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ALFREDO MENEZES: 2 anos atrás, no início da atual gestão, se incinerou toneladas de medicamentos vencidos.Agora, 2 anos depois, o estado terá que incinerar outra quantidade de medicamentos. Tudo fica por isso mesmo. Os caras continuarão fazendo picaretagem e rindo dos trouxas que somos nós.

Alfredo Menezes, historiador e analista político, mostra indignação com desperdício do dinheiro público, na atual gestão do Estado, na compra de medicamentos de alto custo. Pior é que a trama se repete sem que os beneficiários sejam devidamente identificados e punidos.

Alfredo Menezes, historiador e analista político, mostra indignação com desperdício do dinheiro público, na atual gestão do Estado, na compra de medicamentos de alto custo. Pior é que a trama se repete sem que os beneficiários sejam devidamente identificados e punidos.

Em nome dos trouxas
por ALFREDO DA MOTA MENEZES

Recebi correspondência que mostra como funciona a rapinagem na compra de remédios pelo poder público. Coloco trechos dela. Diz que “por força da lei todo comércio que vende ou distribui medicamentos é responsável por sua destinação final. Em caso de vencimento do produto a empresa terá que contratar outra empresa especializada para incinerá-lo e isto custa caro e ninguém quer perder dinheiro, ainda mais para queimar remédio. Aí entram as negociatas não republicanas, como você mesmo diz”.

Mais à frente escreve que (abro aspas) “a distribuidora passa ao comprador a relação dos produtos em estoque com prazo de validade próxima do fim ou produtos a serem rifados. Há caso de produto que custa 20 reais e que está na lista por 0,50 centavos. Os produtos são então arrematados, mas na nota o preço são os 20 reais, mas na verdade o que vai se pagar serão 0,50 centavos. Os 19,50 são devolvidos em espécie e vai para onde? Agora vamos fazer uma continha simples: mil unidades de certo medicamento por 20 reais cada serão 20 mil reais, que é o valor da nota, mas na prática a conta é outra e o distribuidor vai ficar com 500 reais. Os 19.500 vão sumir. Professor Alfredo, isto nós estamos fazendo uma continha de valor de café, as negociações são na casa de milhões e olha que isso não é de hoje “(fecho aspas).

E fica ainda pior na enorme quantidade comprada e mandadas para os postos de saúde da periferia. Já vão quase todos vencidos e a compra foi na casa dos milhões.  Peguemos dois fatos no estado para dar suporte à denúncia. Dois anos atrás, no início da atual gestão, se incinerou toneladas (no plural mesmo) de medicamentos vencidos. E se teve que gastar com uma empresa especializada para fazer o serviço.

Agora, dois anos depois, o estado terá que incinerar outra quantidade de medicamentos vencidos. Quer dizer que se comprou outra vez, na cara de todo mundo, outro grande bloco de medicamentos prestes a vencer.

Mais um dado para comprovar a denúncia da correspondência recebida. O estado contratou uma OSS para tomar conta da Farmácia de Alto Custo. Ela foi agora mandada embora e veio a público dizer que quando chegou ali já havia uma enorme compra de medicamento e que a maioria estava vencendo.

Recapitulando: dois anos atrás se descobriu remédios vencidos. Quando entrou a OSS, pouco tempo depois dos remédios serem incinerados, já haviam comprado outro lote quase vencendo, mostrou a OSS agora dispensada. Ou seja, quem vende e compra continuou a fazer negócio normalmente na cara de todo mundo.

Tudo é normal, fica por isso mesmo. Cadê, como exemplo, o resultado dos procedimentos jurídicos feitos dois anos atrás quando seincinerou toneladas de medicamentos? Agora se diz que vai ter auditoria e mais isso e aquilo. Os caras continuarão fazendo picaretagem e rindo dos trouxas que somos nós.

ALFREDO DA MOTA MENEZES é historiador e analista político do jornal A Gazeta e da rádio e TV Centro América, em Cuiabá. É autor, entre outros, do estudo “Ingênuos, pobres e católicos: relação dos Estados Unidos com a América Latina”

Categorias:Direito e Torto

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