Alfredo Menezes destaca contribuição dos gaúchos a Mato Grosso

Paulistas ou gaúchos?
ALFREDO DA MOTA MENEZES

Alfredo da Mota Menezes, analista político de A Gazeta

Quem, ao longo dos anos, fez mais por Mato Grosso: os migrantes gaúchos ou os migrantes e interesses paulistas? Se for olhado com cuidado o que fizeram, os gaúchos fizeram mais coisas pelo estado do que o outro.

Os paulistas, lá atrás, na mineração, aqui vieram e levaram a riqueza. Quando acabou o ouro a maior parte deles foi embora. Séculos depois, eles voltam quando do incentivo da Sudam para a região.

A maior parte dos empreendimentos não deu resultado. Permitia-se que uma parte do imposto de renda devido por alguém ou empresa pudesse ser investida na região amazônica. Foi a farra do boi. Quase nada ficou de concreto.

Também os migrantes daquele estado quase não foram para a agricultura.

Ficaram no comércio urbano ou na pecuária extensiva.

Os paulistas têm outra maneira de fazer dinheiro com a região. Bancos, seguros, empresas de transportes, tudo carreando recursos daqui para o outro estado. A ferrovia, como um exemplo mais à mostra, leva o que se produz aqui para o porto de Santos.

Ninguém está dizendo que isso é ruim. Ou que o mais forte está explorando o mais fraco. Que há, como escreveu alguém, um subimperialismo no país. É regra do jogo, São Paulo é mais forte, passa o rastelo e drena recursos para lá.

Olhando agora para outro lado. Os gaúchos, em sua maioria, não eram de gente de posses. O governo militar os trouxe para povoar partes do estado, principalmente a Amazônia mato-grossense.

Vieram e trouxeram mais tecnologia para o campo. Aceitavam com mais facilidade as técnicas agrícolas e estavam muito à frente do produtor rural do estado ou dos outros migrantes que para cá vieram.

Claro que se esbaldaram com os subsidiados empréstimos do Banco do Brasil. Usando bem ou não o recurso, a maior parte do dinheiro acaba ficando por aqui mesmo. Diferente do estilo paulista que é levar tudo para sua casa, inclusive aquelas jogadas da época da Sudam.

Os gaúchos (ou os sulistas de forma geral), numa demonstração de que adotaram o lugar, montaram estrutura de pesquisa para aumentar a produção no campo. O trabalho feito pela Fundação Mato Grosso, por exemplo, é mais do que tudo que os paulistas possam ter feito por MT.

Com as pesquisas, a produtividade de soja por hectare é a maior do país. O algodão também sebeneficia dessa fonte de pesquisa. A Embrapa, que ajudou o Brasil inteiro, agora é que chegou ao estado.

Sem Embrapa ou até mesmo pesquisa da UFMT, foram os agricultores do sul, com incentivosdo governo, que criaram uma tecnologia que colocou o estado na frente em produtividade agrícola.

Não há ação desse porte feita pelos paulistas em toda história deste estado. Sem puxa-saquismo (por sinal conheço poucos gaúchos), Mato Grosso era um antes desses migrantes chegarem, outro depois deles.

Alfredo da Mota Menezes é historiador e analista político do jornal A Gazeta

http://www.alfredomenezes.com/

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1 Comentário

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  1. - IP 187.6.235.9 - Responder

    Triste um historiador ficar fazendo essas análises apenas e tão somente sob a ótica dos poderosos! Infelizmente o Professor Alfredo é norte-americanista até os ossos. E como é dominado pelo americanismo jamais consegue entender que tudo o que há aqui foi fruto dos trabalhadores, primeiros os índios e negros escravos e, depois, os trabalhadores assalariados…
    Pelo menos uma vez na vida ele podia ser menos elitista e dizer a história verdadeira, não a dos “vencedores”!

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