PREFEITURA SANEAMENTO

Aécio elege a blogosfera progressista como alvo preferencial no Roda Viva. O jornalista Fernando Barros e Silva, da Revista Piauí, destoou do clima geral de compadrio. Fez uma pergunta direta sobre as insinuação de uso de drogas pelo senador e lembrou do episódio do Mineirão, onde foi comparado com Maradona. Aécio ficou tenso neste momento e contou com Augusto Nunes pra interromper Fernando Barros e Silva. VEJA EM VIDEO

Aécio elege a blogosfera progressista como alvo preferencial no Roda Viva. 

Por Renato Rovai
DA REVISTA FÓRUM

O senador Aécio Neves, presidente do PSDB, esteve no centro do programa Roda Viva de segunda (2) à noite. E já deu sinais claros de como será a sua campanha. Antes mesmo de atacar o PT, dedicou-se a acusar o “submundo da web” de querer desconstruir sua imagem. O submundo a que Aécio se refere são os blogues e sites que não estão dispostos a lhe bater continência. Nada mais do que isso.

A bola para que o mineiro pudesse falar por uns três minutos sobre o tema foi levantada já na primeira pergunta do programa pelo jornalista de Veja, Ricardo Setti. Alguém pode estar dizendo que a primeira questão não foi essa, mas a do apresentador Augusto Nunes que lhe dirigiu a seguinte frase ao início da transmissão: “No dia primeiro de janeiro, depois de eleito presidente, quais serão as suas primeiras medidas”? Convenhamos, amigos, isso não é pergunta…

Aécio falou em 20 mil pessoas contratadas para difamá-lo. Relacionou esse esquema à prefeitura de Guarulhos. E repetiu bordões de ataques a internet dizendo que está tomando as medidas cabíveis para acabar com isso. Aécio esquece-se que quem foi pego com a boca na botija acusando o filho de Lula de ser dono da Friboi foi o filho do seu coordenador de internet Xico Graziano, Daniel Graziano, que tem buscado escapar da Justiça se negando a ir dar depoimento.

Mas nenhum dos jornalistas presentes ao Roda Viva teve a seriedade de devolver-lhe esse fato como questão. Nem Fernando Rodrigues, que entrevistou Cesar Maia, aliado do tucano e que confirmou e criticou a contratação 9 mil militantes virtuais.

Ao que parece o que interessa é criar uma narrativa de que há um grupo de bandidos difamando o senador, porque isso permitirá que o PSDB entre com uma série de processos buscando calar o único espaço capaz de fazer o contraponto midiático à sua tentativa de fazer campanha sem nenhum tipo de oposição.

O objetivo de Aécio é calar a blogosfera que não lhe faz campanha. Que não se comporta como boa parte da bancada do Roda Viva se comportou na noite de segunda. Em muitas repostas de Aécio, por exemplo, o blogueiro da Veja, Augusto Nunes, emitia o seguinte comentário…. óooootimo. E se alguma pergunta mais assertiva era direcionada ao senador, ali estava Nunes para fazer o papel de cão de guarda.

Cocaína

O jornalista Fernando Barros e Silva, da Revista Piauí, destoou do clima geral de compadrio. Fez uma pergunta direta sobre as insinuação de uso de drogas pelo senador e lembrou do episódio do Mineirão, onde foi comparado com Maradona. Além de citar o artigo em que José Serra, no final do ano passado, quando da confirmação da candidatura de Aécio, disse que a cocaína seria tema de campanha em 2014.

Aécio ficou tenso neste momento e contou com Augusto Nunes pra interromper Fernando Barros e Silva. Depois de ter de engolir essa questão, Aécio insinuou em outro momento que Barros e Silva tinha outro candidato.

Ou seja, não me bajulou eu tasco o pau.

O vídeo a seguir conta um pouco da história de como Aécio foi conseguindo o silêncio da imprensa mineira. E a doce cobertura que lhe é feita e que foi denunciada por Mauro Chaves no artigo “Pó, pará, governador?”. Aécio agora quer calar os blogues e os sites que não lhe bajulam. Está claríssimo o seu objetivo. E a entrevista no Roda Viva, depois da matéria injuriosa produzida pela IstoÉ contra a Fórum e o Blog da Cidadania, só torna isso ainda mais claro. Aquela matéria não tem um fato concreto, mas serve para ir criando a narrativa. E para impulsionar uma investigação que busque nos intimidar e silenciar. Esse é o jogo.

 

————

VEJA REPORTAGEM DA ISTOÉ COM ATAQUE AOS BLOGUEIROS PROGRESSISTAS

 

O bunker da calúnia

Segundo investigação do Ministério Público, a Prefeitura de Guarulhos, além de utilizar computadores para denegrir a imagem do senador Aécio Neves, tem financiado blogs e sites para promover o jogo sujo digital contra o PSDB e seu candidato ao Planalto

Josie Jeronimo (josie@istoe.com.br) e Raul Montenegro (raul.montenegro@istoe.com.br)

 

A campanha presidencial não começou oficialmente, mas o Ministério Público de São Paulo já investiga a existência de um possível bunker instalado na Prefeitura de Guarulhos, administrada pelo PT, com o propósito de disseminar calúnias contra o senador mineiro Aécio Neves (PSDB), rival da presidenta Dilma Rousseff na corrida pelo Palácio do Planalto. O bunker de Guarulhos, segundo as investigações dos procuradores, estaria financiando – por meio de publicidade oficial – publicações, blogs e perfis nas redes sociais dedicados a atacar Aécio não pela crítica política, mas com acusações pesadas de foro pessoal.

abre.jpg
A prefeitura de Guarulhos montou um núcleo de ataques ao PSDB
que remonta à eleição municipal de 2012

Atendendo a pedido dos advogados do PSDB, a Justiça obrigou provedores de internet a divulgar o endereço dos dispositivos eletrônicos usados para caluniar o candidato tucano. A quebra do sigilo identificou que grande parte das ofensas saía de computadores vinculados à Secretaria de Comunicação Social da Prefeitura de Guarulhos. Em 20 dias, dispositivos usados por servidores do município fizeram 81 atualizações de mensagens caluniosas. Uma das funcionárias, Nataly Galdino Diniz, foi exonerada após o flagrante. ISTOÉ apurou, no entanto, que a utilização do prédio e o recrutamento de funcionários públicos para a guerra virtual contra o PSDB são apenas a ponta do novelo de um esquema mais amplo.

O Ministério Público de São Paulo identificou o repasse de verbas de publicidade da Prefeitura de Guarulhos para sites que se dedicam a criar conteúdos altamente ofensivos contra os tucanos. Uma das publicações investigadas pelo MP é o Blog da Cidadania, editado pelo militante petista Eduardo Guimarães. No mesmo espaço em que enaltece “moradias entregues para famílias de baixa renda” em Guarulhos e exibe um banner da prefeitura da cidade, Guimarães usa palavras ofensivas para atacar a imagem de integrantes do PSDB. Seu alvo preferencial é o senador mineiro. Em publicação replicada por 652 internautas, o blogueiro mostra um vídeo em que o senador dá gorjeta a um garçom em um tradicional bar do Rio de Janeiro. Abaixo do vídeo, ele escreve um texto repleto de acusações caluniosas ao tucano. “Senador-playboy mineiro” é a mais branda delas. Também investigada pelo Ministério Público, a revista “Fórum” repete em seu portal a dinâmica de ataques ao PSDB. Com destaque, a revista replicou a opinião de um blogueiro que insinua envolvimento do senador do PSDB com entorpecentes. A revista “Fórum” pertence ao petista Renato Rovai, um dos ativistas do PT na internet, e seu conteúdo é amplamente disseminado nas redes sociais. Pelo menos 267 mil internautas acessam diariamente textos produzidos pela publicação e sua equipe de blogueiros. Assim como o Blog da Cidadania, a “Fórum” faz publicidade institucional para a Prefeitura de Guarulhos, flagrada como central da guerrilha digital petista. Os cabeçalhos da publicação na internet, com a campanha “Olha Guarulhos avançando”, são repetidos em todas as páginas do portal. De acordo com o MP, pelo menos mais dez blogs espalhados pela internet adotariam a mesma sistemática de ataques a Aécio e ao PSDB, com o patrocínio da Prefeitura de Guarulhos. “Menções a atividades genéricas da prefeitura servem apenas para dar uma fachada de legalidade e garantir os pagamentos feitos pela municipalidade”, afirmou um dos promotores ouvidos por ISTOÉ.

BUNKER-03-IE-2323.jpg
O ex-secretário de comunicação de Guarulhos Justino Pereira (acima)
foi o mentor dos ataques e o casal Tiago Albuquerque e Nataly Galdino,
os braços operacionais. Na última semana, Nataly foi demitida
por utilizar computadores da prefeitura para caluniar Aécio

BUNKER-02-IE-2323.jpg

A investigação do Ministério Público que apura a existência do bunker da calúnia em Guarulhos teve início na Prefeitura de Rio Claro, quando a vice-prefeita Olga Salomão (PT) foi acusada de reajustar e prorrogar, irregularmente, contratos da agência PG Comunicação. A agência é a mesma que prestava serviços à Prefeitura de Guarulhos e que após a quebra do sigilo – revelado na semana passada – teve seus endereços eletrônicos vinculados a perfis falsos que denegriam a imagem de Aécio. “Usaram o município como uma central. Comunicação virou prioridade. O prefeito passou a remanejar dinheiro de investimentos em obras para a comunicação”, resume o líder da oposição na Câmara de Guarulhos, Geraldo Celestino (PSDB). As cifras orçamentárias reforçam as suspeitas. Até 2013, a Prefeitura de Guarulhos destinava R$ 4,5 milhões em recursos para pagar a PG Comunicação pelos serviços de publicidade de interesse público. Em ano eleitoral, a rubrica de propaganda cresceu. Este ano, a prefeitura reservou R$ 20 milhões para ações de publicidade e já gastou R$ 10,9 milhões do total. De acordo com o MP, pelo menos 10% desse montante seria usado para financiar blogs de ataques ao candidato do PSDB ao Planalto. ISTOÉ entrou em contato com o blogueiro, com a revista “Fórum” e com a prefeitura questionando o montante pago em publicidade, mas não recebeu resposta até o fechamento desta edição. Apenas no mês de maio, porém, o blogueiro Eduardo Guimarães recebeu pelo menos R$ 5,5 mil da Prefeitura de Guarulhos, segundo nota fiscal à qual ISTOÉ teve acesso.

01.jpg

Não seria a primeira vez que o PT transformaria a Prefeitura de Guarulhos numa central dedicada a caluniar adversários políticos. O jogo sujo eleitoral começou há dois anos. Durante a campanha de 2012, um dos integrantes do bunker foi condenado pela Justiça Eleitoral a pagar multa de R$ 5 mil por divulgar na internet um vídeo e mensagens de Facebook com informações falsas sobre o então candidato a prefeito pelo PSDB, Carlos Roberto. Trata-se de Tiago Albuquerque, marido de Nataly Galdino Diniz, a funcionária demitida na última semana, depois de ter sido flagrada utilizando os computadores da Prefeitura de Guarulhos para espalhar calúnias contra Aécio. Albuquerque e sua mulher, no entanto, de acordo com o MP, são apenas o braço operacional da guerrilha digital. Albuquerque e Nataly foram recrutados por Justino Pereira, ex-secretário de Comunicação de Guarulhos, este sim o responsável por montar o núcleo de difamação contra os tucanos. Pereira tem experiência na área. Militante histórico do PT, ele foi funcionário do Banespa e iniciou sua atuação política no sindicato dos bancários. Formado em jornalismo pela Fundação Cásper Líbero, atuou como coordenador de publicidade da Prefeitura de São Paulo na gestão de Marta Suplicy. No dia 14 de março deste ano, Pereira trocou a Secretaria de Comunicação de Guarulhos – onde atuou nas gestões dos petistas Elói Pietá e Sebastião Almeida – por um cargo na Prefeitura de São Paulo. “O Justino Pereira é o mentor da comunicação do PT em Guarulhos. Esse grupo foi idealizado por ele”, acusa Geraldo Celestino.

02.jpg

Fotos: João Castellano/Ag. Istoé

————–

PML: CAÇADA A BLOGUEIROS É TENTATIVA AUTORITÁRIA

:  

Colunista da Istoé Paulo Moreira Leite diz que a “caçada a blogueiros iniciada com a investigação sobre um suposto ‘bunker’ do PT na prefeitura de Guarulhos” é uma “tentativa autoritária de silenciar vozes que divergem do monopólio político da mídia”: “Quem impede o debate sobre a democratização dos meios de comunicação força o jogo na sombra de verbas públicas”

 

247 – O colunista da Istoé Paulo Moreira Leite sai em defesa dos blogueiros na “caçada iniciada com a investigação sobre um suposto ‘bunker’ do PT na prefeitura de Guarulhos”. Segundo ele, trata-se de uma tentativa autoritária de silenciar vozes que divergem do monopólio político da mídia. Leia:

CAÇANDO BLOGUEIROS

Quem impede o debate sobre a democratização dos meios de comunicação força o jogo na sombra de verbas públicas

Vamos falar da substância das coisas. A caçada a blogueiros simpáticos às conquistas criadas no país depois da posse de Lula, em 2003, iniciada com a investigação sobre um suposto “bunker” do PT na prefeitura de Guarulhos, deve ser visto como aquilo que é.

Uma tentativa autoritária de silenciar vozes que divergem do monopólio político da mídia.

Sei que essa frase parece panfleto esquerdista mas não é.

Num país onde 141 milhões de eleitores foram transformados em reserva de mercado de uma midia monopolizada pelo pensamento conservador, a internet tornou-se um espaço de resistência de uma sociedadde contraditória e diversificada. Todo mundo – direita, esquerda, centro, nada, tudo, xixi, cocô – está ali.

Vamos combinar. Hipocrisia demais não funciona. Truculência também não.

Até para ter um pouco de credibilidade, sem traços claros de ação eleitoral, a denúncia contra bloqueiros deveria ser acompanhada pela exposição pública da contabilidade dos grupos de mídia que loteiam cada minuto de sua programação e cada centímetro quadrado de suas páginas com milionárias verbas de publicidade federal, estatual, municipal – sem falar em empresas estatais.

Estamos falando de serviços de mendicância publicitária, de caráter milionário.

Seguido o método empregado em Guarulhos, seria didático exibir cada cifrão ao lado de cada pacotão de texto e fotos, concorda? Teriamos bom circo por meses e meses.

Tentar criminalizar blogueiros pela denuncia de gastos públicos – uns caraminguás, pelos padrões de mercado — é um esforço que apenas trái uma visão contrária à liberdade de imprensa, típica de quem não aceita diversidade nem contraponto, mas apenas elogios e submissão. É o pensamento único em método linha dura e capa de falso moralismo. Apesar do escândalo, é uma denuncia verbal-investigativa. Nada se provou de ilegal.

Nós sabemos qual é a questão de fundo.

Enquanto não se aceitar o debate sobre democratização dos meios de comunicação, que poderia permitir uma discussão pública, às claras, expondo imensos interesses econômico e politicos em conflito, como se fez em vários países avançados do capitalismo, o jogo nas sombras será inevitável. Isso porque as pessoas precisam receber informações, falar, conversar, dar opiniões. Elas concordam, discordam, rejeitam e querem mais.

Não adianta adiar a chegada de um novo grau de democracia e civilização. Ela transborda. Na agonia do regime de 1964, quando a imprensa amiga dos generais chegava a proteger a ditadura por todos os meios — inclusive derrotas eleitorais eram transformadas em vitória — os governadores de oposição financiavam nova publicações, sem ranço e sem compromentimento.

Enquanto isso, até jornais alternativos, de faturamento menor do que a quitanda da esquina, eram alvo de uma devassa permanente por parte da ditadura. Empresários privados eram pressionados a saber quem ajudar — e a quem negar ajuda.

Aparelhismo?

Os últimos anos mostraram – e os blogueiros expressam isso — que o país não cabe nos limites mentais, políticos, culturais, do ideário conservador. Quer mais, quer diferente e por três vezes disse isso nas urnas. A internet e os blogueiros expressam isso.

Têm este direito.

Alguma dúvida?

Este é o debate.

Categorias:Jogo do Poder

Sem comentários. Seja o primeiro a comentar

Assinar feed dos Comentários

Deixe seu Comentário

Seu endereço de email não será publicado.
Campos com * são obrigatórios.

7 + cinco =