TCE - OUTUBRO

ADVOGADO PAULO LEMOS: É impressionante como uma agremiação partidária, com alcunha de “social e cristã”, consegue aglutinar em seus quadros tantas “lideranças” políticas e religiosas, que defendem matérias tão retrógradas e posições tão desumanas, pouco ou nada progressistas e inclusivas, quanto o PSC (Partido Social Cristão). O expoente maior – pelo menos o mais popular – da referida confraria política é o deputado Jair Bolsonaro, responsável por fazer apologia ao crime de tortura e destilar ódio contra as minorias, como à comunidade LGTB, às mulheres e aos negros, por ser homofóbico, machista e racista. É também do PSC o pastor Marcos Feliciano, defensor da “cura gay”

Marco Feliciano e Jair Bolsonaro

Marco Feliciano e Jair Bolsonaro

Homoafetividade, aborto, política e cristandade

POR PAULO LEMOS

É impressionante como uma agremiação partidária, com alcunha de “social e cristã”, consegue aglutinar em seus quadros tantas “lideranças” políticas e religiosas, que defendem matérias tão retrógradas e posições tão desumanas, pouco ou nada progressistas e inclusivas, quanto o PSC (Partido Social Cristão).

O expoente maior – pelo menos o mais popular – da referida confraria política é o deputado Jair Bolsonaro, responsável por fazer apologia ao crime de tortura e destilar ódio contra as minorias, como à comunidade LGTB, às mulheres e aos negros, por ser homofóbico, machista e racista. É também do PSC o pastor Marcos Feliciano, defensor da “cura gay”.

Em Mato Grosso, o representante na Câmara Federal do PSC é o pastor Victório Galli. Há poucos dias, no programa telivisivo “Conexão Poder”, ele disse que os defensores dos direitos dos gays são ‘gayistas radicais’. Também afirmou defender a criminalização do aborto voluntário após relação sexual involuntária (estupro), hoje autorizado pelo Código Penal.

Sobre isso, pergunta-se: em qual passagem “Jesus” alega clara e objetivamente ser a homoafetividade um pecado?

O mestre nazareno nos ensinou e viveu a liberdade, a igualdade e o amor (fraternidade). Ele não discriminou ninguém pela sua condição pessoal (cor, nacionalidade, orientação sexual, entre outras).

Por outro lado, ele criticou ferrenhamente os falsos profetas, os religiosos hipócritas, os governantes corruptos e os endinheirados mesquinhas.

Por que alguns setores da igreja combatem o que Cristo não combateu, enquanto prevaricam em face daquilo que ele enfrentou objetiva e claramente, que, inclusive, o levou à morte?

Por que esses setores são tão condescendentes com o enriquecimento indevido de líderes religiosos, mediante a exploração dos fiéis e seus dízimos e ofertas?

Por que esses setores apoiam políticos, membros de igrejas, notoriamente corruptos, como Eduardo Cunha (PMDB), que é “pastor evangélico” também?

Por que não questionam os motivos da miséria e das desigualdades sociais, ao revés de se aliarem ao andar de cima do edifício sócio-econômico, para defender a desregulação da economia e a opressão de usos e costumes, em prejuízo dos pobres e dos rejeitados?

Quanto ao aborto, nas excepcionais hipóteses admitidas hodiernamente pelo Código Penal, sendo uma delas nos casos da vitimização do estupro, por que o deputado federal citado acima não se ocupa mais de tratar as causas que levam milhares, senão milhões, de mulheres a cometer a interrupção da gravidez, por outro viés, que não apenas o do crime e castigo?

Por fim, a pergunta que não quer se calar: onde está o amor de Cristo nisso tudo?

paulo_lemos

Paulo Lemos é advogado em Mato Grosso, cristão e membro da Igreja Batista.

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