TCE - NOVEMBRO 2

ADVOGADO RENATO NERY: A falta de ética acaba por solapar as instituições e as bases da sociedade e do poder

Renato Nery

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Os fins justificam os meios
Por Renato Nery

Este axioma implica em aceitar que se pode fazer qualquer coisa para se atingir o fim que se almeja. Despreza-se a ética e a moral em prol de um objetivo. Ele já foi e é objeto de diversos estudos e matérias publicadas no mundo inteiro. Atribui-se a sua autoria a Maquiavel para legitimar o seu príncipe.

Na vida privada, os interesseiros e os psicopatas não medem esforços para chegar ao fim desejado. No meio político é utilizado com maior frequência para se conquistar e manter o poder.

Os regimes totalitários levam o conteúdo deste postulado à exaustão. Hitler, Stalin, Fidel e outros tiranos o conduziram ao extremo limite para matar, expurgar, expulsar, torturar, aprisionar e a cometer toda sorte de abusos em nome de um novo mundo, de um homem novo, de uma revolução universal e de regimes permanentes que iriam durar mil anos. E deu no que deu.

Aqui na terra de pindorama se tentou implantar, com arrogância, uma nova era daqueles que descobriram a roda, sob o pálio de que antes deles o Brasil não existia.

A conquista do poder se deu pela via demagógica/democrática, mas a sua manutenção resvalou pela incompetência, por incontáveis desmandos e, sobretudo, pela implantação de uma corrupção desmensurada contra o Estado Nacional, em favor dos membros do partido no poder, de seus fieis aliados e em prol de um pretenso futuro promissor. Um Ministro do STF afirmou que o projeto da cleptocracia já se amealhou dinheiro da corrupção para custear as eleições presidenciais por mais de 20 anos.

Tentou-se amordaçar a imprensa e dominar o STF, entre outras tantas estripulias. Não fosse uma reação em contrário, ter-se-ia uma marcha batida rumo ao obscurantismo.

Entretanto, tudo tem limites. Até os meios e os fins. Esqueceram que não se mantém o poder instalando-se o caos.

Política guarda um sentido poli-ético (Lauro Bianchi – Os fins Justificam os Meios? – blog esquerda on-line) e a falta de ética acaba por solapar as instituições e as bases da sociedade e do poder.

Com a palavra um revolucionário insuspeito, Trotski:
– O regime desleal eis o maior dos perigos. Certo, não conhecemos normas imutáveis de moralidade. Nem que possam ser impostas de fora. O fim justifica os meios. Mas o fim deve ser um fim de classe revolucionário, histórico; então os meios não podem ser desleais, desonestos, repugnantes. Por que a deslealdade, a má-fé, a desonestidade podem dar até certo ponto resultados “úteis”, mas se forem aplicados durante um longo período, eles solapam a própria força revolucionária da classe, a confiança no seio de sua vanguarda – (Revolução Desfigurada, São Paulo: LECH – 1979).

Renato Gomes Nery é advogado em Cuiabá-MT.
e-mail: rgnery@terra.com.br

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