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ADVOGADO RENATO NERY: Deus serve para tudo, até para explorar a fé de gente humilde que procura um alento para as suas vidas de privações

Em nome de Deus

Por Renato Nery

Um amigo meu estava num período muito conturbado de sua vida e resolveu procurar uma destas igrejas evangélicas. Lá ele presenciou o seguinte episódio:

– Uma mulher, após ouvir uma pregação de um pastor que  inflamadamente clamava a  seus  fiéis pelo pagamento do dízimo, resolveu dar à igreja o único dinheiro que tinha. Após ter feito a doação, sentou-se perto do meu amigo e falou que deu para a igreja o dinheiro de comprar o pão  e o leite dos seus  filhos na manhã seguinte,  e consternada começou a  chorar -.

Pessoas humildes, como esta mulher, são as vítimas da lábia de pastores convincentes da maioria das igrejas evangélicas, pois deve haver exceções. Deus serve para tudo até para explorar a fé de gente humilde que procura um alento para as suas vidas de privações.

A graça de Deus, vendida pelas igrejas aos féis, é extremante salgada. O perverso dízimo não incide somente sobre a renda, mas em tudo que os fiéis adquirem ou vendem.

Algumas igrejas evangélicas (que não pagam impostos) constroem templos suntuosos. Noticia-se que um deles tem o requinte de possuir campo de pouso para helicópteros. Pastores, com as exceções devidas, são proprietários de mansões suntuosas e de inúmeras fazendas cujo domínio eles negam e juram por Deus de joelho que não é deles.

É comum falar mal da Rede Globo. Experimente mudar de canal e veja que não existe opção, pois os outros canais estão tomados por uma arenga religiosa das igrejas evangélicas que quando não são proprietárias do canal de TV, compraram, a peso de ouro, com o sofrido dinheiro dos fiéis, horários nobres da Televisão.

Evangélicos continuam entrando na política e têm uma forte bancada  parlamentar para defender os seus interesses. E uma das cidades mais importantes do país é governada por um pastor evangélico que teria se ausentado propositalmente do País no carnaval.

A Reforma Protestante foi feita para conter os abusos da igreja católica e os seus desdobramentos. Hoje se faz exatamente ao contrário ao se envolver com os fatos da natureza dos aqui relatados. Na semana passada foi noticiado, em rede nacional de TV, o envolvimento de padres e bispo de uma igreja católica no interior do País com desvios do dinheiro dos fiéis.

Em nome de Deus já se fez muitos desatinos e crimes ao longo da história (vide idade média e noite de São Bartolomeu). Entretanto, os autores das práticas aqui relatadas, continuam a cuspir na cara da boa fé dos cristãos desfortunados e explorados deste Brasil varonil.

Renato Gomes Nery é advogado em Cuiabá-MT. E-mail – rgnery@terra.com.br

2 Comentários

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  1. - Responder

    As igrejas possuem isenção tributária por serem consideradas entidades “filantrópicas”. Porém, hoje, a maioria das Igrejas cristãs se transformaram em uma espécie de comércio bastante lucrativo. Alguns pastores evangélicos estão comercializando a fé. Muitos deles, que não possuíam nada, hoje estão milionários à custa da ingenuidade de milhares de fiéis, pessoas humildes e simples em sua maioria, que são obcecados pelo discurso dos “pregadores profissionais” dessas Igrejas.

    Segundo a Revista Forbes, os líderes religiosos mais ricos do Brasil são: Edir Macedo, R R Soares, Estevam Hernandes Filho, bispa Sônia, Silas Malafaia e Valdemiro Santiago. Tais dirigentes evangélicos são hoje donos de uma fortuna imensa, favorecidos certamente pela imunidade tributária de que gozam as Igrejas no Brasil.

    MUITAS DESSAS IGREJAS ATUAM COMO VERDADEIRAS EMPRESAS, ONDE OS CLIENTES SÃO OS FIÉIS, O SERVIÇO PRESTADO É A CURA DA ENXAQUECA, E O PRODUTO COMERCIALIZADO É A PALAVRA DE DEUS.

    Portanto, os deputados e senadores deveriam criar uma lei para tributar as fortunas desse líderes religiosos bilionários, fortunas essas que, para disfarçar, são declaradas como “dízimos”.

  2. - Responder

    Quando me vejo em um debate com criaturas que se dizem cristão, pergunto: – Se tu vivesse no tempo de Jesus, estaria ao lado dele, entre os pobres, ou ao lado dos romanos?

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