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ALFREDO MENEZES: O Estado campeão nacional do agronegócio tem que deixar de lado qualquer complexo de vira-lata

Alfredo da Mota Menezes

Por que não?

POR ALFREDO MENEZES

Por que Cuiabá não pode ser um centro de grandes eventos do agronegócio nacional e internacional? Ter aqui o que já existe, por exemplo, em Ribeirão Preto.  Nessa cidade, no Agrishow, se tem encontro de negócios e tecnologias agrícolas. Não têm rodeios, cantores sertanejos, nada disso. Veja alguns números daquele encontro do agro.

Em 2017 foram 159 mil visitantes. Estiveram ali gentes de 70 países. Quem vai à feira é para negócio ou se inteirar de novas tecnologias. Foram 800 marcas de máquinas e implementos em exposição. Fez-se negócio de 2.7 bilhões de reais.

O evento trata, além de novas tecnologias, de armazenagem, corretivos e fertilizantes, equipamentos para irrigação, máquinas agrícolas, produção de biodiesel, autopeças, caminhões, seguros e financiamentos.

Encontro desse porte teve apoio de entidades como a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Associação Brasileira da Indústria de Máquinas (Abimaq) ou da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Ande).

Um paralelo entre as cidades de Ribeirão Preto e Cuiabá. Aquela cidade é chamada de Capital Nacional do Agronegócio, título que oficialmente pertence a Sorriso e que Cuiabá merece mais que a cidade paulista.

Ribeirão tem 660 mil habitantes, 0,789 de IDH, PIB de 27 bilhões de reais e PIB per capita de 42 mil reais. Cuiabá tem 600 mil habitantes, 0,785 de IDH, PIB de 22 bilhões de reais e PIB per capita de 36 mil reais.

As duas cidades tem quase as mesmas companhias para voos: Gol, Latam, Azul e Passaredo. O número de quartos de hotel também é aproximado. Fontes mostram que Cuiabá teria 155 hotéis e Ribeirão 127.

Ribeirão Preto e região produz cana de açúcar, com fábricas voltadas para essa agroindústria. Plantam soja, acredite, em oito mil hectares. Foi, no passado, grande produtora de café. Se comparada com a produção do agro em Mato Groso a distância é gigantesca.

Lá os visitantes praticamente não tem aonde ir além do evento em si. Aqui, num evento daquele porte, milhares de visitantes poderiam ir à Chapada ou ao Pantanal. O evento do agro na capital movimentaria o negócio do turismo em outras direções.

Não seria um único encontro em Cuiabá por ano. Teria um grandão e se poderiam ter vários outros menores durante o ano. Evento para discutir, por exemplo, novos cultivares ou tecnologia especifica para essa ou aquela plantação. Com movimentação o ano inteiro em torno do agronegócio, portanto.

Repito aqui uma frase do cronista Nelson Rodrigues depois da derrota do Brasil para o Uruguai na Copa de 1950. Dizia que o futebol e o Brasil tinham complexo de vira-lata.

O estado campeão nacional do agronegócio, mesmo estando longe do outro Brasil e visto como “interior”, tem que deixar de lado qualquer complexo e acreditar que aqui se pode fazer o que se faz em Ribeirão Preto. Se isso acontecer, seria o maior presente para o aniversário de 300 anos da capital.

ALFREDO DA MOTA MENEZES é historiador e analista político e escreve para o jornal A Gazeta

3 Comentários

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  1. - Responder

    É isso aí prof. Alfredo. Cuiabá e sua Região Metropolitana tem que perder a postura de vira-latas e assumir, e já, sua dimensão de capital do agronegócio e as vantagens estratégicas de estar no centro continental, cobrar forte tudo que tem direito como a disponibilização do gás, a operacionalização da Termelétrica, a volta do traçado da Ferronorte passando por Cuiabá, os voos internacionais, as saídas para o Pacífico e para os portos platinos, os eventos comerciais, culturais e esportivos de abrangência nacional e internacional, a viabilização da Arena Pantanal e do Ginásio Aecim Tocantins, erguer o principal polo de verticalização da economia mato-grossense, senão vai perder o futuro. O futuro é o maior legado de nossos antepassados. O principal patrimônio histórico de Cuiabá é o futuro. O horizonte de planejamento de Cuiabá e Mato Grosso não pode ser mais dois anos, ou as próximas eleições. Cuiabá tem que pensar grande para conseguir construir o futuro que lhe é predestinado, ou jogá-lo no lixo.

  2. - Responder

    Este pensador só pensa bobagens e quimeras.O mundo real o atropela.

  3. - Responder

    O artigo é preciso quando fala da recolocação de Mato Grosso como espaço onde os eventos podem (e devem) acontecer. Para isso, é necessário mudar a percepção para o mercado e para a sociedade como um todo. Contudo, isso passa pela vontade política. Os empresários pensam “façam que as pessoas virão”. O Estado precisa entender a mesma lógica, resguardando o bem público e pensando que o setor de eventos aumenta a arrecadação de impostos e tributos.

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