espaço para propostas ou a disputa entre Mauro e Lúdio vai ser decidida na base do chute na canela?

ALFREDO MENEZES – Eu continuo achando que todos vão falar propostas. A população não ouve, não lê porque não acredita na classe política. A população sabe que a classe política mente muito e as propostas variam pouca coisa, então a população olha pra isso desconfiada. Ela fica olhando, ai eu entro no chute na canela, e nessa questão de desnudar a vida da pessoa. Eu defendo o seguinte: que deixando a baixaria de lado, o cara que entra como candidato ele se transforma em um homem publico, ele não pode ter segredo, nem as relações dele podem ser sigilosas. Nos Estados Unidos, onde vivi uma parte de minha vida, o cara entrou na política, a vida dele é revirada de cima em baixo, as ligações dele e lá tem uma tática interessante. Veja o caso a Hilary Clinton: o Obama ganhou e queria nomeá-la secretaria de Estado. Eles fazem o seguinte: um assessor solta pra imprensa que possivelmente possa ser a Hilary e deixa a coisa ferver 15 dias e eles vão remoer para ver se tem alguma coisa. Então, tudo acaba ficando às claras, eles não nomeiam pra depois voltar atrás. Então, você é candidato a prefeito e não quer que mostre a sua vida?! Tem que mostrar! Eu acho que vão bater no Lúdio em outras coisas, vão colocar tudo, vão colocar que quem vai mandar no governo vai ser Éder, Bezerra, Riva e tal. Quanto ao Mauro, eu acho que vão continuar batendo em relação ao incentivo fiscal e estão dizendo que vão atrás de um garimpo de ouro, revelando que o Mauro tem um garimpo, que ele ganhou dinheiro com garimpo e isso tem sempre um aspecto ambiental, ele pode ser mostrado arrebentando com tudo.

COP – E essa história de eleição no segundo turno é uma outra eleição? É uma tese que o senhor respalda?

ALFREDO MENEZES – É uma continuidade, sem duvida. No caso aqui mais ainda, porque as outras três candidaturas ficaram tão pra atrás, no ultimo mês que só se falava de Lúdio e Mauro, a campanha polarizou em torno dos dois, acho então que é continuação e pronto.

COP – O senhor previa uma taxa tão grande de renovação na Câmara de Cuiabá?

ALFREDO MENEZES – Quando se fala em renovação, e ficamos espantados que só sete se reelegeram, tem que se fazer uma ressalva. O Lúdio se se candidatasse voltava para lá, o Deucimar, o Edivá,  o Vuolinho, cinco com sete já são doze, já seria metade. Agora houve uma mudança, mas é muito difícil qualquer um dizer que esse pessoal que entrou vai ser uma novidade e tal. O doutor Ulisses Guimarães, que está fazendo 20 anos de sua morte, tinha uma expressão. Quando diziam “Ah! mas essa Câmara está muito ruim!”, ele replicava: “Espere a próxima!”  Então, tem pessoas ali que não conhecemos e não vou nem dizer o nome porque pode ser deselegante e pode chegar lá e ser uma surpresa. Outra coisa: pessoas, naquela tese que levantei  antes, de quem não foi destrinchada a vida, só se vai saber do que é capaz quando estiver no mandato – e aí pode ser uma tragédia.

Na redação do Centro Oeste Popular, Alfredo Menezes com Antonio Carlos e Silvia Milas

2 Comentários

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  1. - IP 189.99.154.195 - Responder

    O MARKETING DO PT TEM FEITO DE TUDO PARA MUDAR O CONCEITO DA VERDADEIRA PESSOA QUE REPRESENTA MAURO MENDES, ISSO CHEGOU ATÉ ATRAPALHA NO PRIMEIRO TURNO, MAS NESTE SEGUNDO O CENÁRIO MUDOU E PODEMOS VER ISSO NA CIDADE, SÓ DA 40 E SÓ SE FALA EM 40. TENHO CERTEZA QUE CUIABA NÃO VAI SE ARREPENDER…

  2. - IP 177.64.243.34 - Responder

    APROVEITANDO O MOMENTO, GOSTARIA DE SUGERIR AO SR. ACM, ONDE TÁ A SRA CLARICE FEITOSA, MAE DOS 3 FILHOS DELE E QUE QUE O AJUDOU QUANDO ELE AINDA ERA UM HONRADO MOTORISTA DA COPAGAZ LÁ EM CAMPO GRANDE……EITA MUNDO DEMAGOGO

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