ALFREDO MENEZES diz que Zé Pedro Taques, para se reeleger, precisa se livrar da rejeição

Historiador e analista político Alfredo da Mota Menezes

VANESSA MORENO
PÁGINA DO E

O Tribunal Superior Eleitoral já aprovou as principais datas para o processo eleitoral de 2018. O pleito deste ano deve acontecer em 7 de outubro e os registros de candidatura até o dia 15 de agosto. Os eleitores vão eleger presidente da República, governadores, dois terços do Senado Federal e deputados federais e estaduais. A movimentação de políticos e partidos para a disputa já é grande, mas em Mato Grosso, o quadro ainda está um pouco confuso.

O historiador e analista político Alfredo da Mota Menezes, analisa o quadro e afirma que “o quadro ainda não está definido em nomes para a eleição deste ano”. O analista cita Pedro Taques como um nome certo para tentar a reeleição, mas o primeiro passo para que o atual governador tenha chance é baixar a sua rejeição. No final de 2017 uma pesquisa realizada pelo Ibope apontou Taques com 38% de rejeição. “É um patamar muito alto que precisa abaixar e se percebe claramente que ele está nesse trabalho pelo tanto que está viajando e dando entrevistas”, ressalta. Alfredo pontifica, com seus comentários, na telinha da TV e rádio Centro América FM e também nas páginas de A Gazeta e, há anos, tem figurado também em bate-papos nesta PAGINA DO E.

Outra situação que torna o quadro indefinido é o processo de debandada das principais lideranças do PSB-MT, que começou após a volta do deputado federal Valtenir Pereira ao partido, ocupando o lugar do também deputado federal Fábio Garcia na presidência do diretório estadual. Garcia já foi desligado oficialmente da sigla e há especulações de que ele possa integrar o partido Democratas (DEM) e assumir o lugar de Dilmar Dal Bosco na presidência do diretório estadual. O deputado federal Adilton Sachetti, o ex-prefeito Mauro Mendes e vários outros deputados estaduais do PSB também receberam o convite para integrar o Democratas, partido de uma das principais lideranças do Estado, o ex-senador Jayme Campos.  “O Mauro é uma liderança forte, o Jayme é uma liderança forte, eu não imagino que o DEM tenha força para colocar dois nomes na majoritária, vai um nome, qual? Mauro ou Jayme? ” analisa Alfredo.

A segunda questão levantada por Alfredo é a questão da candidatura de duas majoritárias pelo PSDB. O governador Pedro Taques como candidato à reeleição no governo e o deputado federal Nilson Leitão como candidato ao senado. “Alguns acham que é bem complicado o PSDB chegar para negociar com outros partidos falando em duas eleições da majoritária, como resolver isso?” questiona o analista.

Outro nome forte na política em Mato Grosso é o atual ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do governo Michel Temer, Blairo Maggi, maior representante do agronegócio no Estado.

“Digamos que, hipoteticamente, o grupo do agro, coordenado pelo Blairo, resolva peitar o Pedro Taques, escolher um nome e, nesse exemplo hipotético, o Taques começa a bater que vai cobrar taxa do agro para investir na saúde, para ganhar opinião pública”, Alfredo levanta a hipótese e completa: “A opinião pública acha que o agro está ganhando dinheiro demais e não está passando para área social”.  Diante desta suposição, o analista acredita que é possível que o atual governador ganhe a eleição ou, ao perder, possa ir para oposição e se torne um adversário do agronegócio. “O agro nunca teve ninguém na oposição falando”, destaca. Esse é mais um quadro indefinido nas eleições deste ano. “Onde vai o agro junto com o Blairo? ”.

Já a oposição, que tinha como principal nome Wellington Fagundes (PR), é mais uma situação indefinida, já que no momento há a possibilidade de o senador mato-grossense assumir o Ministério dos Transportes, em substituição ao atual ministro, deputado alagoano Maurício Quintella (PR), que deve sair em abril para tentar a reeleição.

Sobre renovação de nomes para deputados federais e estaduais Alfredo afirma estar confiante de que a taxa deste ano seja maior do que nas eleições anteriores, que não ultrapassaram a marca dos 30%. “Esse ano por conta da Lava Jato e da delação do Silval Barbosa vai haver uma renovação maior, eu creio, mas qual o tamanho? Ninguém sabe”, assegura. Ele acredita que as imagens de vários nomes recebendo propina do ex-governador podem ser usadas por adversários e que isso pode ajudar a definir um novo quadro de eleitos no Estado.

A nível de Brasil, o possível candidato Lula, apareceu nas últimas pesquisas do Datafolha com uma rejeição de 46% e 42%, quanto a isso Alfredo afirma: “Alguém com rejeição de 40% pra cima não se reelege, ele vai pro segundo turno, mas não se reelegeria”. Já quanto ao deputado federal Jair Bolsonaro, o analista acredita que terá um bom número de votos por ser uma novidade, mas que nenhuma pesquisa o aponta como eleito. “O Brasil passou pela maior recessão da sua história, em 2014 empobreceu, em 2015 e 2016 caiu o Produto Interno Bruto – PIB em 7%, nunca houve isso no Brasil, 14 milhões de desempregados, então o que a população pode dizer é que não quer mais saber de extremos, nem esquerda nem direita”, ressalta Alfredo sobre os dois candidatos mais falados até o momento.

“No meu ponto de vista o Brasil precisa respeitar a questão fiscal, não podemos mais pisar no acelerador para ganhar a próxima eleição e praticamente quebrar o país. Estudos no mundo inteiro analisam isso, é o chamado populismo, o populismo pode ser de direita e de esquerda, é aquele que você dá benefício além do que o tesouro aguenta para ganhar a próxima eleição e aí quando vê o tesouro exaure aí tem que começar a remar tudo outra vez como está remando agora porque não tiveram respeito a questão fiscal” conclui Alfredo.

Confira no vídeo a seguir um trecho da conversa da PAGINA DO  E com o analista político Alfredo Menezes para as eleições deste ano:

 

1 Comentário

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  1. - IP 191.250.39.147 - Responder

    Fraco e superficial,geralmente assim são os comentários deste analista da TVCA,Leia GLOBO.

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