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ADVOGADO RENATO NERY: Marcharemos para preencher o maior cargo da República com um quadro de postulantes que não entusiasma ninguém

Renato Nery

Herdeiros políticos

por Renato Nery

Caudilho em espanhol significa cabeça. Entretanto, é, também, chefe político que possui força militar própria; mandachuva; ditador espanhol ou latino americano (Dicionário de Língua Portuguesa  Google). A história da América Latina é pontilhada de caudilhos que se julgam encarnar supostas virtudes que foram negadas aos outros mortais.

Os caudilhos são vaidosos, egoístas e mesquinhos, pois somente pensam neles. O Poder Político para eles, por exemplo, não pode ser dividido ou cedido para ninguém. Eles não cultivam, não fazem e não deixam herdeiros. Quando muito dividem o poder em família, normalmente com as suas mulheres. Na Argentina duas ex-mulheres de ex-presidentes  se tornaram presidentes. E aqui, no Estado de Mato Grosso, se tem por hábito partilhar o poder político com mulheres de governadores, senadores, deputados, prefeitos e cia….

O certo é que o monopólio, acima descrito, atrapalha a renovação. Veja as dificuldades que temos aqui no Estado de Mato Grosso neste sentido.  Não aparece nada de novo e a tendência é ficar com os mesmos. Aos antigos políticos restam os riscos de aparecer lideranças novas, como a do atual Governador que surgiu e se consolidou após vencer duas eleições sucessivas.

Os incontáveis partidos políticos, cuja  finalidade é de formar quadros para o exercício do poder,  são meros instrumentos para formação de coligações espúrias. Ressalte-se, por oportuno, que os regimes parlamentares são mais estáveis por que atenuam os personalismos e formam com facilidade e consistência os quadros partidários.

A divisão do mando, conforme já acentuamos,  é exercida de forma medíocre com alguém da família ou com pessoas que não possam empanar o brilho do criador. Um prefeito da maior cidade do Brasil teve grandes problemas com um desses sucessores. O seu mentor pediu para que votassem no seu candidato como se fosse ele, pois tudo que o seu protegido fizesse seria como ele que tivesse fazendo. Enfim, o seu pupilo ganhou as eleições e o seu mandato foi um fiasco.

Um dos candidatos a Presidente da República que promete fazer e acontecer – já encaminhou seus filhos na sua profissão – e, certamente, se eleito, transformará o Brasil numa capitania hereditária.

O ex-presidente que até a semana passada postulava a reeleição, não negou a tradição, elegendo uma sucessora não afeita ao cargo para não lhe fazer sombra. Entretanto, ela não lhe entregou o mando depois do primeiro mandato e foi reeleita e “impichada” antes da metade do seu último mandato. Como o destino tem seus caprichos, o referido ex-presidente, encontra-se preso e impedido de concorrer. Resta para ele e ao seu  partido encontrar alguém para substitui-lo. Entretanto, este alguém não foi preparado e, portanto, não existe.

O certo é que marcharemos para as eleições de outubro com objetivo de preencher o maior cargo da República com um quadro de postulantes que não entusiasma ninguém.

Renato Gomes Nery é advogado em Cuiabá- MT. E-mail – rgnery@terra.com.br

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