ADVOGADO PAULO LEMOS e os vigaristas que, atuando como juristas, dizem defender presos dos quais vivem a falar pelas costas

Juristas ou vigaristas?
POR PAULO LEMOS

Olho de maneira bastante cuidadosa para justificativas de execuções dentro de presídios atribuídas única e exclusivamente às “guerras entre facções”, ou, quando do lado de fora, a “acerto de contas”. É o mesmo que diagnosticar toda e qualquer doença como sendo fruto duma “virose”.

E assim, a violência como a doença, são naturalizadas, como se fossem inevitáveis e obra do acaso ou de algum problema circunscrito às partes, sem que o Estado ou a sociedade tenham o que fazer ou qualquer responsabilidade.

Nada mais cruel e falacioso do que isso. É uma forma de lavar as mãos, quando não de dizer em silêncio concordar com o acontecimento.

Os direitos classificados como sendo humanos e fundamentais não se tratam de uma invenção de “esquerdopatas”, como alguns inusitadamente professam crer, mas, sim, fruto de uma compreensão e construção secular, sendo que já foram chamados de outras formas e a todo tempo são incrementados e aprimorados mediante a contribuição de cada quadra civilizatória.

Algumas coisas, como o Estado de Direito, a Democracia e a Dignidade da Pessoa Humana são conquistas de todos nós, consideradas o mínimo necessário para evitar a barbárie e outros males. Enfim, são elementos constitutivos da civilização moderna.

Todavia, é impressionante ver o número de pessoas que colocam em cheque tais fundamentos civilizatórios, com a defesa das coisas mais atrozes possíveis, no campo da violência, vingança e opressão, inclusive, pontos de vista que tenho testemunhado entre colegas bacharéis em Direito, para minha completa perplexidade.

Fico vendo alguns colegas criminalistas buscando ibope nas midias sociais mediante o recurso do discurso fácil e oportunista, dizendo que presos têm de ser tratados de forma ainda “mais rígida”, que representam um perigo para as “pessoas de bem”, quase fazendo apologia ao linchamento deles.

Porém, na hora de receber os honorários são todos humanitários e duvido que digam aos seus clientes o que falam pelas costas deles. Não são juristas, são vigaristas!

Esse pessoal só pode sofrer de algum transtorno de dupla personalidade, ou são hipócritas, demasiadamente hipócritas mesmo. O senso de humanidade deles depende dos honorários.

São sujeitos venais, transvestidos de intelectuais. Enfim, são mercadores da justiça: ” – só não discriminam o dinheiro!”

Sinceramente, eu me pergunto: “- Quais livros leram na Faculdade, antes e depois dela? – O que entenderam por Direito e Justiça?”

Há algumas falas nos grupos de whatsapp por aí que são de causar calafrios e dar inveja para muitos dos que integraram e apoiaram o Nazismo, por exemplo.

A partir disso, tenho reformulado meu conceito sobre loucura e demência, sobre cretinismo também.

Cogitar uma espécie de demência social é a explicação mais benevolente para esses casos, do que simplesmente crer na banalidade do mal e na crueldade da condição humana desses cretinos, como sendo traços naturais das pessoas e da sociedade como um todo.

Fecho esta reflexão com um poema de Martin Niemöller:

“Quando os nazistas levaram os comunistas, eu calei-me, porque, afinal, eu não era comunista. Quando eles prenderam os sociais-democratas, eu calei-me, porque, afinal, eu não era social-democrata. Quando eles levaram os sindicalistas, eu não protestei, porque, afinal, eu não era sindicalista. Quando levaram os judeus, eu não protestei, porque, afinal, eu não era judeu. Quando eles me levaram, não havia mais quem protestasse”.

Paulo Lemos é advogado em Mato Grosso.

(paulolemosadvocacia@gmail.com)

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