ADVOGADO NAIME MORAES: Campanha política foi pautada por denúncias, mentiras, traições, sabotagens, trapaças

Naime Márcio Martins Moraes é advogado e professor universitário

Naime Márcio Martins Moraes é advogado e professor universitário

O Político e o Espinheiro
Por Naime Márcio Martins Moraes

“…Ufa! Acabou, já não aguentava mais, na verdade me dava nojo ao assistir aquelas baboseiras. ”
Essa era a voz corrente ontem na feira do Porto, sentimento de indignação, de revolta, de impotência, de indiferença, estava estampado no rosto das pessoas e eram verbalizados ali naquele local público por todos, das mais diversas camadas da sociedade sobre a campanha política.
Alguns diziam que votariam nulo, outros retrucavam e falavam, “… se votar nulo não terá para quem reclamar …” a resposta já estava na ponta da língua, “… nesse país adianta reclamar alguma coisa …? ”.
Toda a campanha política pelo país a fora foi pautada por acusações mútuas, denúncias, mentiras, traições, sabotagens, trapaças e busca por vantagens pessoais e outros atos e fatos, na busca pelo PODER, seja para garantir o voto persuadindo o incauto, ou preparando para ganhar no Tapetão. O fato é que querem ganhar a qualquer custo, simples assim, nada mais importa.
Nesse momento histórico onde se diz que apesar de tudo o povo tem liberdade de se expressar, que vivemos em uma nação democrática, mas que o voto é obrigatório e são os partidos políticos que selecionam os candidatos, o povo apenas escolhe o que acha menos pior, é preciso refletir sobre o futuro para as próximas gerações.
Lendo o Livro sagrado, a BÍBLIA, no livro de Juízes, capítulo 9, encontrei lá a história das árvores que estavam a escolher um rei para a floresta.
O texto narra a história de Abimeleque, e Jotão ambos filhos de Gideão, que não aceitou o convite para ser rei de Israel pelo fato de já exercer a função de juiz, pelo que o seu filho Abimeleque para assumir o Reinado mandou matar seus irmãos.
Jotão, um de seus irmãos, único sobrevivente do massacre de seus 70 irmãos, o mais novo, conseguiu escapar da matança subindo ao monte Gerizim, de lá proferiu a parábola ao rei e ao povo, advertindo-o contra o reinado de seu cruel irmão Abimeleque, fugindo em seguida.
Jotão gritou tão alto que todos pararam para ouvi-lo…
_ quero lhes contar uma história… era uma vez, umas árvores resolveram procurar um rei para elas. então disseram à oliveira: “seja o nosso rei.”
_ e a oliveira respondeu: “para governar vocês, eu teria de parar de dar o meu azeite, … ”
_ então as árvores foram pedir desta vez à figueira: “venha ser o nosso rei.”
_ mas a figueira respondeu: “para governar vocês, eu teria de parar de dar os meus figos tão doces.”
_ então as árvores foram pedir à parreira de uvas: “venha ser o nosso rei.”
_ mas a parreira respondeu: “para governar vocês, eu teria de parar de dar o meu vinho… ”
_ aí todas as árvores foram pedir ao espinheiro: “venha ser o nosso rei.”
_ e o espinheiro respondeu: “hum… está bem! Se vocês querem mesmo me fazer o seu rei, venham e fiquem debaixo da minha sombra”.
O espinheiro, a mais insignificante das árvores, só serve para ser queimada. O espinheiro estava disposto a reinar sobre as árvores. E todas elas estavam dispostas a lhe prestar submissão. Ela representava a antítese de árvores valiosas que haviam rejeitado a oferta para ser rei.
Seus galhos não podem oferecer sombra, pois estão cheios de espinhos que machucam, ferem tudo e todos, indistintamente, mas é a que se prontificou a comandar.
Diante da parábola, poder-se-ia dizer que o PODER só interessa aos inúteis e desocupados, que nada ou muito pouco tem para oferecer, pois, quanto aos que são úteis à sociedade, esses estão focados em continuar a produzir.
A preocupação é que pelo que se ouve, principalmente dos jovens é que querem distância da política, salvo algumas poucas exceções, ao que parece, cada dia que passa, mais apática e indiferente fica o povo, permitindo que os espinheiros os governe.
Vejam que Abimeleque para ser rei mandou matar setenta irmãos, hoje, morrem centenas, nos hospitais, vítimas de violência, e outros males, mas quem se importa, pois, para os espinheiros de plantão é preciso ficar pior a cada dia, para que tenham o que prometer e ou falar do que o antecedeu.
Então pergunto: Até quando nós permitiremos que espinheiros inúteis governem?

Naime Márcio Martins Moraes – Advogado e professor universitário – advnaimemmm@terra.com.br

5 Comentários

Assinar feed dos Comentários

  1. - IP 201.22.168.229 - Responder

    Enock, vá morar em Marte, por favor!!!

  2. - IP 179.254.144.228 - Responder

    Discurso fundamentalista mistura política, religião e erros grosseiros que maculam a língua pátria. A conclusão que generaliza a opinião de que o poder só interessa aos inúteis e desocupados é de um infelicidade satânica. Os espinheiros grassam não apenas na política, mas também nas salas de aula e, nesta última, têm o poder de deformar e deseducar.

  3. - IP 179.254.144.228 - Responder

    Onde se lê: “…é de um infelicidade satânica…”, leia-se: “…é de uma infelicidade satânica…” Revisão do texto também serve para corrigir erros grosseiros.

    • - IP 201.88.47.204 - Responder

      A política da revolta e da indignação é, uma política da impotência e da indiferença, que permeia uma variabilidade de contextos, que o Filosofo Nietzsche deu-lhe o nome de “Ressentimento”, para ele, essa sociedade “ressentida” seria a sociedade da moral de rebanho, que caminha numa logica contraria, ferindo a sua própria liberdade. Portanto é visto, que a ética moral são formulados sobre “hipóteses”, ou seja, que tendem, a produzir vários tipos de “paralogismos”, que produz um quadro contrário, entre a “ilusão” e a “realidade”, que por sua vez, forma um “mal estar da civilização”. Todavia as “idiossincrasias” faz com que as acusações, as denúncias, mentiras e sabotagens, apareça de modo cada vez mais consistente, pois o homem político fala de uma coisa para convencer seu eleitorado e faz outra para se beneficiar do poder como afirma Nicolau Maquiavel “os fins justifica os meios”. Entretanto para atender as suas finalidades, o homem político, não importa o meio que usa, mas os fins que propõem alcançar, dessa forma, o espinheiro continuará na floresta, dando sombra para alguns e espinhos para outros; e a lógica tende a ser perpetuada. Todavia os espinheiros vão governar, até ao momento que a sociedade deixar, ou seja, permitir, ser oprimida. Segundo La Boetie é possível resistir a opressão, sem recorrer a violência, todavia a tirania se destrói sozinha, quando os indivíduos se recusam a consentir com sua própria escravidão, entretanto a resistência não violenta e a desobediência civil, são as melhores estratégias, para opor-se a autoridade despótica.
      Todavia mesmo imposto pela força, nenhum poder consegue dominar e explorar uma sociedade por muito tempo, sem a colaboração ativa ou resignada, de uma parte importante de seus componentes; tendo em vista que o poder de um só, quando adota o título de soberano, torna-se “duro e irracional”, mas refletindo bem, é a maior desgraça estar sujeito a um soberano, de cuja bondade nunca se pode ter certeza, e que tem sempre o poder de ser mal, quando quiser. Destarte afirma Platão, quem não gosta de política será governado, por quem gosta. Parabéns professor Naime Marcio pelo brilhante trabalho que vem trazer junto a nos um quadro reflexivo sobre os dias da política atual.
      Nivaldo Honorio Filósofo Contemporaneo

  4. - IP 187.113.46.231 - Responder

    É tão preocupante essa busca pelo poder dos espinheiros , eles procuram ganhar de qualquer maneira, não importando nada e nem ninguém, não temos nossa própria liberdade de expressão, a preocupação é grande hoje, até quando nós permitiremos que espinheiros inúteis governem não sabemos, mas precisamos refletir sobre o futuro.

Deixe seu Comentário

Seu endereço de email não será publicado.
Campos com * são obrigatórios.

dezoito − 1 =